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Plataformas gigantes, 1 bilhão de barris e R$ 60 bilhões: o megaprojeto que quer transformar o Nordeste em polo do petróleo

Ideia é transformar a economia da região

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 28 de abril de 2026 às 10:27

Plataforma de petróleo
Plataforma de petróleo Crédito: Divulgação

A Petrobras aprovou um investimento recorde para explorar o pré-sal na Bacia de Sergipe-Alagoas, marcando uma virada histórica para o Nordeste. O projeto, batizado de Seap, soma mais de R$ 60 bilhões e prevê a instalação de duas grandes plataformas capazes de extrair, ao longo dos anos, mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente.

A decisão final de investimento foi anunciada em 14 de abril de 2026 e abre uma nova frente de exploração offshore fora do eixo tradicional do Sudeste. Até então, regiões como as bacias de Santos e Campos concentravam a maior parte da produção nacional.

Durante décadas, a Bacia de Sergipe-Alagoas foi vista como secundária. Esse cenário começou a mudar após perfurações recentes identificarem reservas relevantes de petróleo leve e gás natural em águas profundas. A descoberta reposicionou a área como uma das mais promissoras do país.

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Capacidade de produção de 240 mil barris por dia

O plano inclui a construção de duas unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSOs), batizadas de P-81 e P-87. Juntas, elas terão capacidade para produzir até 240 mil barris de petróleo por dia e processar cerca de 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A primeira plataforma deve entrar em operação em 2030, seguida pela segunda em etapa posterior.

Cada uma dessas estruturas tem dimensões comparáveis a três campos de futebol e pode ultrapassar 100 mil toneladas quando totalmente carregada. Ao todo, o projeto prevê a perfuração de 32 poços submarinos, além da instalação de um gasoduto de 134 quilômetros - sendo a maior parte no leito marinho - para escoar o gás até a costa sergipana.

O impacto esperado vai além da produção de petróleo. Para estados como Sergipe e Alagoas, historicamente fora do protagonismo na indústria offshore, o projeto representa a possibilidade de um novo ciclo econômico. A cadeia associada à construção e operação deve gerar entre 5 mil e 8 mil empregos diretos, além de milhares de vagas indiretas em áreas como logística e serviços.

O gás natural também surge como peça estratégica. Com a nova infraestrutura, o Nordeste pode ampliar sua oferta energética e reduzir a dependência de importações de gás natural liquefeito, hoje necessário para atender à demanda industrial e das usinas termelétricas.

Hoje, o Brasil já ultrapassa a marca de 4 milhões de barris produzidos por dia e mira chegar a 6 milhões até 2030. Nesse cenário, o pré-sal sergipano ganha relevância como peça-chave. Se as projeções se confirmarem, o Nordeste pode deixar de ser coadjuvante e assumir papel central na indústria petrolífera brasileira.

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Petrobras