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Mariana Rios
Publicado em 7 de maio de 2026 às 11:12
Se existe uma profissional multitarefa de verdade, ela provavelmente é mãe e empreendedora. Na Bahia, 57% das mães que têm negócio próprio dependem exclusivamente dele para pagar as contas da casa. O dado consta na 3ª edição da pesquisa “Maternidade e Negócios – A força das mães empreendedoras baianas”, do Sebrae. Entre reuniões, filhos, clientes, almoço e boletos, elas seguem fazendo o “milagre da multiplicação do tempo” diariamente. >
O estudo mostra que o empreendedorismo feminino avança como alternativa de renda e autonomia, mas também escancara desafios como baixa renda, falta de apoio doméstico e preconceito no mercado.>
O levantamento atesta que o empreendedorismo deixou de ser apenas um sonho ou renda extra para muitas mulheres: virou necessidade, já que mais da metade das entrevistadas afirmou que o próprio negócio é hoje sua única fonte de sustento.>
Mães baianas viram CEO, financeira e babá ao mesmo tempo para sustentar a família
O levantamento mostra ainda que a maioria dessas empreendedoras é formada por mulheres negras (74%), com atuação principalmente nas áreas de serviços (52%) e comércio (34%). Para muitas, abrir o próprio negócio significou a chance de trabalhar com o que gostam e, ao mesmo tempo, tentar encaixar a maternidade na agenda.>
Flexibilidade, aliás, aparece como um dos grandes atrativos do empreendedorismo. Na prática, porém, muitas mães acabam acumulando jornadas quase infinitas. Apenas 39% afirmam contar com apoio do parceiro nos cuidados com os filhos e com a casa.>
O cenário financeiro também impõe obstáculos: 41% das entrevistadas vivem com renda de até dois salários mínimos. Entre as principais dificuldades relatadas estão acesso a consultorias especializadas, gestão financeira e peso da carga tributária.>
Outro dado que chama atenção é o isolamento. Quase 60% das mães empreendedoras não participam de redes de apoio ou grupos de empreendedorismo feminino, o que pode dificultar oportunidades de crescimento e capacitação.>
Além disso, quase metade das entrevistadas disse já ter sofrido preconceito por ser mulher e empreendedora — como se administrar negócio, maternidade e vida pessoal ao mesmo tempo ainda não fosse desafio suficiente.>
A trajetória de Jô Lima ajuda a traduzir os números da pesquisa. Ela começou atendendo clientes na sala da casa da mãe, no bairro de Jardim Cruzeiro, em Salvador, enquanto conciliava a rotina de pedagoga, estudante e mãe.>
O que começou como forma de juntar dinheiro para casar acabou virando a principal fonte de renda da família. Mas a maternidade trouxe novos desafios. Com dois filhos pequenos, ela viu o faturamento cair e precisou voltar ao trabalho poucos dias após o parto.>
“Eu precisava daquele dinheiro”, relata.>
Foi buscando reorganizar a empresa que encontrou apoio em capacitações e consultorias do Sebrae. Hoje, além de tocar o próprio negócio, também atua na formação de outras mulheres empreendedoras.>
“Empreender sem apoio pesa mais”>
Para a gestora estadual do Sebrae Delas, Valquíria de Pádua, a pesquisa evidencia como muitas mulheres empreendem em condições difíceis.>
“São mães que sustentam a família com o próprio negócio, muitas vezes com pouca renda, pouca rede de apoio e acumulando responsabilidades dentro e fora de casa”, afirma.>
O levantamento ouviu 475 mães empreendedoras entre os dias 3 e 20 de fevereiro de 2026. A margem de erro é de 5%, com nível de confiança de 95%.>
Hoje, à frente do Jô Lima Academy, ela associa o sucesso à autonomia e à qualidade de vida dos filhos. “Eu me considero bem-sucedida pelo que construí e pelo que posso oferecer a eles.” Para outras mães, deixa um conselho direto: “Não espere o momento perfeito. Comece com o que você tem e não desista.”>