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Quando o Estado vira alvo

Governo do estado precisa garantir total assistência às famílias dos policiais mortos nesta semana

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  • Editorial

Publicado em 17 de abril de 2026 às 05:30

A morte de dois policiais em um intervalo de menos de 12 horas, em Salvador, não é apenas mais um episódio trágico da escalada da violência na Bahia. É um sinal claro e grave de inversão de papéis: quando agentes do Estado passam a ser alvos recorrentes, o que está em jogo não é só a segurança pública, mas a própria autoridade estatal. Afinal, se nem quem deveria proteger está a salvo, o que resta ao cidadão comum?

O investigador Adailton Oliveira Rocha, de 55 anos, foi executado com um tiro na cabeça enquanto cumpria um mandado judicial em Tancredo Neves, justamente ao apurar a reativação de um ponto de tráfico já desarticulado meses antes. Horas depois, o soldado Samuel Novais da Silva, de 32 anos, foi baleado durante uma incursão no Engenho Velho de Brotas e não resistiu. Dois profissionais mortos em serviço, em áreas distintas da cidade, no mesmo dia. Não é coincidência. É sintoma.

As respostas institucionais seguem o roteiro conhecido: notas de pesar, promessas de rigor na apuração e reforço pontual do policiamento. O governador Jerônimo Rodrigues lamenta, como não poderia deixar de ser, mas o problema da Bahia já ultrapassou o campo das declarações. O estado precisa de mais do que solidariedade oficial: precisa de estratégia, presença e resultado.

Os dados reforçam o alerta. Só em 2026, o Instituto Fogo Cruzado já registrou 23 agentes de segurança baleados em Salvador e na Região Metropolitana. Seis foram mortos. Vinte desses casos envolvem policiais militares. Não se trata de episódios isolados, mas de uma sequência que revela desgaste operacional, avanço territorial do crime organizado e fragilidade na capacidade de resposta.

Quando policiais morrem em operação, sobretudo em ações planejadas do próprio Estado, a mensagem que se impõe é dura: o controle não está plenamente nas mãos do poder público.

O impacto desta violência vai além das corporações. Em Tancredo Neves, após a morte do investigador, o transporte público foi suspenso. A rotina da população foi interrompida. Esse efeito colateral é revelador: a criminalidade já não atinge apenas quem está na linha de frente, mas reorganiza a vida urbana, impondo medo e restrições.

Diante desse cenário, o mínimo que se espera é uma mudança de postura. Combate ao crime não se faz apenas com operações reativas, mas sim, como já frisado diversas por este jornal, com inteligência, presença contínua e desarticulação financeira das organizações criminosas. É preciso recuperar território físico e simbólico.

Ao mesmo tempo, há uma dívida imediata e incontornável: o Estado precisa garantir total assistência às famílias dos policiais mortos. Se não foi capaz de proteger seus próprios agentes em serviço, cabe agora assegurar que seus dependentes não sejam abandonados à própria sorte.

A Bahia enfrenta um momento decisivo. Ou retoma o controle com ações concretas e consistentes, ou continuará assistindo à erosão de sua autoridade, enquanto a violência avança, organizada, armada e cada vez mais ousada.