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Alvo de piada homofóbica de Bolsonaro, Guaraná Jesus foi criado por ateu e comunista

Empreendedor brigou com padre, foi excomungado e dividia lucros da empresa com funcionários

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  • Da Redação

Publicado em 30 de outubro de 2020 às 18:51

 - Atualizado há um ano

. Crédito: .

O Guaraná Jesus já era famoso no Maranhão, mas agora ficou conhecido nacionaçmente graças à um comentário homofóbico feito por Jair Bolsonaro. O presidente questionou se teria virado “boiola”, após tomar a bebida, que tem cor rosa. 

Mas, além da cor, a história do refrigerante também é inusitada. A bebida foi criada em 1927 pelo farmacêutico maranhense Jesus Norberto Gomes, que era ateu e tinha fama de comunista.

Em reportagem publicada em 2016 pelo "G1", a família do criador contou que a ideia inicial era de que o produto fosse um remédio e a fórmula foi criada num laboratório no quintal da casa onde Jesus morava. O plano não deu certo, mas a mistura de ingredientes resultou num xarope que agradou os netos. A partir daí, a bebida passou a ser comercializada como refrigerante.

Um detalhe irônico desta história é que o criador, apesar de ser chamado Jesus, era ateu e foi até excomungado pela Igreja Católica depois de uma briga com um padre. Jesus ganhou fama de comunista porque distribuía parte dos lucros da farmácia com os funcionários da empresa. O farmacêutico morreu em 1963.

A família vendeu a empresa em 1980 para a antiga Companhia Maranhense de Refrigerante, na época franqueada da Coca-Cola no estado. Em 2001, a marca foi adquirida pela Coca-Cola Brasil e incluída no portfólio da multinacional. O produto passou por uma renovação da identidade visual em 2008. A embalagem atual foi escolhida em votação popular e é inspirada nos azulejos coloniais de São Luís.

Em abril, a coluna do jornalista Lauro Jardim, do GLOBO, revelou que a história por trás do guaraná cor de rosa e de seu inventor vai virar filme. As gravações estão previstas para começar em novembro. O longa com direção de Frederico Machado vai retratar a trajetória de Jesus desde a infância até a criação da bebida. Os direitos foram adquiridos pelas produtoras Desdobro produções, do Maranhão, e Kalstoï, do Rio de Janeiro.

Processo e pedido de desculpas Após a repercussão do caso, o governador do Maranhão, Flávio Dino, criticou a declaração de Bolsonaro e disse que pretende processar o presidente.

"Bolsonaro veio ao Maranhão com sua habitual falta de educação e decoro. Fez piada sem graça com uma de nossas tradicionais marcas empresariais: o guaraná Jesus. E o mais grave: usou dinheiro público para propaganda política. Será processado", escreveu no Twitter.

Na noite de quinta-feira Bolsonaro pediu desculpas pela declaração e argumentou que fez uma "brincadeira".

"Pessoal, fiz uma brincadeira. Se alguém se ofendeu, me desculpa aí, tá certo. O Guaraná Jesus, devido à cor dela, cor-de-rosa", disse durante transmissão ao vivo nas redes sociais, enquanto bebia o produto.