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Fraude no INSS: nova fase de operação investiga descontos indevidos em aposentadorias

Esquema teria causado prejuízo de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 27 de maio de 2026 às 08:38

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INSS Crédito: Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta quarta-feira (27), mais uma etapa da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema nacional de descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões do INSS.

As apurações apontam que aposentados e pensionistas tiveram valores retirados de seus benefícios sem autorização entre os anos de 2019 e 2024. Segundo os investigadores, o prejuízo estimado pode alcançar R$ 6,3 bilhões.

A nova fase busca aprofundar a investigação sobre três núcleos regionais suspeitos de participação nas fraudes. Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras ações de bloqueio patrimonial. As determinações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Os alvos da operação estão no Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo e Paraíba.

Em Brasília, as associações UNIBAP e ABENPREV aparecem entre os principais focos da investigação. Já em São Paulo, nove mandados são executados contra investigados ligados a quatro associações: Amar, Master Prev, AASP e ANDAPP.

No estado de Pernambuco, a operação também mira servidores e ex-servidores do INSS suspeitos de envolvimento no esquema.

Investigados

Segundo informações da TV Globo, entre os investigados estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, apontados como articuladores ligados à administração de entidades investigadas. Também são citados Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber e Alexandre Caetano, identificados como operadores ou integrantes da estrutura financeira e operacional investigada.

Outros nomes mencionados nas apurações incluem Carlos Henrique da Rocha Gonçalves, Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos, todos ligados, segundo a investigação, à gestão ou ao funcionamento das associações sob suspeita.

A investigação também alcança Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste, que teria ligação com a ABAPEN, além de Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns.

Parte dos investigados já está submetida a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

As fases anteriores da operação já atingiram ex-dirigentes do instituto, empresários e responsáveis por associações e sindicatos investigados pelos descontos irregulares. Políticos também foram alvo de mandados de busca e apreensão, entre eles os deputados Euclydes Pettersen e Gorete Pereira, além do senador Weverton Rocha. Todos negam participação em irregularidades.

Esquema

Segundo a PF, a operação busca esclarecer possíveis crimes contra a administração pública, incluindo organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e dilapidação de bens.

O caso veio à tona em 23 de abril, durante a primeira fase da Operação Sem Desconto. As investigações indicam que entidades realizavam cobranças mensais diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização prévia.

O esquema funcionaria por meio da inclusão indevida de beneficiários como associados de entidades de aposentados. Mesmo sem filiação ou consentimento, os descontos eram efetuados mensalmente nos pagamentos do INSS.

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