Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Bactéria resistente a 28 antibióticos e presa no gelo há 5 mil anos pode 'descongelar' e afetar população mundial

Cientistas estão preocupados

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 20:35

Bactéria
Bactéria Crédito: Shutterstock

Uma bactéria isolada em gelo com cerca de 5 mil anos apresentou resistência a diversos antibióticos modernos e acendeu alerta entre pesquisadores. Batizada de Psychrobacter SC65A.3, a cepa foi encontrada na caverna de Scărișoara, na Romênia, e o estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Microbiology.

De acordo com os cientistas, o avanço do degelo pode liberar microrganismos antigos cujos genes de resistência poderiam ser incorporados por bactérias atuais, agravando o problema global da resistência antimicrobiana.

Cientistas por Shutterstock

A pesquisadora Cristina Purcarea, autora do estudo, destacou o risco potencial. “Poderíamos enfrentar um problema grave se o degelo liberar esses micróbios”, afirmou.

A equipe perfurou um núcleo de gelo com 25 metros de profundidade na chamada Grande Sala da caverna, correspondente a cerca de 13 mil anos de formação. A partir da amostra, foi sequenciado o genoma da cepa, pertencente ao gênero Psychrobacter, conhecido por sobreviver em ambientes extremamente frios.

Os testes indicaram resistência a 28 antibióticos de 10 famílias diferentes, incluindo rifampicina, vancomicina e ciprofloxacina. Também foi a primeira cepa do gênero a apresentar resistência a medicamentos como trimetoprim, clindamicina e metronidazol.

O sequenciamento revelou mais de 100 genes associados à resistência e aproximadamente 600 genes cuja função ainda não foi identificada.

Apesar da preocupação, os pesquisadores apontam potencial biotecnológico na descoberta. A bactéria produziu enzimas e compostos antimicrobianos capazes de inibir o crescimento de algumas superbactérias atuais. Segundo Purcarea, “essas bactérias antigas são essenciais para a ciência e a medicina. Podem inspirar novos antibióticos e enzimas industriais”.

A equipe também identificou 11 genes com possível capacidade de eliminar ou inibir bactérias, fungos e vírus, um dado considerado promissor em meio à crise global de resistência aos antibióticos.