PM absolvido pela morte de menino é expulso da corporação

Sindicância realizada pela polícia não julga William de Paula apto a ser PM

Publicado em 12 de janeiro de 2009 às 21:19

- Atualizado há 9 meses

O advogado do PM William de Paula declarou nesta segunda-feira (12) que vai recorrer da decisão da Polícia Militar de expultar o cabo da corporação. Maurício Neville disse acreditar que a polícia foi influenciadas pelas declarações do governador Sérgio Cabral, qeu criticou a absolvição do PM - que foi julgado pelo assassinato do menino João Roberto, em julho de 2008. Neville informou que irá entrar com uma ação declaratória de nulidade absoluta de ato administrativo.

O outro PM envolvido na morte da criança, o soldado Elias Gonçalves, também foi expulso da corporação - ele ainda aguarda julgamento. Em nota oficial, a Polícia Militar informou que os dois passaram por um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que analisou a atuação dos dois no episódio que terminou com a morte de João Roberto. A conclusão foi de que os dois não são capazes de exercer a função de PM.

O crime

O menino João Roberto foi morto aos 3 anos de idade depois que o carro em que estava coma  mãe e o irmão foi atingido por 17 tiros, na Tijuca, durante uma perseguição policial.

Julgado no diz 10 de dezembro, William de Paula foi inocentado da acusação de homicídio culposo e condenado por lesão corporal. Em depoimento, o PM disse que o ocorrido foi uma fatalidade que o conduziu ao erro.

Versão de William de Paula

Segundo o policial, no dia 6 de julho ele estava na Zona Norte quando recebeu um chamado pelo rádio pedindo reforços na rua José Higino. Ele chegou com o soldado Elias, motorista do carro, e ao ver um Fiat stilo preto ultrapassando um sinal de trânsito decidiu segui-lo.

Segundo o PM, os suspeitos atiraram contra o carro da polícia e eles revidaram, começando um tiroteio. Em certa altura, o fuzil do PM falhou e, por isso, os policiais diminuiram a velocidade. Ao trocar de arma, ele viu um carro parado. William disse que desceu de sua viatura e disparou um tiro de advertência contra o veículo. Ele ainda disse que deu um segundo tiro em direção do pneu.

No depoimento, o cabo admitiu que é possível que durante o tiroteio o carro de Alessandra Soares, mãe de João Roberto, tenha sido atingido. Apesar disso, ele salientou que só deu os dois tiros porque considerou que fosse o veículo dos suspeitos que estava perseguindo.

Versão de Alessandra Soares

Em depoimento, a mãe do menino morto, Alessandra Soares, negou que tenha existido uma perseguição. Segundo Alessandra, ela escutou disparos quando se abaixou dentro do carro depois de dar passagem à viatura da polícia. Depois disso, ela percebeu que era o alvo dos policiais.

Rogério Leitão, Relações Públicas da Polícia Militar, declarou ao portal G1 qu e a abordagem não segue as instruções do manual da Corporação. Os policias não deveriam atirar contra um alvo desconhecido, já que não se sabia quem estava dentro do carro. Durante o julgamente, foi exibidio um vídeo da câmera de segurança de um edíficio que mostra os PMs atirando contra o carro de Alessandra.

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