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Carmen Vasconcelos
Publicado em 25 de maio de 2026 às 06:00
Os dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) trouxeram um alerta importante para a economia regional: as mulheres do Nordeste foram as mais afetadas pelo desemprego no final de 2025. >
Na Bahia, esse cenário ganha contornos complexos, onde a busca por colocação e ascensão profissional esbarra em barreiras que vão muito além do currículo técnico.>
Para entender os fatores por trás desses índices e apontar caminhos práticos de superação, o Caderno Empregos e Soluções conversou com a mentora de marcas pessoais Isabella Saes, que analisou o panorama atual e explica como o posicionamento estratégico e a presença digital podem transformar a trajetória das profissionais baianas em 2026.>
De acordo com Isabella, o desemprego feminino no Nordeste evidencia uma desigualdade estrutural histórica. Na Bahia, fatores como a informalidade, a dificuldade de acesso a redes de oportunidade e a sobrecarga com o cuidado da família pesam diretamente na permanência das mulheres no mercado.>
Contudo, a especialista chama a atenção para um obstáculo silencioso: a visibilidade. "Muitas mulheres extremamente capacitadas não conseguem transformar competência em posicionamento. Em mercados competitivos, comunicar valor, construir autoridade e desenvolver networking estratégico são complementos que não aparecem no currículo, mas que são vitais para ganhar espaço", aponta.>
Exclusão >
O reflexo disso aparece no Panorama 2026, que aponta um dado alarmante: apenas 3% das mulheres alcançam cargos de diretoria, enquanto apenas 5% chegam a postos de coordenação. >
Para Isabella, a escassez no topo não reflete falta de competência, mas sim a falta de acesso e a persistência de modelos de liderança antigos e masculinizados."Infelizmente, as mulheres ainda precisam se provar muito mais competentes do que um homem para disputar o mesmo cargo. Por isso, a apresentação dessas competências precisa ser impecável", ressalta.>
Com 54% das mulheres brasileiras atualmente fora do mercado de trabalho, o retorno após um longo período de afastamento — seja pela maternidade ou por questões pessoais — é um dos maiores desafios. A especialista defende que esse hiato não deve ser encarado como desatualização. "Inclusive, experiências como a maternidade e a própria gestão do lar exigem competências altamente valorizadas no ambiente corporativo, como administração de rotina, resolução de conflitos, capacidade de adaptação, liderança, priorização de demandas e gestão de crises", destaca a mentora. >
Para ela, o desafio não está apenas em possuir essas habilidades, mas em saber traduzi-las e comunicá-las de forma estratégica no currículo, nas entrevistas e na presença profissional.>
" Hoje, reposicionamento profissional envolve atualização técnica, presença digital e construção de narrativa. Nós, mulheres, precisamos aprender a comunicar nossa experiência de maneira estratégica, mostrando resultados, competências e capacidade de adaptação, principalmente em um mercado cada vez mais orientado por tecnologia, comportamento e habilidades humanas", diz.>
Desafios do Interior >
Se por um lado o modelo híbrido e o avanço da Inteligência Artificial (IA) trouxeram flexibilidade e automatizaram processos seletivos, por outro, criaram novos filtros. Com as competências técnicas sendo niveladas rapidamente pela tecnologia, o diferencial competitivo migrou para as chamadas soft skills (habilidades comportamentais), como o pensamento crítico, a adaptabilidade e a comunicação autêntica.>
O ambiente remoto também trouxe o desafio da invisibilidade silenciosa. "Muitas profissionais passaram a entregar mais resultados, mas com menos exposição estratégica. A promoção ainda está muito ligada à percepção de presença e influência", alerta Isabella.>
Para as mulheres que residem no interior da Bahia, em cidades como Feira de Santana, Camaçari ou Vitória da Conquista, a tecnologia surge como uma ponte para romper o isolamento geográfico. A receita para expandir as fronteiras profissionais inclui presença ativa no LinkedIn, produzindo conteúdo e interagindo com lideranças de forma consistente. O Networking digital envolve também participar de eventos online e painéis do setor.>
A construção de marca precisa ser multiplataforma e essa profissional precisa estar presente em debates, podcasts e canais que gerem camadas de reconhecimento para além do ambiente físico.>
Como solução para os próximos anos, Isabella Saes é categórica: a virada de chave para o crescimento feminino está na comunicação estratégica e no fortalecimento mútuo. Mulheres que já ocupam cargos de coordenação têm o papel fundamental de atuar como mentoras, impulsionando a base por meio de redes de apoio.>
"Muitas mulheres ainda acreditam que apenas executar bem o trabalho será suficiente para alcançar a liderança. Mas hoje, é fundamental saber comunicar impacto, influência e capacidade de decisão. Precisamos construir uma presença tão sólida que a nossa liderança se torne a escolha óbvia para os cargos estratégicos", conclui.>