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Saiba por que novo modelo de restituição faz com que antecipação de Imposto de Renda seja pouco atrativa

Especialistas alertam para crescimento do assédio de instituições financeiras oferecendo antecipação da restituição e, paralelamente, as tentativas de golpes envolvendo o nome da Receita Federal do Brasil

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 29 de abril de 2026 às 15:15

Estes erros na declaração Imposto de Renda já fizeram muita gente perder a restituição.
Saiba por que novo modelo de restituição faz com que antecipação de Imposto de Renda seja pouco atrativa Crédito: Foto: Adobe Stock

O prazo para entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 2026, ano-calendário 2025, vai até o fim de maio. Com isso, além da preocupação com o correto preenchimento das informações, cresce também o assédio de instituições financeiras oferecendo antecipação da restituição e, paralelamente, as tentativas de golpes envolvendo o nome da Receita Federal do Brasil. Neste ano, porém, a antecipação da restituição tende a ser menos vantajosa.

A Receita Federal definiu um calendário mais enxuto, com apenas quatro lotes de pagamento, entre maio e agosto de 2026. O primeiro lote será pago em 29 de maio, seguido por 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto. A meta do Fisco é quitar até 80% das restituições já nos dois primeiros lotes. 

Prazo final para o envio da declaração encerra em 31 de maio de 2026. por Foto: Reprodução

Com esse encurtamento do calendário, o intervalo entre a entrega da declaração e o recebimento da restituição tende a ser menor para grande parte dos contribuintes. Na prática, isso reduz o tempo de espera e faz com que o custo dos juros da antecipação perca parte do sentido, já que o dinheiro deve entrar em conta em um prazo mais curto. Especialistas alertam que o contribuinte precisa redobrar a atenção, tanto na análise da real necessidade de contratar a antecipação como na proteção de seus dados pessoais.

Especialistas alertam que o contribuinte precisa redobrar a atenção, tanto na análise da real necessidade de contratar a antecipação como na proteção de seus dados pessoais. Vale a pena antecipar a restituição? A antecipação é um serviço oferecido por bancos no qual o contribuinte recebe antes o valor estimado da restituição e, quando a Receita deposita o montante, o banco quita automaticamente o empréstimo, acrescido de juros e IOF. 

As taxas costumam ser mais baixas do que outras linhas de crédito, variando em média entre 1,5% e 2% ao mês, justamente porque o valor a ser restituído funciona como garantia. “Esse é um empréstimo que tem como garantia o valor devido pela Receita Federal de restituição, por isso os juros são mais baixos. Outro ponto importante é que o contribuinte tem que estar atento ao calendário de restituição”, explica Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira, a Abefin.

Com apenas quatro lotes previstos e pagamentos concentrados até agosto, a antecipação deixa de ser tão atrativa quanto em anos em que o calendário se estendia por mais tempo. Em muitos casos, pode ser mais estratégico organizar o orçamento por algumas semanas e aguardar o depósito, evitando a contratação de crédito.

Além disso, o próprio contribuinte pode adotar estratégias para receber antes, sem recorrer à antecipação. “A Receita mantém critérios de prioridade para pagamento, contemplando idosos com 80 anos ou mais, idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiência ou moléstia grave e contribuintes cuja principal fonte de renda seja o magistério. Também ganham prioridade aqueles que utilizarem a declaração pré-preenchida ou optarem por receber a restituição via Pix”, explica Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade.

O pagamento ocorre na data em que a restituição é liberada ou no vencimento previsto em contrato, o que acontecer primeiro. E é aí que mora o risco. “Para pedir a antecipação aos bancos, o contribuinte deve ter certeza de que tudo está correto na declaração. Caso ela apresente problemas e caia na malha fina, ele terá que arcar com o pagamento de mais juros e multas”, alerta Reinaldo Domingos. 

Segundo Richard Domingos, com o avanço dos cruzamentos eletrônicos de dados, cair na malha fina está mais fácil. “Às vezes, a pessoa faz tudo corretamente, mas a fonte pagadora informa algo diferente do que entregou ao colaborador. Isso já pode gerar inconsistência”. Por isso, a recomendação é entregar a declaração o quanto antes. O próprio sistema aponta possíveis inconformidades, aumentando a chance de ajustes prévios e reduzindo riscos.

Com o calendário mais curto em 2026, enviar cedo pode significar receber já nos primeiros lotes, diminuindo ainda mais o intervalo até o crédito em conta. Reinaldo ainda ressalta que a restituição deve ser usada com estratégia. “Todo dinheiro extra deve ser tratado com respeito. O ideal é priorizar a formação de uma reserva estratégica e evitar comprometer esse recurso com consumo imediato”.

Golpes aumentam com a abertura do prazo

Ainda em relação ao Imposto de Renda Pessoa Física, cresce a circulação de mensagens falsas prometendo “liberação imediata da restituição”, “regularização para evitar malha fina” ou “consulta urgente de pendências”. Os criminosos aproveitam o período de entrega da declaração para intensificar tentativas de golpe e capturar dados pessoais dos contribuintes. 

“Mais uma vez os criminosos se aproveitam do desconhecimento e da vontade de receber ganhos extras ou do medo da malha fina como estratégia para captar vítimas. Eles prometem simplicidade e rapidez, mas é uma armadilha”, afirma Richard Domingos. Os golpes costumam chegar por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram, com links maliciosos que instalam vírus ou capturam dados pessoais e bancários. 

“É importante reforçar que a Receita Federal não envia mensagens com links para regularização ou saque de restituição. O caminho correto é acessar os portais oficiais digitando o endereço no navegador, nunca clicando em links recebidos”, alerta Richard. O acesso às informações deve ser feito diretamente pelo portal oficial da Receita, como o e-CAC, por meio de login seguro via Gov.br ou certificado digital. 

Como se proteger

Para evitar cair nesses golpes, é fundamental estar atento aos sinais de fraude e adotar algumas precauções. Richard Domingos oferece as seguintes orientações: 

  • Desconfie de mensagens não solicitadas: Se receber um e-mail, SMS, WhatsApp ou qualquer outra mensagem oferecendo facilidades para obter sua restituição, desconfie imediatamente. A Receita Federal nunca envia links para que você realize qualquer procedimento. Essas mensagens são frequentemente uma tentativa de aplicar golpes.
  • Verifique sempre a origem da informação: Antes de clicar em qualquer link ou fornecer informações pessoais, sempre confirme a autenticidade da comunicação. Acesse o Portal e-CAC ou o site oficial da Receita Federal diretamente, digitando o endereço na barra de navegação, e nunca clicando em links enviados por e-mail ou mensagem.
  • Proteja seus dados pessoais: Nunca compartilhe informações sensíveis, como números de CPF, senhas bancárias ou outros dados pessoais, por meio de mensagens ou sites não confiáveis. A Receita Federal não solicita essas informações por e-mail ou mensagens.
  • Utilize canais oficiais de comunicação: Em caso de dúvidas ou necessidade de realizar alguma consulta sobre sua restituição, sempre use os canais oficiais da Receita Federal. Acesse o site oficial ou ligue para os números de contato divulgados nos canais oficiais.
  • Mantenha o antivírus atualizado: Para proteger seu computador ou dispositivo móvel contra vírus e malwares, é crucial ter um bom antivírus instalado e mantê-lo atualizado. Isso ajudará a detectar e bloquear ameaças ao acessar sites suspeitos ou ao clicar em links maliciosos.

Outro ponto importante é lembrar que a restituição será depositada diretamente na conta bancária informada na declaração. Não existe taxa para “liberar” valores nem necessidade de intermediação de terceiros. Seguindo essas orientações, é possível reduzir significativamente o risco de cair em golpes relacionados à restituição do Imposto de Renda. É importante estar sempre alerta e consciente dos possíveis riscos, para garantir a segurança dos seus dados pessoais e financeiros.