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Delegado é condenado por violência doméstica e perseguição contra ex-namorada

Casal ficou junto por 10 meses; homem nega acusações

  • Foto do(a) author(a) Esther Morais
  • Esther Morais

Publicado em 12 de março de 2026 às 08:24

Réu não aceitava fim do relacionamento Crédito: Anny Barbosa/g1 Acre/arquivo

O delegado da Polícia Civil Luis Tonini foi condenado a mais de dois anos de prisão pelos crimes de perseguição, conhecida como stalking, e violência doméstica contra a ex-namorada. A decisão foi proferida no dia 3 de março pela Vara Única Criminal da Comarca de Epitaciolândia, no interior do Acre, e ainda cabe recurso.

A pena deverá ser cumprida em regime aberto, o que permite que o réu recorra em liberdade. A sentença também determina o pagamento de indenização de R$ 20 mil à vítima. Tonini foi absolvido da acusação de violência psicológica contra a mulher.

José Américo de Almeida Rocha Neto foi condenado pelo feminicídio de Síntia Taís Freitas dos Santos por Reprodução

Conforme a decisão judicial, entre agosto e outubro de 2023 o delegado perseguiu a ex-companheira de forma reiterada. Segundo a sentença, ele buscava informações sobre a rotina e a aparência da vítima por meio de terceiros, monitorava seus deslocamentos e chegou a usar uma advogada para enviar recados pessoais, mesmo após a Justiça determinar medidas protetivas.

O caso ganhou repercussão em julho de 2023, quando Tonini, que era coordenador da delegacia de Epitaciolândia, foi preso em flagrante por descumprir uma medida protetiva após tentar pular o muro da casa da ex-namorada. Dois dias depois, ele foi liberado pela Justiça mediante medidas cautelares, incluindo a proibição de se aproximar ou manter contato com a vítima.

A mulher, que também é agente de polícia, sofreu danos psicológicos após os episódios. Ela foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático, precisou iniciar tratamento com medicação, afastou-se do trabalho, mudou de residência e alterou a rotina por questões de segurança.

O relacionamento entre os dois durou cerca de dez meses. Após o término, a vítima relatou ter se sentido ameaçada e emocionalmente abalada, com dificuldades para dormir e se alimentar, além de medo de frequentar locais que costumava frequentar.

Ainda conforme a sentença, mesmo após as medidas protetivas, o delegado continuou tentando obter informações sobre a ex-namorada. Em áudios enviados a testemunhas, ele chegou a perguntar detalhes sobre a aparência da vítima, como o tamanho do cabelo, além de questionar se ela estava trabalhando normalmente e se mantinha um novo relacionamento.

Em depoimento, Tonini negou as acusações. Ele afirmou que os contatos tinham sido motivados por preocupação e por questões pessoais, alegando também que enfrentava problemas familiares na época dos fatos. O delegado disse ainda que não comentará a sentença porque o processo tramita em segredo de Justiça.

A Polícia Civil informou que a condenação é resultado de investigação conduzida pela corregedoria da instituição, que concluiu o caso e encaminhou o processo ao Judiciário. O delegado está afastado das funções há mais de dois anos para tratamento de saúde.

Tags:

Polícia Delegado