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Gabriela Barbosa
Agência Correio
Publicado em 29 de maio de 2026 às 11:11
Um aposentado canadense transformou o quintal de casa em uma pequena central de geração de energia limpa. O resultado chamou a atenção pela inventividade e criatividade em resolver um problema tão comum nos dias atuais, mas também pela eficiência do sistema instalado às margens de um rio. >
Marc Nering desenvolveu a microusina hidrelétrica capaz de produzir até 36 quilowatts-hora por dia na província da Colúmbia Britânica, no Canadá. O projeto opera sem barragens, combustíveis ou sistemas de armazenamento em baterias.>
Aposentado constrói usina hidrelétrica no quintal e gera sua própria energia com a força do rio
Ao contrário dos sistemas solar e eólico, que dependem das condições climáticas, a estrutura aproveita o fluxo constante do rio Cheakamus para gerar energia praticamente de forma ininterrupta. Isso tornou o modelo ainda mais atraente para quem busca soluções sustentáveis.>
Após deixar a vida profissional, Nering decidiu revisitar antigos manuais de usinas hidrelétricas. Com o auxílio de softwares modernos, ele reformulou conceitos tradicionais e desenvolveu uma roda d’água leve, construída com alumínio e aço carbono.>
A estrutura foi instalada sobre uma base de concreto ao lado do rio. De acordo com o projeto, o equipamento é capaz de gerar potência estável entre 800 e 900 watts, com picos que podem chegar a 3 quilowatts em determinados momentos.>
Quando há excedente de energia, o sistema injeta eletricidade na rede por meio de um inversor. Assim, a produção doméstica também pode contribuir para o fornecimento local em horários específicos.>
Apesar dos resultados atuais, o processo não foi simples. As correias do equipamento escorregavam com frequência quando molhadas, enquanto os rolamentos metálicos apresentavam falhas provocadas pela infiltração da água do rio.>
A solução surgiu a partir de uma tecnologia muito mais antiga do que se imaginava. Nering substituiu os componentes metálicos por rolamentos de madeira de guaiaco, fabricados por uma empresa norte-americana especializada.>
O resultado surpreendeu até os envolvidos no projeto. Os rolamentos de madeira operam há mais de dois anos sem apresentar desgaste relevante, algo que os componentes de aço não conseguiram atingir.>
Para que a geração de energia ocorra de forma eficiente, a água do rio precisa alcançar velocidade mínima de três metros por segundo. Ainda assim, essa é considerada a principal limitação técnica do sistema desenvolvido por Nering.>
A roda utiliza um gerador de ímã permanente e gira impulsionada pela energia cinética da correnteza. Ou seja, o projeto dispensa quedas artificiais de água e evita alterações significativas no curso natural do rio.>
Essa característica ajudou o canadense a defender a proposta diante de órgãos ambientais e comunidades locais. Afinal, a estrutura não atua como uma barragem convencional e não interrompe o fluxo da água.>
Antes de colocar a microusina em funcionamento, Nering passou por consultas ambientais e negociações com autoridades municipais, provinciais e federais. O objetivo era demonstrar que o sistema não causaria impactos ao ecossistema local.>
Uma das principais preocupações envolvia o salmão migratório presente na região. Além disso, praticantes de caiaque também temiam possíveis efeitos na navegação e na dinâmica natural do rio.>
Segundo os responsáveis pelo projeto, o fluxo do Cheakamus permaneceu inalterado. Isso contribuiu para a liberação da operação da estrutura, que agora começa a inspirar novos projetos energéticos em países como Itália e Chile.>