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Aposentado constrói usina hidrelétrica no quintal e usa a força do rio para gerar a própria energia

O projeto opera sem barragens, combustíveis ou sistemas de armazenamento em baterias

  • Foto do(a) author(a) Gabriela Barbosa
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Gabriela Barbosa

  • Agência Correio

Publicado em 29 de maio de 2026 às 11:11

Aposentado constrói usina hidrelétrica no quintal e gera sua própria energia com a força do rio
Aposentado constrói usina hidrelétrica no quintal e gera sua própria energia com a força do rio Crédito: Reprodução/YouTube

Um aposentado canadense transformou o quintal de casa em uma pequena central de geração de energia limpa. O resultado chamou a atenção pela inventividade e criatividade em resolver um problema tão comum nos dias atuais, mas também pela eficiência do sistema instalado às margens de um rio.

Marc Nering desenvolveu a microusina hidrelétrica capaz de produzir até 36 quilowatts-hora por dia na província da Colúmbia Britânica, no Canadá. O projeto opera sem barragens, combustíveis ou sistemas de armazenamento em baterias.

Aposentado constrói usina hidrelétrica no quintal e gera sua própria energia com a força do rio por Reprodução/YouTube

Ao contrário dos sistemas solar e eólico, que dependem das condições climáticas, a estrutura aproveita o fluxo constante do rio Cheakamus para gerar energia praticamente de forma ininterrupta. Isso tornou o modelo ainda mais atraente para quem busca soluções sustentáveis.

Aposentadoria virou ponto de partida

Após deixar a vida profissional, Nering decidiu revisitar antigos manuais de usinas hidrelétricas. Com o auxílio de softwares modernos, ele reformulou conceitos tradicionais e desenvolveu uma roda d’água leve, construída com alumínio e aço carbono.

A estrutura foi instalada sobre uma base de concreto ao lado do rio. De acordo com o projeto, o equipamento é capaz de gerar potência estável entre 800 e 900 watts, com picos que podem chegar a 3 quilowatts em determinados momentos.

Quando há excedente de energia, o sistema injeta eletricidade na rede por meio de um inversor. Assim, a produção doméstica também pode contribuir para o fornecimento local em horários específicos.

Detalhe antigo resolveu problema moderno

Apesar dos resultados atuais, o processo não foi simples. As correias do equipamento escorregavam com frequência quando molhadas, enquanto os rolamentos metálicos apresentavam falhas provocadas pela infiltração da água do rio.

A solução surgiu a partir de uma tecnologia muito mais antiga do que se imaginava. Nering substituiu os componentes metálicos por rolamentos de madeira de guaiaco, fabricados por uma empresa norte-americana especializada.

O resultado surpreendeu até os envolvidos no projeto. Os rolamentos de madeira operam há mais de dois anos sem apresentar desgaste relevante, algo que os componentes de aço não conseguiram atingir.

Rio precisa ter velocidade específica

Para que a geração de energia ocorra de forma eficiente, a água do rio precisa alcançar velocidade mínima de três metros por segundo. Ainda assim, essa é considerada a principal limitação técnica do sistema desenvolvido por Nering.

A roda utiliza um gerador de ímã permanente e gira impulsionada pela energia cinética da correnteza. Ou seja, o projeto dispensa quedas artificiais de água e evita alterações significativas no curso natural do rio.

Essa característica ajudou o canadense a defender a proposta diante de órgãos ambientais e comunidades locais. Afinal, a estrutura não atua como uma barragem convencional e não interrompe o fluxo da água.

Projeto precisou vencer barreiras ambientais

Antes de colocar a microusina em funcionamento, Nering passou por consultas ambientais e negociações com autoridades municipais, provinciais e federais. O objetivo era demonstrar que o sistema não causaria impactos ao ecossistema local.

Uma das principais preocupações envolvia o salmão migratório presente na região. Além disso, praticantes de caiaque também temiam possíveis efeitos na navegação e na dinâmica natural do rio.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o fluxo do Cheakamus permaneceu inalterado. Isso contribuiu para a liberação da operação da estrutura, que agora começa a inspirar novos projetos energéticos em países como Itália e Chile.