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Kivia Souza
Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 07:53
- Atualizado há 3 anos
A luta contra a balança foi o que inspirou a advogada baiana Maíra Lobão, 36 anos, a empreender. Depois de emagrecer 67 quilos com dieta e exercícios físicos, ela precisou renovar o guarda-roupas e comprar novos looks. Como costumava divulgar a rotina em seu perfil no Instagram, as roupas novas de Maíra começaram a chamar mais a atenção das seguidoras do que a alimentação balanceada. >
Foi aí que ela percebeu a oportunidade de negócio. A advogada começou representando outras marcas, mas o sucesso foi tão grande que ela decidiu criar as próprias peças, dando origem à marca fitwear que carrega seu nome. Hoje, Maíra deixou de advogar, conquistou espaço nas redes sociais e já manda seus produtos até para fora do Brasil.Maíra Lobão percebeu a oportunidade para empreender usando o Instagram(Foto: Raul Golinelli/ASN Bahia)A empresária disse nunca ter tido dúvidas de que o negócio daria certo, já que a demanda partia de um público específico, mas exigente na hora de consumir. Como ela conviveu com a obesidade durante a prática de atividades físicas, sabia exatamente a importância de oferecer um produto bonito, de qualidade e que, principalmente, coubesse em todas as clientes. As peças que Maíra vende vão do P ao GG e possuem uma modelagem que se adequa a todos os corpos. "Em um mercado em que a facilidade do tamanho único prevalece, quando o empresário se dispõe a tratar seu cliente como único e não a roupa, acho que não tem chances de dar errado", explicou.>
O sucesso da marca veio não só porque Maíra vestiu a camisa. Ela de fato vestiu as leggins. As redes sociais da empresária são atualizadas diariamente, às vezes mais de uma vez, com fotos da rotina dela em roupas da própria marca. E não é só para tirar fotos. Maíra sua o corpo e as roupas em séries pesadas nos treinos. Ela chegou a contratar uma modelo profissional para posar para as fotos, mas os seguidores não aprovaram. "Atendo a tudo o que meu público pede. Eles mandam e eu obedeço. Tentei fazer de um outro jeito, mas eles pediram para eu voltar e cá estou eu de novo. Tomei gosto (risos)", disse a empreendedora, que brinca que quer chegar aos 90 anos modelando e fazendo selfies de legging.>
Assim como a marca, o objetivo de Maíra na academia tem evoluído, mas agora a ambição não está mais só na balança. "Gostaria que meu peso diminuísse mais, porém, hoje meu foco especifico é perder gordura corporal, aliado a uma excelente qualidade de vida. Se eu mantiver meu peso, mas reduzir 10% de gordura corporal estarei muito feliz", explica. Advogada emagreceu 67kg com atividade física e alimentação equilibrada. Agora, Maíra é uma empresária do ramo fitness (Foto: Raul Golinelli/ASN Bahia)Foco no e-commercePlanos de loja física? Que nada. O meio virtual conquistou e ditou a forma como ela lida com a atividade comercial e a clientela. "Meu lado advogada não me deixa nem pensar nisso. Quem sabe um showroom no futuro. Minha pegada é mais virtual mesmo e quando você ama o que faz, nem parece trabalho", revela.>
Maíra trabalhou durante 10 anos para grandes empresas, como montadoras de automóveis e bancos, mas descobriu a empreendedora escondida e deixou a profissão um pouco de lado para se dedicar ao novo negócio, que a enche de orgulho. "O fato de não ter que bater ponto me deixa fazer tudo. Não deixo de malhar, faço questão de pegar minha filha na escola e ainda a coloco pra dormir. Acho que meu dia tem 48 horas. Vou me virando", concluiu.>
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Maíra ainda não passou por uma capacitação, mas é um exemplo de organização e planejamento. Por conta da curiosidade, ela foi em busca de pessoas, como amigos e familiares especializados em administração, para tirar todas as dúvidas e chegar aos bons resultados.>
Uso racional da internetO gerente da Unidade de Acesso a Mercado do Sebrae Bahia, José Nilo Meira, defende que a internet abriu o espaço que antes não existia na economia sólida, onde tudo é pautado em gastos fixos e físicos. Para ele, com a internet, até de casa dá para atingir um grande público. "Você consegue facilmente fazer um canal entre o cliente e o produto", comenta. Renata Santiago e Ellen também apostaram no e-commerce para começar a empreender (Foto: Kivia Souza/CORREIO)Foi o que aconteceu com as duas baianas criadoras da marca de biquínis 3Mares, Renata Santiago e Ellen Melo. Elas apostaram no e-commerce para conquistar os clientes e driblar a crise. A principal aliada das jovens empreendedoras, para começar um negócio, foi a internet. Elas conseguiram empreender, desde a produção até a expedição, usando apenas R$2 mil em investimentos, uma plataforma de e-commerce barata e muita atuação nas redes sociais. Leia a história na íntegra.>
Para Nilo, toda ação na internet precisa estar dentro de uma estratégia maior da empresa. Segundo ele, as redes sociais e a web são ferramentas que têm de estar inseridas no contexto de markerting. "Não pode ser visto como algo isolado. A empresa pode se beneficiar de propaganda espontânea, das redes sociais, ou até mesmo mídias pagas como o AdWords para melhorar o desempenho das campanhas", explica o especialista.>
O gerente do Sebrae também alerta para o cuidado que se deve ter ao fazer divulgações. "É essencial prometer e entregar. Colocar algo que seja útil para o cliente, focar no canal que atinge o seu público. Tudo isso acaba sendo uma grande vantagem para o pequeno e antenado que, até então, não tinha condições de fazer um investimento muito maior", diz.>
Credibilidade e confiançaComo empresária, a maior dificuldade encontrada pelo caminho por Maíra Lobão foi a de atender à demanda. Ela trabalha sozinha, no home office montado em sua casa, criando as peças, organizando o estoque, vendendo, atendendo pelas redes sociais, postando nos Correios e fazendo o pós-venda. "A quantidade das pessoas que me procuram para comprar tem sido mais do que eu posso dar conta em 24h via WhatsApp".>
De acordo com Nilo, é nesse estágio que mora o perigo. "Do que adianta ter o que anunciar, se não tem o produto? Precisa ter esse cuidado, pois não se pode promover, não ter condições de entregar e acabar se queimando. Toda ação precisa ter respaldo do marketing por trás. O que importa é o modelo de negócio bem definido", explicou.>
Por conta disso, Maíra está trabalhando na criação de uma loja online integrada em um portal de saúde e bem-estar. No site, além de comprar roupas, também será possível ficar por dentro de dicas e novidades do mundo fitness.Maíra compartilha diariamente rotina de atividades físicas com as roupas de sua fitwear(Foto: Reprodução/Instagram)"Minha preocupação sempre foi atender com qualidade o meu público e o fato de não conseguir atender todo mundo estava me deixando angustiada. No site, o cliente escolherá a hora da compra, mas sempre poderá contar com minha consultoria", contou a empresária fitness.>
Para quem está pensando em abrir um comércio virtual, a orientação é: um bom estudo. Segundo Nilo, a credibilidade do canal é essencial para que a janela seja uma boa vitrine para o seu negócio. "Optar por algo gratuito, mas que vá sair do ar ou que tenha usuários que não entregam seus produtos podem acabar manchando a reputação de outros clientes. 'Embora seja gratuito, será que esse canal é crível? Tem boa aceitação? Meu público acessa esse tipo de plataforma?'. O gratuito é sempre bom pra o pequeno que está começando e precisa ter o primeiro start no mundo nos negócios" avaliou.>
Atualmente dezenas de plataformas e-commerce oferecem serviços e planos que vão do gratuito até os pagos como Magento, LojaIntegrada, Iluria, Tanlup e Elo7, que possuem layout personalizável e editor de fácil acesso.>
Bahia no topoSegundo pesquisa Nacional do Varejo Online, realizada pelo Sebrae em parceria com o E-commerce Brasil, os baianos já estão preferindo a comodidade de comprar em lojas virtuais. De acordo com os dados, a Bahia é o estado que mais compra online no Nordeste. E o WhatsApp também está transformando a forma como os empresários brasileiros se comunicam com os clientes. Agora, quatro em cada dez donos de e-commerce de pequeno porte usam o aplicativo para atender no pré e pós-venda.>
Entre os negócios que vendem para clientes em lojas virtuais, o índice de uso da WhatsApp como canal de atendimento dobrou no último ano. Passou de 19%, em 2014, para 39% neste ano o número de donos de pequenos negócios do comércio eletrônico que usam a ferramenta.>
Apesar da pesquisa revelar um novo comportamento do vendedor e do consumidor, José Nilo Meira acredita que o corpo a corpo ainda a melhor forma de fidelizar um cliente. "Nada substitui o calor humano, a fala, a aproximação. A impessoalidade de uma mensagem não substitui o tratamento aproximado da pessoa. Colabora e aproxima, mas não substitui um pós-venda bem feito, de falar com o cliente", defendeu.>
DICA DO ESPECIALISTA - Redes sociaisHá negócios que são fortemente vinculados à pessoa, como por exemplo cabeleireiros, consultores, advogados e médicos. Nesses casos a pessoa física e jurídica acabam se confundido e é válido ter um único canal de divulgação. Mas quando não existe esse vínculo é melhor usar uma infraestrutura da empresa e não da pessoa. A empresa não depende da figura do empreendedor. José Nilo Meira, gerente da Unidade de Acesso a Mercado do Sebrae Bahia>