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Moyses Suzart
Publicado em 9 de maio de 2016 às 07:37
- Atualizado há 3 anos
Caíque, o santo milagreiro. O Vaticano provavelmente não dará a canonização do paredão rubro-negro. Injustamente. Provas não faltam para que o prata da casa ganhe uma auréola e vire motivo de peregrinação e devoção pelas bandas do Barradão. Entre as características para virar santo, Caíque se destaca em uma: virtudes heroicas. No Ba-Vi de ontem, foi o salvador do Vitória na final do Baianão. Apesar dos 18 anos, jogou como gente grande, como goleiro de seleção. Ok, levou um gol de Feijão. Foi o seu primeiro nos três clássicos que disputou na carreira profissional, iniciada este ano. Quando mais se precisou do atleta, ele estava lá. Curiosamente, Caíque teve que jogar os três clássicos do ano após contusões do titular, Fernando Miguel. Dos três, Caíque garante que ontem foi o mais delicado. Ao todo, foram quatro defesas que tiraram o grito de gol do Bahia. Sem contar que, na metade do segundo tempo, sentiu o ombro, mas permaneceu em campo sem titubear. Caíque levou a melhor no duelo contra o atacante Hernane (Foto: Betto Jr./CORREIO)“Senti naquela defesa que fiz no segundo tempo. Foi uma cabeçada de alguém, não lembro. Foi no reflexo! Uma dor miserável, mas o sangue estava tão quente que a dor passou. Passou não, suportei”, lembra, após o título. Dentro de campo, parecia que até seus companheiros de clube estavam confiando demais nele. Ao todo, Caíque recebeu 22 recuos de bola durante todo o jogo de ontem, incluindo alguns na fogueira. No segundo tempo, ele chegou a dar um corte seco em Hernane, após recuo do ‘Judas’ Diego Renan. Caíque recebeu uma bola e ficou marcado por dois atletas do Bahia, mas soube se sair bem. “De fato, recebi algumas bolas assim. Porém, o goleiro também trabalha isto. Cara, é difícil falar de todas as coisas que aconteceram neste jogo. Estou tão na pilha do jogo, naquela adrenalina, que ainda não consegui chorar de emoção. Preciso sentar e respirar um pouco”, disse Caíque, que desabou no gramado da Fonte e suspirou, aliviado. Caíque comemora primeiro título como profissional (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)Porém, a vida do santo Caíque está apenas começando. Depois dos seus milagres no Campeonato Baiano, chegou a hora de testar seus poderes no Brasileirão. Os seis jogos na carreira provaram que o atleta pode ser uma surpresa boa na Série A. Porém, antes disso, Caíque acorda bem cedinho hoje e segue para sua apresentação na Seleção Brasileira Sub-20, onde disputa o torneio de Suwon, na Coreia do Sul, de 18 a 22 de maio. Até lá, o Leão foca em outro santo de luva: Fernando Miguel.>