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A aposta dobrada de Wagner sobre Rui, a queda nos investimentos de Jerônimo e as mudanças partidárias

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 20 de março de 2026 às 05:00

um vice
Senador Jaques Wagner (PT) Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT) voltou a defender nesta semana a permanência do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) na chapa de Jerônimo Rodrigues (PT) para as eleições deste ano. Com a posição, Wagner dobra a aposta em relação à disputa com o ministro Rui Costa (PT), que não esconde de ninguém seu desejo de tirar Geraldo do posto. Aliás, não apenas de Rui, mas de outros caciques de partidos da base governista, que estão de olho na vice. Segundo se comenta na base, entre caciques petistas, Wagner é hoje um dos únicos (talvez, o único) a defender a permanência de Geraldo.

Procura-se um vice

Por falar nele, Geraldo Jr. pode seguir na chapa unicamente por falta de opção. Nos bastidores, se comenta que diversos nomes já foram sondados para a vice ao lado de Jerônimo, entre políticos com e sem mandato e “outsiders”, mas todos, até o momento, declinaram. Segundo fontes com trânsito no Palácio de Ondina, Jerônimo ainda não desistiu de encontrar um novo nome. Agora, é ver quem vai topar.

Mais receita, menos entrega

A apresentação do balanço do terceiro quadrimestre, que consolida as contas do governo da Bahia em 2025, revelou que, mesmo com o aumento da arrecadação, o volume de investimentos do governo Jerônimo encolheu em relação a anos anteriores. A receita estadual saltou de R$ 71,6 bilhões, em 2022, para R$ 81,8 bilhões em 2025, representando um crescimento de cerca de 14%. Ainda assim, os investimentos caíram de R$ 10,2 bilhões, em 2022, para atuais R$ 7,9 bilhões. Na prática, significa que o atual governo investiu cerca de 22% a menos, mesmo dispondo de mais recursos em caixa. A conta ajuda parcialmente a explicar o fenômeno que virou marca da era Jerônimo, que é produzir menos com mais dinheiro em caixa.

Máquina maior, investimento menor

Por outro lado, quando se observa a composição das despesas, o contraste é ainda maior. Em 2022, os gastos classificados como “outras despesas correntes”, relativos ao custeio da máquina pública, somaram R$ 17,2 bilhões, o equivalente a 24% da despesa total do Estado. Já em 2025, esse mesmo grupo de despesas saltou para R$ 27,2 bilhões, passando a representar 33,4% do total. O avanço expressivo indica que o peso da máquina pública cresceu de forma relevante no período, justamente no momento em que os investimentos encolheram. Ou seja, o Estado passou a gastar mais para se manter funcionando, enquanto reduziu a capacidade de aplicar recursos em obras e ações estruturantes, invertendo uma lógica que costuma ser cobrada como sinal de eficiência na gestão pública.

Alívio de curto prazo

Governistas passaram a usar seletivamente um trecho desse mesmo relatório para minimizar a onda desenfreada de empréstimos tomados pelo governador, que já se aproximam de R$ 27 bilhões. É que a peça da Secretaria da Fazenda (Sefaz) mostra uma retração de 1,49% na dívida pública entre 2024 e 2025. O argumento, porém, desconsidera o fato de que muitas dessas operações de crédito têm prazos de carência para pagamento, o que significa que o impacto dessas dívidas só deve aparecer nos exercícios futuros. O aparente fôlego, na verdade, pode ser menos resultado de ajuste estrutural e mais efeito temporário de contratos cujo custo real ainda está por vir.

Nova casa I

O PDT passou a ser apontado por integrantes da base governista como destino dos deputados estaduais que devem deixar o PP nesta janela eleitoral, que fecha no início de abril. A alternativa pelo ninho pedetista ocorre por falta de opção dos parlamentares, que não desejam seguir na oposição com o partido e querem uma sigla aliada a Jerônimo. Avante e PRD, segundo apurou a coluna, já fecharam as portas, enquanto o PSB tem resistências internas para receber os pepistas, especialmente o deputado Niltinho. Entre os socialistas, a principal insatisfação vem da deputada Fabíola Mansur, que, de acordo com parlamentares, teria suas chances de vitória em outubro reduzidas com o eventual ingresso dos colegas. A questão agora é que o prazo está acabando e a definição está longe de ocorrer.

Nova casa II

O PDT também pode ser o destino do deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP), segundo especulam deputados governistas. À procura de um partido na base governista, o parlamentar tem visto suas opções reduzirem, uma vez que sofreu resistências no PSB e no PSD. A possibilidade de ingresso no Podemos também não vingou.

Afilhado preocupado

Aliado próximo do ministro Rui Costa, o deputado estadual Patrick Lopes (Avante) anda preocupado com a nominata do partido. Com o ingresso de três novos deputados de mandato (Vitor Azevedo, Laerte do Vando e Felipe Duarte), Patrick tem dito a aliados próximos que terá uma eleição difícil e não esconde a insatisfação com a chegada dos novos correligionários. Contudo, há no partido a crença de que o ministro Rui vai dar um empurrãozinho para ajudar o aliado.

Tic tac

Um deputado estadual da base governista foi visto almoçando nesta semana em um restaurante em Pituaçu com cara de poucos amigos. Com gestos que demonstravam impaciência e fala irritada, o parlamentar aproveitava sua refeição entre ligações e mensagens enviadas e recebidas. A preocupação é explicada pelo cenário de incerteza que ele enfrenta, uma vez que não sabe ainda seu destino partidário e é visto como persona non grata por alguns caciques. Vai ser muita agonia até o dia 3 de abril...

Estado de exceção

Não passou despercebido o volume de pagamentos realizados pelo governo da Bahia sob a rubrica de reconhecimento de débito, ou seja, em caráter indenizatório, a dezenas de empresas terceirizadas que prestam serviços à Secretaria de Educação. Apenas na última terça-feira (17), os valores somaram mais de R$ 85 milhões, todos referentes ao mês de fevereiro, como se a operação estivesse sendo mantida sem cobertura contratual regular. A prática, que deveria ser excepcional, suscita questionamentos sobre a ausência de contratos formais para serviços contínuos, o que esvazia a previsibilidade administrativa e deixa a gestão sob improviso mês a mês. Esse aspecto, inclusive, já foi alvo de sucessivas ressalvas do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Suspeição no ar

Também causou estranhamento o fechamento do acesso completo ao sistema de processos do Estado, o SEI, ferramenta de consulta pública que até então permitia acompanhar, em detalhe, a tramitação de contratos, valores e decisões administrativas. Agora, o cidadão consegue visualizar apenas um resumo e a linha do tempo dos processos, sem acesso aos documentos. A mudança afeta diretamente o nível de transparência, sobretudo em projetos de grande porte, como a Ponte Salvador-Itaparica e o VLT de Salvador, cujas movimentações podiam ser acompanhadas pelo sistema. Ao restringir o conteúdo de processos que envolvem recursos públicos, o Estado não só fere a transparência como deixa uma suspeição gigante no ar.

Alba policialesca

Quem circula pelos corredores da Assembleia Legislativa tem notado uma mudança expressiva no ambiente da Casa, na gestão da presidente Ivana Bastos (PSD). E não é boa. Isso porque o local está submetido a um número sem fim de seguranças, cuja abordagem, segundo relatos, nem sempre primam pela cordialidade, submetendo visitantes e até funcionários a um nível de escrutínio quase como uma blitz. A situação tem gerado desconforto entre deputados, que recebem diariamente reclamações de quem frequenta os gabinetes. Para muitos, a “Casa do Povo” passou a operar sob uma lógica de restrição que destoa do próprio papel do Legislativo.