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Desastre térmico: 2026 deve superar 2024 como o ano mais quente da História da Humanidade

El Niño vai provocar ondas de calor, noites quentes e seca, além de causar impacto no bolso do brasileiro, sobretudo pela alta na conta de energia e no preço dos alimentos

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 3 de abril de 2026 às 10:57

Calor
2026 deve superar 2024 como o ano mais quente da História da Humanidade Crédito: Divulgação

Mais uma vez o El Niño deve chegar com força no segundo semestre. E a promessa é que os desastres térmicos trazidos por ele será sentido em todo o Brasil, com grande intensidade no Sudeste e no Centro-Oeste. O calor, que não tem aliviado, deve vir com mais intensidade ainda no segundo semestre, movido pelo impulso do El Niño. E é esperado, inclusive, que 2026 supere 2024 como o ano mais quente da História da Humanidade, adverte um dos climatologistas mais respeitos do mundo, José Marengo. Ele é um dos autores de uma nota técnica enviada à Casa Civil este mês pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). As informações são do jornal O Globo.

De um modo geral, o El Niño costuma provocar a diminuição das chuvas no Norte e o aumento no Sul. Na região central, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, as ondas de calor se tornam mais frequentes, normalmente acompanhadas de baixa umidade, diz a nota. De acordo com o climatologista, há 80% de chance de um El Niño se estabelecer no Oceano Pacífico no segundo semestre. Só não é possível precisar ainda com qual intensidade ele virá. “Vai acontecer, será muito quente e vamos sentir mais a partir de setembro. Mais que isso, é especulação”, afirma o climatologista.

Estão se multiplicando com as mudanças climáticas e aquecimento do oceano por Shutterstock

Marengo diz que, neste momento, é impossível cravar a intensidade do fenômeno, pois os modelos de previsão perdem a precisão em períodos acima de dois meses. No entanto, já adianta que, se for de forte a muito forte, pode superar 2024 e levar o Brasil e o mundo a um patamar inédito de calor intenso e prolongado.

Ele ressalta que o El Niño de 2024 não chegou a ser classificado como muito forte, mas teve efeitos devastadores - além do calor, a tragédia do Rio Grande do Sul e a seca recorde da Amazônia, por exemplo _ porque a Terra está mais quente do que nunca nos registros. “Para ser classificada como muito forte a anomalia (na água do Pacífico) teria que superar 2,0°C”, diz a nota do Cemaden.

O El Niño ocorre quando o Pacífico equatorial permanece a pelo menos 0,5°C acima da temperatura média por ao menos três meses. Parece pouco, mas as dimensões do fenômeno são gigantes. Os primeiros sinais são na época do Natal, mas o fenômeno se desenvolve no período de abril a junho e mostra sua força nos meses seguintes, sobretudo de outubro a fevereiro do ano seguinte. O calor será intenso e garantido porque o calor do El Niño se soma ao do planeta mais quente e desmatado.

Os anos de 2015 a 2025 foram o período mais quente já registrado, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Pela primeira vez, o documento inclui uma medida chamada desequilíbrio energético da Terra — a diferença entre a energia que chega do Sol e a que é irradiada de volta para o espaço. Ela está em seu nível mais alto desde o início das observações, em 1960. O desmatamento também aumenta a temperatura ao reduzir a cobertura vegetal que ajuda a proteger o solo do efeito direto dos raios solares e a evitar a perda de umidade.

Marengo diz que o calor é um assassino invisível e silencioso. Quando extremo e prolongado, é um desastre. Nos últimos cinco anos aumentou a área afetada e a frequência de ondas de calor, segundo o climatologista. O ano de 2024 teve dez ondas de calor; 2023, oito e 2025 mesmo sem El Niño foram contabilizadas sete. É o período com maior número de ondas de calor da História do Brasil.

O cientista destaca que as ondas estão cada vez mais comuns e preocupam, sobretudo, porque estão mais longas. Algumas superam dez dias. Porém, o efeito mais pernicioso não é sequer o extremo pontual de temperatura, mas semanas a fio acima da zona de conforto térmico do ser humano, que oscila na faixa dos 23°C. É isso que sobrecarrega o corpo e causa problemas de saúde.

Noites quentes

Um dos principais motivos dos efeitos nocivos é o aumento das temperaturas mínimas. O termômetro passa o dia nas alturas e o corpo não tem descanso à noite porque ele não baixa significativamente, como seria o esperado. As mínimas, segundo Marengo, têm subido mais do que as máximas. Se a pessoa não tem ar condicionado, não descansará, alerta o climatologista. O ar condicionado, para quem pode ter um, é a única forma de aliviar sensação térmica superior a 35°C, como mostram estudos publicados na revista Lancet.

Ventilador vira air-fryer nessas condições. Porém, o ar condicionado faz a conta de energia disparar. Ligar um único aparelho por cerca de 10 horas por dia (parte da noite e das horas mais quentes do dia, normalmente no meio da tarde) pode triplicar a conta, isso com a bandeira tarifária verde.

O custo dos alimentos também sobe porque o calor constante somado a extremos de seca e chuva diminui a produtividade e leva à escassez de produtos, sobretudo, hortifrutigranjeiros. José Marengo ressalta que os invernos estão ficando mais quentes. Mas isso não impede a ocorrência de episódios de frio intenso. O El Niño é desequilíbrio e ele também pode se manifestar com extremos pontuais de frio. Porém, bem menos frequentes do que os de calor.