Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Darino Sena: cadê os pratas da casa?

  • Foto do(a) author(a) Darino Sena
  • Darino Sena

Publicado em 11 de novembro de 2014 às 04:23

 - Atualizado há 3 anos

Não é por acaso que Bahia e Vitória se enfrentam hoje numa das semifinais da Copa do Brasil Sub-20. O destaque em competições nacionais reflete o bom trabalho que a dupla tem feito nas categorias inferiores. A garantia de pelo menos um baiano na decisão da Copa não é um fato isolado. Em 2012, o rubro-negro foi campeão do torneio. Em 2011, o tricolor foi vice da Copa São Paulo, a maior competição de base do país. Outro indicativo desse bom trabalho é a presença em seleções brasileiras. Em maio, o Vitória, por exemplo, tinha sete jogadores cedidos à CBF - Welison, Luís Vinícius e Caíque (Brasil Sub-20); Eronildo e Ian (Sub-17); Otávio e Igor (Sub-15).

Diante desse bom desempenho, me perguntei: por que essas revelações são, em geral, tão mal aproveitadas nos times de cima? Por que Bahia e Vitória não valorizam os talentos que garimpam? Pra se ter uma ideia do desprestígio dos pratas-da-casa nos elencos atuais, basta citar um dado - dos 22 titulares que entraram em campo pela dupla BAVI na rodada deste final de semana do Brasileirão, apenas um foi formado nos próprios clubes, o rubro-negro José Welisson.

Fui procurar a resposta com gente que vivencia e conhece a realidade do futebol de base de Bahia e Vitória. Pra escrever essa coluna, consultei colegas jornalistas e ouvi jogadores, técnicos e dirigentes, que estão ou já passaram pelos clubes. Pra preservar a independência da opinião deles, me comprometi a não divulgar nomes.

Os depoimentos são diferentes, mas permitem a mesma conclusão - Bahia e Vitória pecam na transição da base pro profissional. Falta critério pra lançar os garotos e paciência pra esperar o amadurecimento deles. O imediatismo é uma praga que se instala por conta do maior problema do futebol baiano na atualidade - a má gestão.

Em geral, os meninos são promovidos e não têm um acompanhamento físico, técnico e psicológico específico. Esquece-se que eles ainda são jogadores em formação. Fundamentos como chute, passe e cabeceio, além de questões táticas, deixam de ser aprimorados. Mesmo assim, os garotos são cobrados como veteranos por dirigentes e torcedores, apesar de mal preparados. Pronto: estão criadas máquinas de moer talentos precocemente.

"Você nota claramente como os meninos são maltratados no Bahia quando vê eles jogando em outras equipes. Olha a diferença de postura que Talisca tem (no Benfica), tática, física e psicológica. É outro jogador. Mesma coisa é Gabriel (do Flamengo)", constatou uma de minhas fontes. Esse ano Gabriel fez um trabalho especial de fortalecimento e apuro técnico no clube carioca. Ganhou 8 kg e virou o principal jogador do time.

Outro problema é o excesso de autonomia dado aos treinadores dos profissionais. "Pra eles (técnicos) é mais cômodo trazer os jogadores de fora, que eles já conhecem. Os dirigentes embarcam na deles por dois motivos. Falta acreditar no potencial dos garotos daqui e falta também conhecimento pra dizer ´tenho um menino aqui do mesmo nível, é com ele que você vai jogar´. Acabam inchando o elenco com jogadores ruins. Jogam dinheiro no lixo e desvalorizam o próprio patrimônio", me disse outra fonte.

O Bahia contratou 26 jogadores esse ano. Preferiu trazer William Barbio, Henrique e Léo Gago do que acreditar em garotos como Ítalo Melo, Bruno Paulista e Jeam, respectivamente, das mesmas posições. Ano passado, o Vitória insistiu com o meia Renato Cajá, que fez 32 partidas no Brasileirão, marcou apenas dois gols, deu quatro assistências e terminou a temporada no banco.

Enquanto isso, o prata-da-casa Arthur Maia, da mesma posição, foi emprestado.

Para um dos meus entrevistados, o problema é estrutural. "Os cargos de direção são definidos por política e não por questões técnicas. Aqui, quem tem poder, geralmente, não entende de futebol. Na Europa não é assim. O gerente da seleção alemã, campeã do mundo, é Oliver Bierhoff, que foi jogador e se preparou pra ser dirigente. Aqui, pra virar cartola, basta ser amigo do presidente ou conselheiro".

Rever a filosofia de aproveitamento dos pratas-da-casa: mais um dos passos cruciais pro futebol da Bahia voltar a ser respeitado.

* Darino Sena é comentarista da TV Bahia e escreve às terças-feiras