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São João e Copa do Mundo aquecem economia baiana

Vendas devem crescer 4% em junho, enquanto o turismo deve se ampliar em 3%, aponta Fecomércio BA

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 25 de maio de 2026 às 16:06

Festas juninas são importantes para economia baiana Crédito: Divulgação

O São João segue como uma das principais datas sazonais para a economia baiana, especialmente para o comércio varejista e as atividades ligadas ao turismo regional. Em 2026, a expectativa da Fecomércio BA é de um crescimento médio de 4% nas vendas dos segmentos mais diretamente relacionados ao período, como supermercados, vestuário, tecidos e armarinho, bebidas e artigos típicos.

Além da força cultural da festa, o calendário deste ano traz um componente adicional de estímulo ao consumo: a realização da Copa do Mundo durante o período junino. A coincidência entre os dois eventos tende a ampliar a circulação de pessoas em bares, restaurantes, casas de eventos e reuniões familiares, favorecendo diferentes segmentos do varejo.

Na Bahia, o São João possui forte capacidade de interiorização do consumo, movimentando centenas de municípios do interior do estado e impulsionando atividades ligadas ao comércio, serviços e turismo regional. O aumento da procura por roupas temáticas, artigos juninos, bebidas e produtos de consumo típico deve sustentar o desempenho positivo do varejo ao longo do mês.

No turismo, a projeção da Fecomércio BA é de crescimento de 3% em relação a junho do ano passado, resultado que deve ser sustentado principalmente pelos deslocamentos regionais característicos do período junino. Diferentemente de outros momentos do ano, junho costuma ser considerado baixa temporada para o turismo nacional de lazer. Na Bahia, contudo, o São João altera essa dinâmica ao impulsionar as viagens para cidades do interior, fortalecendo a movimentação em rodovias, terminais rodoviários, hospedagens e estabelecimentos ligados à alimentação e entretenimento.

Custo de vida

Além da movimentação econômica, a Fecomércio BA também elaborou um acompanhamento dos preços dos produtos e serviços mais relacionados aos festejos juninos na Região Metropolitana de Salvador, utilizando dados do IPCA/IBGE.

A análise mostra que a inflação do São João em 2026 tem sido mais pressionada pelos custos de transporte e serviços do que propriamente pelos alimentos típicos. Entre os itens com maiores altas acumuladas em 12 meses até abril estão a gasolina (+15,14%), a passagem aérea (+9,51%), o ônibus intermunicipal (+9,02%), o etanol (+8,65%) e a hospedagem (+7,96%).

Esse comportamento reflete diretamente o perfil da festa na Bahia, marcado pelo deslocamento de milhares de famílias para cidades do interior durante o período junino. O aumento dos custos de mobilidade acaba impactando de maneira mais significativa o orçamento das famílias neste ano.

Nos alimentos típicos, o cenário é mais equilibrado. O açúcar cristal, amplamente utilizado na produção de doces juninos, acumulou queda de 16,49% em 12 meses. A farinha de mandioca, utilizada em diversos acompanhamentos típicos, também registrou retração de 3,38%.

Por outro lado, produtos ligados ao preparo de pratos tradicionais tiveram alta relevante. A mandioca (aipim), utilizada em bolos e preparações caseiras, apresentou aumento de 11,41%. Já a carne-seca e de sol, comum em receitas consumidas durante o período, acumulou alta de 8,36%.

No grupo de bebidas, os reajustes permaneceram moderados. Refrigerantes e água mineral subiram 2,19%, enquanto a cerveja apresentou alta de 1,44% no acumulado em 12 meses.

A alimentação fora do domicílio segue pressionada, com aumento de 6,21%, refletindo os custos mais elevados de operação dos bares e restaurantes durante o período junino.

De forma consolidada, a cesta de produtos e serviços relacionados ao São João acumulou inflação de 6,64% em 12 meses até abril na Região Metropolitana de Salvador, percentual acima da inflação média geral observada no período.

“Mesmo diante de custos mais elevados em alguns segmentos, nossa expectativa é de um período positivo para a economia estadual, sustentado pela força cultural da festa, pela ampla circulação regional de consumidores e pelo estímulo adicional trazido pela Copa do Mundo”, finaliza o presidente do Sistema Comércio BA -Fecomércio, Sesc e Senac-, Kelsor Fernandes.