Atrizes comemoram presença de povos originários na televisão

Episódio Pintadas vai ao ar nesta segunda-feira, após o BBB 23, na Globo, com trama de suspense e fantasia

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  • Da Redação

Publicado em 17 de abril de 2023 às 08:33

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Manoella Mello/tv globo

Na semana do Dia dos Povos Indígenas, que é comemorado nesta quarta-feira (19), a TV Globo exibe hoje (17), logo após o BBB 23, mais um episódio da narrativa Falas da Terra. As protagonistas de Pintadas, que integra a antologia Histórias Impossíveis, são três atrizes estreantes e indígenas: Ellie Makuxi, Dandara Queiroz e Isabela Santana. 

Em Pintadas, as personagens Luara (Makuxi), Josy (Queiroz) e Michele (Santana) se encontram no Mato Grosso do Sul para gravação de um videoclipe de rap na floresta e, quando se veem diante de uma natureza destruída, são impactadas por uma série de acontecimentos fantásticos que as levarão a um mergulho na ancestralidade de seus povos.

Ellie comemora a representatividade que um episódio protagonizado por atrizes indígenas traz para a televisão brasileira."Os povos indígenas existem, e a gente tem voz. Eu espero que o nosso episódio traga essa amplitude. A gente existe e resiste. E eu me sinto muito feliz por poder ser referência para outras meninas e representar o meu povo, que os meus traços também estejam presentes na televisão e várias garotinhas possam me assistir", afirma.Para Dandara, a história será exibida em um momento oportuno. Ela espera que a atração traga mais interesse para as pautas indígenas: "Acho muito importante levar essa pauta. Além da curiosidade, que vai te prender para ver o episódio, são novas perspectivas, linguagem, que têm a ver com a inovação. Me senti como quando a gente senta em volta da fogueira e escuta o cacique contar as histórias, os contos, estamos escutando e aprendendo, desenvolvendo nosso autoconhecimento e tendo acesso a uma sabedoria grande". Isabela Santana espera que as pessoas compreendam a partir do programa que existe uma grande diversidade de povos indígenas, cada um com suas individualidades: "A gente tem mais de 300 povos no Brasil, mais de 250 línguas, e cada indivíduo dentro do povo possui uma história e uma personalidade diferente. Tudo isso compõe essa etnogênese da identidade. É uma oportunidade de mostrar que somos humanos: temos sonhos, amamos, choramos, dançamos, criamos, rimos. Avalio esse momento como uma oportunidade de transformar as nossas narrativas e de causar transformação". Preservação da natureza e violência contra a mulher A antologia Histórias Impossíveis é composta por tramas ficcionais de suspense criadas a partir de medos femininos. A diretora Graciela Guarani revela que o programa vai abordar os abusos cometidos contra as mulheres indígenas. "Este episódio traz um ponto, ainda que sutil em sua abordagem, mas muito pertinente em se discutir. Falar de violências contra a mulher já é algo que a sociedade vem discutindo exaustivamente e com razão, porém, esta discussão foge ou se cala quando os corpos que sofrem estas violências não são corpos brancos. O corpo da mulher indígena vem sendo violado historicamente, por uma herança colonial", afirma a diretora. "Nossas três protagonistas têm praticamente a mesma idade, se uniram em torno de um propósito comum e, no entanto, veem a vida sob uma perspectiva própria. Elas refletem sobre as violências do mundo e sobre as suas próprias dores. Aqui, o fantástico não é vetor do medo, mas de cura", pontua a roteirista Thais Fujinaga.