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PM que chutou rosto de mulher em surto foi alertado por colega a ligar câmera

Corporação instaurou inquérito para apurar o caso

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 23 de março de 2026 às 09:48

PM que chutou rosto de mulher em surto foi alertado por colega a ligar câmera
PM que chutou rosto de mulher em surto foi alertado por colega a ligar câmera Crédito: Reprodução

O policial militar Danilo de Oliveira Moura, que foi afastado após ser filmado chutando o rosto de uma mulher, em um prédio em São Vicente, no litoral de São Paulo, foi alertado pela colega que atendia a ocorrência junto com ele a ligar a Câmera Operacional Portátil (COP), durante a abordagem. Um vídeo obtido pelo G1 mostra o diálogo entre os policiais: “Liga essa COP aí”, disse a policial, momentos antes do parceiro chutar a mulher. A PM instaurou um inquérito para apurar o caso.

Os policiais chegaram ao local após os moradores reclamarem de gritos no apartamento da mulher. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou, por meio de nota, que as imagens das câmeras corporais dos policiais estão sendo analisadas. Uma testemunha, que preferiu não se identificar, contou ao G1 que os policiais levaram a mulher para a área da garagem do prédio. Porém, a moradora tentou voltar para a recepção e, ao ser impedida pelo agente, desferiu um tapa nele.

“Foi tão rápido que a gente nem sabe se pegou no pescoço, no rosto ou se ele desviou. Eu sei que foi tão rápido que ele puxou o pescoço para trás e, em seguida, deu um soco em que ela caiu no chão desacordada”, relembrou. No vídeo feito por ela, é possível ouvir a policial pedindo para o parceiro ligar a câmera corporal. “A câmera estava desligada. No vídeo, mostra ela [policial] falando: ‘liga a COP, liga as COPs’. Faz até o barulho das câmeras acionando”, relatou.

Ainda segundo a testemunha, logo depois a vítima retomou a consciência e tentou segurar a perna da policial que estava passando por perto. Nesse momento, o agente desferiu um chute no rosto da mulher. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, ela confirmou que tentou dar um tapa no policial durante a abordagem. A corporação, por sua vez, registrou o caso como 'desacato' e declarou que houve a agressão, levando o agente ao "uso moderado da força".

A vítima informou, à TV Tribuna, que deixou o apartamento e foi até a portaria após as reclamações de barulho. “Moro aqui há quase um ano e nunca tinha acontecido algo semelhante”, disse. Ela contou que faz acompanhamento médico para tratar questões de saúde mental e estava sem tomar o medicamento controlado há um mês. Ela disse que se exaltou após funcionários do prédio passarem a filmá-la durante a conversa com o porteiro.

“Me deixou um pouco exaltada e também estava em surto por falta de medicação. [...] Tinha câmeras do próprio funcionário me filmando, eu falando para ele que não precisava me filmar, porque o prédio todo tem câmeras”, relatou ela. A mulher revelou que, durante a abordagem, tentou dar um tapa no policial, mas não conseguiu atingi-lo. “Se não tivesse sido agredida daquele jeito, não teria desacatado em nenhum momento o policial”. Ela disse ainda que tudo o que fez foi para se defender da situação. “Estava sozinha, não estava oferecendo perigo para ninguém".

Em nota, a corporação informou que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. "As imagens registradas pelas câmeras operacionais portáteis (COPs) dos policiais são analisadas. A instituição repudia excessos, desvios de conduta e ressalta que, constatada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos", complementou.

Já o Condomínio Edifício Santa Sophia informou, por meio de nota assinada pelo advogado Marcelo Furlan da Silva, que recebeu reclamações de moradores sobre barulhos no apartamento da mulher durante três dias. Diante da situação, o porteiro entrou em contato com ela, que teria reagido com gritos e palavras de baixo calão. "Em seguida, dirigiu-se ao hall do edifício, onde, em estado de descontrole, tentou agredir o porteiro e arremessar contra ele um vaso de vidro. Diante da gravidade da situação e para garantir a segurança no local, o porteiro acionou a Polícia Militar", declarou o condomínio.

Ainda segundo o condomínio, com a chegada da guarnição, a moradora manteve o comportamento hostil. "Em determinado momento, partiu para cima de um dos policiais militares e o agrediu com um tapa no rosto. O policial reagiu à agressão e, com a moradora já no chão, ela tentou agarrar as pernas de uma policial feminina que estava ao lado. Nesse instante, ocorreu o chute na moradora por parte do policial militar". Eles informaram ainda que  apuram internamente a dinâmica completa dos acontecimentos e que se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e prestar os esclarecimentos necessários.