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Carol Neves
Publicado em 27 de maio de 2026 às 12:49
A defesa de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, afirmou nesta quarta-feira (27) que o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) não tem qualquer relação com a influenciadora Deolane Bezerra e reagiu com “surpresa e indignação” à nova ordem de prisão preventiva no âmbito da Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Ele está custodiado na Penitenciária Federal de Brasília. >
Segundo o advogado Bruno Ferullo, a investigação que motivou a decisão judicial foi recebida com estranhamento por Marcola, que nega envolvimento com os alvos citados no inquérito.>
“Marcos manifestou surpresa e indignação com o inquérito policial/investigação que motivou a decretação de sua prisão preventiva”, disse a defesa, segundo o portal G1.>
Deolane foi presa e bens foram apreendidos
Ainda de acordo com o advogado, o chefe da facção afirma não conhecer nem Deolane nem Everton, apontado como operador do esquema investigado. Ele também sustenta que a única ligação mencionada por Marcola no caso seria de caráter familiar, envolvendo irmãos e sobrinhos.>
A defesa insiste que ele não tem qualquer participação no esquema de lavagem de dinheiro apurado pelo MP-SP e também nega vínculo com a transportadora citada na investigação. Ferullo afirma que seu cliente rejeita até mesmo o apelido atribuído por investigadores.>
“Ele negou qualquer participação nos fatos investigados, bem como a titularidade, direta ou indireta, da transportadora mencionada na investigação, relatando que tampouco possui o vulgo ‘narigudo’ que lhe é atribuído pela autoridade policial”, afirmou o advogado.>
Marcola também ressaltou, segundo a defesa, que está preso há mais de duas décadas e sob custódia federal desde 2019, em regime de isolamento. “A defesa reitera que a inocência de seu constituinte será comprovada no curso das investigações”, disse Ferullo.>
O advogado informou ainda que apresentou pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em favor de Marcola, da irmã dele e de dois sobrinhos que também são investigados. Até o momento, não há decisão sobre o pedido.>
Operação Vêrnix>
A Operação Vérnix investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC por meio de uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista. Segundo o Ministério Público, a estrutura seria usada para movimentar recursos e ocultar a origem do dinheiro da facção.>
As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro de uma unidade prisional em Presidente Venceslau. O material deu origem a uma série de inquéritos que passaram a detalhar a suposta engrenagem financeira do grupo criminoso.>
Em uma das etapas, os investigadores identificaram a menção a uma “mulher da transportadora”, apontada em anotações como responsável por levantar informações sobre agentes públicos. A partir dessa pista, foi aberta uma nova frente de apuração para identificar a empresa e os envolvidos.>
O avanço das diligências levou a uma transportadora em Presidente Venceslau, posteriormente apontada como empresa de fachada usada para movimentações ilícitas. O caso evoluiu para a Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, que identificou movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada.>
Com a análise do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador do esquema e atualmente foragido, os investigadores encontraram registros de repasses financeiros e movimentações atribuídas à estrutura criminosa. Ele seria responsável por executar ordens e administrar recursos ligados à cúpula da facção.>
Imagens e dados extraídos do aparelho indicam transferências para contas associadas a Deolane Bezerra e a Everton de Souza. Segundo a investigação, os valores teriam origem na transportadora ligada ao grupo criminoso e circulariam por intermediários até chegar a integrantes da facção e familiares.>
O Ministério Público sustenta ainda que a influenciadora mantinha relações pessoais e comerciais com um dos envolvidos na gestão da empresa investigada. A partir desse conjunto de elementos, foi deflagrada a Operação Vérnix.>
Os investigadores apontam que o esquema envolvia empresas de fachada, movimentações milionárias e aquisição de bens de alto valor. Para o MP-SP, a projeção pública e a atividade empresarial formal de alguns dos investigados eram usadas para dar aparência de legalidade às transações.>