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Entre o normal e o risco: o que mudou na pressão arterial?

A pressão alta é um espelho dos nossos hábitos, das nossas escolhas, do nosso tempo

Publicado em 27 de abril de 2026 às 05:00

Imagem Edicase Brasil
[Edicase]A pressão alta é uma doença silenciosa que precisa de cuidados (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock) Crédito:

A hipertensão não avisa que chegou. Não dói, não incomoda, não limita. Mas, silenciosamente, vai deixando marcas. Nos rins, no coração, no cérebro. O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial é um convite para refletirmos sobre como cuidamos da nossa saúde. Sobre o quanto esperamos os sintomas para agir. E, principalmente, sobre o que ainda podemos evitar.

A nova diretriz brasileira de hipertensão trouxe mudanças importantes. Talvez a mais simbólica tenha sido a ampliação da faixa considerada “pré-hipertensão”, agora entre 120-139/80-89 mmHg. Pessoas que antes se consideravam “normais” passam a receber mais atenção. Não porque estão doentes, mas porque estão mais próximas de ficar. Isso não é rotular. É reconhecer que a hipertensão não surge de um dia para o outro. Ela se constrói ao longo do tempo, alimentada por hábitos, genética, estresse, alimentação, sedentarismo. E que existe um momento em que ainda é possível mudar o curso da história. A diretriz, portanto, não cria mais “doentes”. Ela amplia o campo da prevenção.

Outro ponto é a redução da meta para menos de 130/80 mmHg. À primeira vista, pode parecer um detalhe. Mas não é. É um reposicionamento: não basta tratar, é preciso tratar melhor. Sabemos hoje que níveis mais baixos de pressão, quando alcançados com segurança, estão associados à redução de eventos graves como infarto, AVC e doença renal crônica.

Pela primeira vez, há um capítulo dedicado à mulher. E isso não é trivial. As mulheres têm particularidades importantes ao longo da vida - desde o uso de contraceptivos hormonais até as mudanças da menopausa - que podem influenciar o risco cardiovascular. Trazer essa discussão é uma forma de reconhecer que a medicina precisa ser sensível às diferenças.

Por fim, um ponto que merece destaque: o papel da atenção primária. O Brasil tem milhares de Unidades Básicas de Saúde (UBS). São elas que conhecem o território, as famílias, as histórias. Colocá-las no centro da estratégia de prevenção e diagnóstico precoce da hipertensão é uma decisão acertada da diretriz. Na consulta, na visita domiciliar, nas campanhas de saúde. Quanto mais cedo identificamos alterações, maior a chance de intervir de forma simples - muitas vezes apenas com mudanças de estilo de vida. E isso nos leva a uma última reflexão.

Muitas pessoas encaram a hipertensão como uma doença do “futuro”. A nova diretriz nos convida a mudar esse olhar. A entender que o risco começa antes. Que entre o “normal” e o “doente” existe um espaço valioso de oportunidade.

Talvez o maior desafio não seja tratar a hipertensão, mas convencer as pessoas de que vale a pena cuidar antes dela aparecer. A pressão alta é um espelho dos nossos hábitos, das nossas escolhas, do nosso tempo. E, ao contrário do que parece, temos mais controle sobre ela do que imaginamos. A pergunta é: vamos esperar ela subir, ou vamos agir antes?

José A. Moura Neto é médico e Presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia

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Pressão