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Comer comida requentada no micro-ondas faz mal? Veja os riscos

Aquecer sobras pode eliminar parte das bactérias, mas não 'reinicia' o prazo de validade de consumo

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 22 de abril de 2026 às 13:07

Comida esquentada no microondas
Comida esquentada no microondas Crédito: Shutterstock

Ter comida pronta na geladeira costuma trazer praticidade - mas também pode gerar dúvidas. Enquanto é reconfortante saber que há algo disponível quando bate a fome, muitas pessoas sentem pressão para consumir tudo antes que estrague. Nesse cenário, surge uma crença comum: a de que basta reaquecer o alimento para prolongar sua validade por mais alguns dias. Especialistas, no entanto, afirmam que isso não passa de um mito.

A ideia parece lógica: ao aquecer a comida antes que microrganismos nocivos se desenvolvam, seria possível impedir sua formação e “reiniciar” o prazo de segurança. Na prática, porém, isso não funciona dessa forma.

Entenda por que não é possível dar um “novo começo” às sobras, quais são os riscos envolvidos e como aproveitar alimentos preparados com mais segurança.

Comida di Buteco 2026 por Reprodução

Por que as sobras podem se tornar perigosas

A intoxicação alimentar acontece quando ingerimos alimentos contaminados por agentes como bactérias, vírus ou parasitas. Esses microrganismos podem chegar à comida em diferentes etapas do preparo.

Falando ao site Self, Bill Sullivan, professor de microbiologia da Universidade de Indiana, explicou que a contaminação pode ocorrer por falhas na higienização dos ingredientes, contato com superfícies sujas ou até pelas mãos. Tocar torneiras, interruptores ou utensílios contaminados durante o preparo já é suficiente para transferir microrganismos ao alimento.

Adotar práticas básicas de higiene - como lavar as mãos com frequência, manter utensílios limpos e evitar usar o mesmo instrumento para manipular alimentos crus e prontos - reduz bastante o risco. Ainda assim, mesmo com cuidados, os alimentos continuam sujeitos à deterioração natural com o tempo.

O momento mais crítico ocorre entre o preparo e o resfriamento. Nesse intervalo, o alimento pode permanecer na chamada “zona de perigo”, faixa de temperatura entre 4 °C e 60 °C, na qual bactérias se multiplicam rapidamente. “Enquanto a comida esfria, as bactérias podem se multiplicar rapidamente - algumas se reproduzem em apenas 20 minutos”, explica Sullivan.

O que o reaquecimento realmente faz

Aquecer sobras pode ajudar a eliminar parte das bactérias e melhorar o sabor dos alimentos, mas isso não significa que o processo restaure a segurança por completo.

“Aquecimento ajuda, mas não oferece proteção absoluta”, afirma Darin Detwiler, especialista em segurança alimentar. De acordo com ele, a recomendação é consumir sobras armazenadas na geladeira em até três ou quatro dias, limite considerado seguro pela FDA.

Quando o alimento atinge cerca de 74 °C, a maioria das bactérias ativas é destruída. No entanto, algumas toxinas e esporos resistem ao calor - como os produzidos por Bacillus cereus, frequentemente associado ao arroz, e Clostridium perfringens, comum em pratos com carne. “Reaquecer reduz o risco, mas não o elimina.”

Além disso, cada novo ciclo de aquecimento e resfriamento faz o alimento voltar à faixa de temperatura favorável à multiplicação de microrganismos. Por isso, a orientação é aquecer apenas a quantidade que será consumida e retornar rapidamente o restante à geladeira. Ao contrário do que muitos pensam, guardar comida ainda quente não prejudica os outros alimentos armazenados.

É possível aumentar o tempo de consumo das sobras?

Não exatamente. Segundo Sullivan, seguir boas práticas desde o preparo até o armazenamento pode prolongar o prazo por um ou dois dias, mas não reinicia a validade do alimento.

Colocar rapidamente a comida na geladeira ajuda a reduzir o tempo de exposição à “zona de perigo”, mas não elimina totalmente o risco de contaminação. Como microrganismos não são visíveis a olho nu, também não há garantia absoluta de segurança apenas pela aparência.

Diante de qualquer dúvida, o mais indicado é descartar o alimento - especialmente se apresentar odor estranho, textura viscosa ou alteração de cor. Manter cuidados com higiene durante o preparo, aquecer corretamente até atingir temperatura segura e verificar se o calor está distribuído de forma uniforme são medidas importantes.

Outra alternativa eficaz é o congelamento. Diferentemente do simples reaquecimento, congelar as sobras realmente prolonga a vida útil dos alimentos e reduz o risco de intoxicação alimentar.

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