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Nordeste terá o maior rio artificial da América Latina: obra de 145 km entra na reta final

Cinturão das Águas deve ser concluído em 2026

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 2 de junho de 2026 às 10:52

Cinturão das Aguas do Ceará
Cinturão das Aguas do Ceará Crédito: Divulgação

Uma das maiores obras de infraestrutura hídrica da América Latina está próxima de se tornar realidade no Nordeste brasileiro. O Cinturão das Águas do Ceará (CAC) já entra em reta final, com projeto que prevê a construção de um rio artificial com 145,3 quilômetros de extensão para ampliar a segurança hídrica em diversas regiões do estado.

A expectativa do governo estadual é concluir a obra em junho de 2026. No fim de 2025, o empreendimento já havia alcançado cerca de 91% de execução física. Quando estiver totalmente operacional, o sistema deverá fortalecer o abastecimento de água para consumo humano, além de atender atividades econômicas como agricultura e pecuária.

O principal objetivo do CAC é distribuir, de forma mais eficiente, as águas transpostas pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco em território cearense. Para isso, a estrutura reúne canais a céu aberto, sifões e túneis projetados para conduzir grandes volumes de água ao longo de centenas de quilômetros.

O Cinturão das Águas do Ceará terá 145,3 quilômetros de extensão quando for concluído por Divulgação

Como funcionará o sistema

O percurso começa na barragem de Jati, no sul do Ceará, ponto conectado ao Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. A partir dali, a água segue por uma extensa rede hidráulica até alcançar as nascentes do Rio Cariús, no município de Nova Olinda, na região do Alto Jaguaribe.

Além de ampliar a distribuição da água transposta, o Trecho 1 do CAC permitirá levar vazões até o Açude Orós, o segundo maior reservatório do Ceará. Também deverá aumentar a eficiência do transporte hídrico em direção ao Açude Castanhão, o maior do estado, enquanto o Ramal do Salgado não é concluído.

Reforço para o Cariri

Entre as áreas mais beneficiadas está a região do Cariri, uma das mais importantes do Ceará em termos populacionais e econômicos. Atualmente, grande parte do abastecimento depende do aquífero Missão Velha, considerado o principal manancial local.

Segundo informações do projeto, esse aquífero já apresenta sinais de esgotamento em razão da exploração contínua. Com a chegada das águas do São Francisco mais próxima dos municípios da bacia do Rio Salgado, a disponibilidade hídrica deverá aumentar para diferentes usos da população e das atividades produtivas.

Outro impacto esperado é o fortalecimento do abastecimento em cidades do Alto Jaguaribe por meio do Programa Malha d’Água. O sistema prevê captar água tratada na região final do Trecho 1, entre Crato e Nova Olinda, e distribuí-la para municípios como Araripe, Campos Sales e Salitre, localidades que enfrentam elevada vulnerabilidade hídrica.

Estrutura do Trecho 1

O primeiro trecho do Cinturão das Águas possui extensão total de 145,3 quilômetros e capacidade máxima de vazão de 30 metros cúbicos por segundo. Todo o percurso funciona por gravidade, dispensando sistemas de bombeamento ao longo do trajeto.

A obra está dividida em cinco lotes. Os lotes 1, 2 e 5 somam 79,5 quilômetros de canais, sifões e túneis e já tiveram suas estruturas principais concluídas, restando apenas serviços complementares, como drenagem, estradas de manutenção e acabamentos.

Já os lotes 3 e 4 seguem em execução. De acordo com relatório do projeto, o lote 3 registrava 40,52% das obras concluídas, enquanto o lote 4 alcançava 15,86% de execução. Ambos permanecem em andamento.

Resposta à seca

O Nordeste convive há décadas com períodos de estiagem prolongada, chuvas irregulares e altas temperaturas. Nesse cenário, o Cinturão das Águas surge como uma das principais apostas do Ceará para ampliar a segurança hídrica e reduzir os impactos da escassez de água.

Ao integrar as águas do Rio São Francisco às principais bacias hidrográficas cearenses, o empreendimento busca garantir maior estabilidade no abastecimento e criar condições para o desenvolvimento econômico de regiões historicamente afetadas pela seca.