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Mães baianas viram CEO, financeira e babá ao mesmo tempo para sustentar a família

Pesquisa mostra que 57% das mães empreendedoras na Bahia dependem exclusivamente do próprio negócio — muitas conciliando boletos, clientes e filhos sem rede de apoio

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 7 de maio de 2026 às 11:12

Há mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil (Imagem: JLco Julia Amaral | Shutterstock)
[Edicase]Há mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil (Imagem: JLco Julia Amaral | Shutterstock) Crédito: Imagem: JLco Julia Amaral | Shutterstock

Se existe uma profissional multitarefa de verdade, ela provavelmente é mãe e empreendedora. Na Bahia, 57% das mães que têm negócio próprio dependem exclusivamente dele para pagar as contas da casa. O dado consta na 3ª edição da pesquisa “Maternidade e Negócios – A força das mães empreendedoras baianas”, do Sebrae. Entre reuniões, filhos, clientes, almoço e boletos, elas seguem fazendo o “milagre da multiplicação do tempo” diariamente.

O estudo mostra que o empreendedorismo feminino avança como alternativa de renda e autonomia, mas também escancara desafios como baixa renda, falta de apoio doméstico e preconceito no mercado.

O levantamento atesta que o empreendedorismo deixou de ser apenas um sonho ou renda extra para muitas mulheres: virou necessidade, já que mais da metade das entrevistadas afirmou que o próprio negócio é hoje sua única fonte de sustento.

Segundo a pesquisa, a sobrecarga também é um fator marcante. Apenas 39% contam com apoio do parceiro nos cuidados com a casa e os filhos por Divulgação

O levantamento mostra ainda que a maioria dessas empreendedoras é formada por mulheres negras (74%), com atuação principalmente nas áreas de serviços (52%) e comércio (34%). Para muitas, abrir o próprio negócio significou a chance de trabalhar com o que gostam e, ao mesmo tempo, tentar encaixar a maternidade na agenda.

Flexibilidade, aliás, aparece como um dos grandes atrativos do empreendedorismo. Na prática, porém, muitas mães acabam acumulando jornadas quase infinitas. Apenas 39% afirmam contar com apoio do parceiro nos cuidados com os filhos e com a casa.

O cenário financeiro também impõe obstáculos: 41% das entrevistadas vivem com renda de até dois salários mínimos. Entre as principais dificuldades relatadas estão acesso a consultorias especializadas, gestão financeira e peso da carga tributária.

Outro dado que chama atenção é o isolamento. Quase 60% das mães empreendedoras não participam de redes de apoio ou grupos de empreendedorismo feminino, o que pode dificultar oportunidades de crescimento e capacitação.

Além disso, quase metade das entrevistadas disse já ter sofrido preconceito por ser mulher e empreendedora — como se administrar negócio, maternidade e vida pessoal ao mesmo tempo ainda não fosse desafio suficiente.

Da sala da mãe para o próprio negócio

A trajetória de Jô Lima ajuda a traduzir os números da pesquisa. Ela começou atendendo clientes na sala da casa da mãe, no bairro de Jardim Cruzeiro, em Salvador, enquanto conciliava a rotina de pedagoga, estudante e mãe.

O que começou como forma de juntar dinheiro para casar acabou virando a principal fonte de renda da família. Mas a maternidade trouxe novos desafios. Com dois filhos pequenos, ela viu o faturamento cair e precisou voltar ao trabalho poucos dias após o parto.

“Eu precisava daquele dinheiro”, relata.

Foi buscando reorganizar a empresa que encontrou apoio em capacitações e consultorias do Sebrae. Hoje, além de tocar o próprio negócio, também atua na formação de outras mulheres empreendedoras.

“Empreender sem apoio pesa mais”

Para a gestora estadual do Sebrae Delas, Valquíria de Pádua, a pesquisa evidencia como muitas mulheres empreendem em condições difíceis.

“São mães que sustentam a família com o próprio negócio, muitas vezes com pouca renda, pouca rede de apoio e acumulando responsabilidades dentro e fora de casa”, afirma.

O levantamento ouviu 475 mães empreendedoras entre os dias 3 e 20 de fevereiro de 2026. A margem de erro é de 5%, com nível de confiança de 95%.

Hoje, à frente do Jô Lima Academy, ela associa o sucesso à autonomia e à qualidade de vida dos filhos. “Eu me considero bem-sucedida pelo que construí e pelo que posso oferecer a eles.” Para outras mães, deixa um conselho direto: “Não espere o momento perfeito. Comece com o que você tem e não desista.”

Tags:

Mãe Empreendedorismo Sebrae