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O limite das canetas: o que fazer quando o peso para de cair?

Médico alerta que fármacos e bariátrica devem ser vistos como aliados complementares no combate à obesidade crônica e ao reganho de peso

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 13 de abril de 2026 às 16:03

Canetas emagrecedoras
Canetas emagrecedoras Crédito: Reprodução

A popularização dos análogos de GLP-1, como a semaglutida — princípio ativo do Ozempic, que teve sua patente quebrada no dia 20 de março no Brasil — transformou o debate sobre a obesidade no país, segundo maior mercado de cirurgias de redução de estômago do mundo. No entanto, a busca por resultados rápidos e a falta de informação têm alimentado uma falsa dicotomia: medicamento versus cirurgia. Embora as chamadas “canetas emagrecedoras” sejam ferramentas poderosas no arsenal médico, não são uma solução universal. Há casos em que operar é necessário, afirma o cirurgião bariátrico César De Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília.

Para o especialista, o foco precisa retornar à saúde metabólica e à individualização do cuidado para que o paciente observe melhorias constantes e duradouras, evitando a estagnação e o reganho de peso. “O medicamento atua em receptores específicos, mas a obesidade é uma doença multifatorial e crônica. Com o tempo, a perda de peso pode cessar devido à adaptação do organismo às substâncias desses fármacos. Quando o tratamento clínico atinge seu limite ou o paciente apresenta intolerância aos efeitos colaterais, a cirurgia bariátrica pode ser a solução mais efetiva para a redução de peso sustentada ou remissão de doenças como o diabetes e a hipertensão”, esclarece.

Uso indiscriminado das canetas emagrecedoras tem preocupado especialistas por Reprodução

Desmistificando a bariátrica

Ao contrário do que dita o senso comum, a cirurgia de redução de estômago não é exclusiva para casos de obesidade extrema. De Fazzio considera que as diretrizes médicas evoluíram para focar na saúde metabólica. “Hoje, a indicação leva em conta a presença de doenças associadas, como o diabetes tipo 2, a hipertensão e a apneia do sono. Em muitos casos, a cirurgia é recomendada para pacientes com IMC a partir de 30 (obesidade grau I), desde que haja comorbidades graves que não respondem ao tratamento clínico”, explica.

Outro ponto que afasta muitos pacientes do consultório é o medo de um pós-operatório doloroso ou de riscos elevados. Segundo o médico, o emprego da técnica adequada a cada paciente e o uso de materiais cirúrgicos de alta qualidade elevaram a segurança e deram mais previsibilidade ao procedimento. “Um dos maiores mitos é que a recuperação é lenta e sofrida. Com a técnica correta e a utilização de recursos de ponta, o resultado tende a ser uma redução expressiva da dor no pós-procedimento, menor risco de infecção e um retorno muito mais rápido às atividades cotidianas. Muitos pacientes recebem alta em 24 ou 48 horas", pontua o cirurgião.

De Fazzio reforça ainda que o protocolo de cuidados antes e depois do procedimento é fundamental para o êxito do tratamento. Sob a coordenação contínua do cirurgião bariátrico, o acompanhamento multidisciplinar com nutricionista e psicólogo também faz parte do processo de preparação e de manutenção de bons resultados a longo prazo. “A cirurgia não é um fim, mas um recomeço. Quando bem indicada e executada, ela oferece o suporte necessário para que o corpo se reequilibre, mas o sucesso vem da reeducação do paciente. Orientação é o primeiro passo para que o paciente perca o medo e entenda que a bariátrica pode ser uma ferramenta de longevidade", conclui.