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Pombo Correio
Publicado em 22 de maio de 2026 às 05:30
Lideranças do interior da Bahia começaram a compartilhar, em conversas reservadas, uma desconfiança em relação a obras de pavimentação do governo Jerônimo Rodrigues (PT). O motivo é a quantidade de intervenções que entraram em ritmo de tartaruga ou simplesmente pararam nos últimos meses. Segundo relatos feitos à coluna, o problema estaria acontecendo no momento das medições feitas pela Conder. Fiscais do próprio governo têm apontado supostas irregularidades em etapas executadas pelas empresas, o que impede a liberação dos pagamentos. Sem receber, empreiteiras cruzam os braços. Contudo, conforme estes relatos, os fiscais estariam sendo orientados pelo próprio governo para apontarem irregularidades e, assim, segurar os pagamentos. A questão é que o governo, que já teria uma dívida grande com as empresas, estaria sem dinheiro para custear as intervenções prometidas.>
Consequência>
A situação já começou a produzir desgaste na base aliada. Prefeitos reclamam que continuam ouvindo anúncios de novas obras enquanto intervenções antigas seguem abandonadas no meio do caminho. Para piorar, sobra para eles a cobrança popular. A população pressiona o prefeito, que aperta a empresa, que devolve a bronca dizendo que a Conder não libera os recursos. No fim, tudo vira um jogo de empurra.>
Gabinete paralelo >
Fornecedores e empresas prestadoras de serviço ao governo da Bahia seguem sem enxergar horizonte quanto ao passivo de contratos firmados em 2022. Incrivelmente, muitos deles têm sido chamados a toparem novas obras, o que vem sendo abertamente negado até que o combinado de quatro anos atrás seja honrado. Na Secretaria de Infraestrutura, prefeitos, secretários municipais e empresários se avolumam em busca de respostas concretas, mas ouvem nos bastidores que quem está tentando desatar esse nó é o ex-ministro Rui Costa (PT), que, diga-se, não ocupa cargo oficial algum no governo Jerônimo. Mas opera, segundo se comenta, numa espécie de gabinete paralelo.>
Governador por procuração>
Por falar nele, nos bastidores do CAB, já é consensual que Rui vem reassumindo o comando do governo estadual. A avaliação dentro da própria base é de que o governador Jerônimo Rodrigues perdeu espaço político dentro da própria gestão e acabou cedendo à pressão do antecessor. Segundo relatos feitos à coluna, Rui exigiu ter acesso total às indicações e movimentações de cargos do governo. Jerônimo, pressionado, teria aceitado a imposição para evitar uma crise ainda maior dentro do grupo petista. A movimentação espalhou um clima de pânico principalmente dentro da Secretaria de Relações Institucionais (Serin), comandada por Adolpho Loyola, que teme uma investida sobre as indicações de desafetos de Rui. Sem contar que o próprio Loyola vem, progressivamente, perdendo poder.>
Comício indesejado>
O ex-senador Walter Pinheiro saiu da política, mas a política não sai dele. Mesmo sem ocupar formalmente cargo na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) ou no Sebrae, Pinheiro tem participado de eventos e até discursa. Recentemente, por exemplo, participou recentemente de uma agenda do programa Avança Chapada, em Mucugê, e transformou sua fala em um comício, ao pedir abertamente apoio ao presidente Lula (PT) e Jerônimo. O discurso, claro, gerou incômodo, primeiro pelo fato de o evento ter caráter estritamente institucional e, segundo, porque Pinheiro transformou um ato com Fieb e Sebrae em palanque. Pegou mal.>
As aparências enganam>
Uma pesquisa celebrada por setores ligados ao PT nesta semana acabou provocando um efeito curioso nos bastidores da política baiana. O motivo foi que o levantamento mostra o presidente Lula com 48,6% das intenções de voto na Bahia contra 32,4% de Flávio Bolsonaro (PL). A militância petista correu para divulgar os números como demonstração de força. O problema é que bastou meia dúzia de pessoas fazer uma conta básica para perceber o tamanho do estrago embutido nos dados. Na eleição passada, Lula venceu Bolsonaro na Bahia com mais de 70% dos votos válidos. Agora, aparece abaixo dos 50%. Um observador da política não perdeu a oportunidade: “Se isso aí é motivo pra comemorar, imagine quando vier uma pesquisa ruim de verdade”.>
Quem pariu Matheus que balance>
Após quase ficar de fora da chapa majoritária, o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) voltou a causar ruído na base governista. Desta vez, o motivo foi que o vice teria pedido um apoio maior do governo para turbinar a reeleição do filho, o deputado estadual Matheus Ferreira (MDB). Contudo, segundo interlocutores governistas, Jerônimo já deixou claro que não pretende mover uma palha para beneficiar o deputado. A negativa caiu mal para Geraldo, que esperava mais prestígio dentro do governo depois de permanecer como vice na chapa governista. Mas, no cálculo político de Jerônimo, o emedebista já saiu suficientemente contemplado. >
Cada dia com sua agonia>
Até porque, lembram deputados da base, Jerônimo decidiu evitar mais um foco de desgaste com a bancada governista. Hoje, o governador já enfrenta reclamações internas por conta da pré-candidatura da ex-secretária da Educação Rowenna Brito (PT) à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Ela é apontada como a favorita do governador para a disputa pelo Legislativo baiano. Com isso, Jerônimo não quer ampliar a crise comprando outra briga para favorecer o filho do vice-governador.>
Abigeato no interior>
Tem sido cada vez mais recorrente no interior da Bahia o crime de abigeato, que é o furto de bovinos, levando medo e prejuízo aos produtores rurais. Os criminosos agem geralmente de madrugada, atiram contra os animais, esquartejam as carcaças ainda no campo e escoam a carne para açougues da região, que, mesmo cientes da origem ilícita, recepcionam o material. O crime acende um duplo alerta, de segurança pública e sanitário. Isso porque os animais são abatidos de forma brutal e a carne transportada às pressas, contaminada por fezes, areia e terra. Quem consome esse produto, muitas vezes, não tem a menor ideia do risco que corre.>
Réu confesso>
Depois que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) comprovou tecnicamente as denúncias feitas pela oposição em 2022 sobre irregularidades na celebração e execução de convênios do governo com prefeituras às vésperas daquele processo eleitoral, restou à Conder o recurso de alegar que não houve prejuízo aos cofres públicos, ao mesmo tempo em que, nas entrelinhas, admitiu as falhas apontadas pelos auditores e amplamente denunciadas quatro anos atrás. Ainda assim a prática se repete em 2026 como se nada tivesse acontecido. A diferença é que, desta vez, muitos prefeitos estão vacinados, uma vez que boa parte dos convênios daquela época simplesmente não saiu do papel até hoje.>
Fuja que a pergunta vem aí>
O governador Jerônimo Rodrigues parece ter adquirido o talento peculiar de abandonar entrevistas toda vez que o assunto é indigesto. Em Jacobina, ao ser questionado sobre a precariedade do atendimento de saúde na região, o petista pulou fora sem a menor cerimônia. "Vamos cuidar...", murmurou Jerônimo enquanto caminhava para o avião que o aguardava, deixando o entrevistador sem resposta. Essa não é a primeira vez. Em dezembro de 2024, em Nova Ibiá, no sul do estado, o governador virou as costas e saiu correndo, literalmente, quando foi perguntado sobre a insegurança na zona rural. Pelo visto, a fuga virou a marca que faltava ao governo Jerônimo.>
A radiografia de 20 anos>
O relatório do Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado esta semana, apontou que a Bahia é o sexto pior estado do país para viver. O estado ocupa a 22ª posição entre os 27 no ranking nacional de qualidade de vida, com 58,72 pontos numa escala de 100, bem abaixo da média brasileira de 63,40. O número é a radiografia de duas décadas de PT no poder, cujo saldo é ter o maior contingente de desempregados do país, que tem parcela expressiva da população na extrema pobreza, que carrega o triste título de maior número de analfabetos adultos e ostenta a maior taxa de homicídios do Brasil. Está explicado o sentimento de mudança cada vez maior por todo o estado.>