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A fruta brasileira que quase ninguém conhece, tem sabor marcante e está voltando aos quintais das casas

Nativa do Brasil, a guabiroba quase sumiu da rotina das cidades, mas voltou a chamar atenção pelo sabor marcante, pela beleza da árvore e pelo potencial nutritivo

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 27 de maio de 2026 às 10:54

Guabiroba aparece madura no pé e volta a despertar interesse em jardins e pomares brasileiros
Guabiroba aparece madura no pé e volta a despertar interesse em jardins e pomares brasileiros Crédito: joao batista Shimoto/Wikimedia Commons

Antes de virar raridade nas cidades grandes, a guabiroba era uma presença conhecida em quintais, sítios e caminhos de terra.

Pequena, amarela e perfumada quando madura, a fruta fazia parte da rotina de quem cresceu perto do Cerrado ou da Mata Atlântica.

Agora, essa espécie nativa do Brasil começa a reaparecer em jardins e pomares domésticos. O movimento tem a ver com o sabor da fruta, com a beleza da árvore e também com uma busca maior por plantas brasileiras que ficaram esquecidas fora do interior.

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Também chamada de gabiroba, gabiraba ou guabirova, ela pertence à mesma família da goiaba, da pitanga e do araçá. Existem diferentes variedades espalhadas pelo país, com frutos pequenos, arredondados e de coloração amarela quando chegam ao ponto de consumo.

Sabor de memória

A guabiroba tem uma polpa suculenta, com sementes no interior e um sabor que mistura doçura com leve acidez. Essa combinação explica seu uso em sucos, geleias, doces, sorvetes, compotas e licores artesanais.

Mesmo assim, muita gente ainda prefere o jeito mais simples: comer direto do pé. Em cidades do interior, a fruta marcou infâncias inteiras, principalmente quando crianças saíam em busca das guabirobas maduras pelos quintais e áreas verdes.

Esse costume, lembrado por muitos como uma espécie de “caça à guabiroba”, ajuda a explicar por que a árvore voltou a despertar interesse.

Para algumas famílias, plantar a espécie em casa não é só uma escolha de jardinagem, mas uma forma de recuperar um pedaço da própria história.

Árvore de quintal

A guabirobeira também chama atenção fora da fruteira. Dependendo da variedade e das condições de cultivo, a árvore pode alcançar entre 10 e 20 metros de altura, formando uma copa cheia e capaz de criar sombra em áreas externas.

Durante a floração, pequenas flores brancas deixam a planta mais delicada e atraem abelhas e outros polinizadores.

Por isso, além de produzir frutos, a espécie também funciona como árvore ornamental para quintais, chácaras e pomares.

Com o interesse crescente por plantas nativas, a guabiroba ganhou uma nova chance.

Ela une beleza, alimento e valor ambiental em um momento em que muita gente tenta aproximar a casa de espécies brasileiras menos comuns nos supermercados.

Potencial nutritivo

A fruta também tem chamado atenção de pesquisadores pelo seu valor nutricional. A guabiroba reúne vitaminas, minerais, carboidratos e compostos antioxidantes importantes para o organismo, com destaque para a presença de vitamina C.

Estudos ainda investigam possíveis propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas associadas ao fruto.

Já folhas e cascas aparecem na medicina popular em chás usados tradicionalmente para desconfortos digestivos e inflamações.

Pesquisas da Universidade do Estado de Santa Catarina também analisaram extratos da guabiroba em estudos com animais ligados à redução do colesterol.

Laranja por Shutterstock

Os resultados indicam um caminho promissor para novas investigações, mas ainda não transformam a planta em tratamento.

Uso com cuidado

Apesar do potencial, a guabiroba deve ser vista primeiro como alimento. Qualquer uso medicinal da fruta, das folhas ou da casca precisa de orientação profissional, principalmente para pessoas que já fazem tratamento de saúde ou usam medicamentos contínuos.

No quintal, a árvore volta a ocupar um espaço que parecia perdido. Entre o sabor ácido e doce, a sombra da copa e a lembrança de colher fruta direto do pé, a guabiroba mostra que algumas espécies brasileiras só precisavam de uma nova oportunidade para serem redescobertas.

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Comida Natureza