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Cimento vivo é capaz de se automodelar sozinho, mantém estrutura mais firme que o tradicional e reduz milhões de toneladas nas emissões de gás carbônico

Materiais biomineralizados são centro de pesquisa publicada em abril de 2026

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 15 de maio de 2026 às 21:00

Novo material biomineralizado pode ainda auxiliar o meio ambiente ao substituir materiais cimentícios, responsáveis por toneladas de emissões de carbono
Novo material biomineralizado pode ainda auxiliar o meio ambiente ao substituir materiais cimentícios, responsáveis por toneladas de emissões de carbono Crédito: Imagem gerada por IA / ChatGPT

Um novo tipo de material de construção “vivo” pode abrir caminho para construções que conseguem se "construir sozinhas". A tecnologia utiliza microrganismos, como micélios de fungos e bactérias, dentro do próprio material.

estudo, publicado na revista Cell Reports Physical Science em abril de 2026, testou o fungo Neurospora crassa como um andaime biológico. Sobre essa estrutura, os cientistas induziram a formação de um novo material semibiológico capaz de substituir o cimento em alguns casos.

Como funciona esse material?

Ele funciona por meio da chamada biomineralização. Ou seja, em vez dos minerais e reações químicas do cimento, os pesquisadores querem utilizar os organismos vivos para produzir minerais.

Catalisador fresco no início do processo de mineralização por Divulgação / Artigo / Revista Cell Reports Physical Science

Dessa forma, o micélio atua como uma armação natural. Ele forma uma rede de filamentos que pode ser moldada em diferentes formatos. Depois, essa estrutura recebe bactérias capazes de precipitar carbonato de cálcio, preenchendo espaços e endurecendo o material.

No estudo, os cientistas compararam dois caminhos. Um deles usou o próprio fungo para promover a mineralização. O outro combinou o micélio com a bactéria Sporosarcina pasteurii, conhecida por participar de processos de precipitação de carbonato de cálcio.

Segundo os autores, os andaimes de micélio mineralizados por bactérias tiveram maior eficiência de biomineralização e formaram minerais mais rígidos
Segundo os autores, os andaimes de micélio mineralizados por bactérias tiveram maior eficiência de biomineralização e formaram minerais mais rígidos Crédito: Roland Gromes / Wikimedia Commons

Além disso, os microrganismos permaneceram viáveis por pelo menos quatro semanas, mesmo armazenados a 30°C. Esse é um resultado otimista, pois materiais com organismos vivos tendem a ter uma vida útil baixa.

Viabilidade e aplicações atuais

Apesar do potencial, o “cimento vivo” ainda está em fase experimental. A própria divulgação do estudo ressalta que materiais biomineralizados ainda não têm resistência suficiente para substituir o concreto em todas as aplicações.

Os usos mais prováveis, no curto prazo, estariam em peças não estruturais, revestimentos, blocos leves, painéis, isolamentos ou elementos de construção de menor carga. Antes de chegar ao mercado em larga escala, o material ainda precisa passar por testes adicionais.

Diferenciais do cimento tradicional

O ponto mais curioso do estudo é que os pesquisadores não estão apenas tentando criar um concreto “mais verde”. Eles estão tentando aproximar a construção civil de materiais biológicos, que crescem, se organizam e respondem ao ambiente.

Uma das demonstrações usou geometrias internas inspiradas no osso cortical, a parte mais compacta dos ossos. Isso indica que o micélio pode servir não só como ingrediente, mas como uma base para criar estruturas internas complexas, com desenhos que lembram materiais naturais resistentes.

Geometria óssea
Geometria óssea Crédito: RWhitwam / Wikimedia Commons

Além disso, ao mudar os ingredientes utilizados na composição do concreto por organismos vivos, esse material se torna menos poluente. Segundo um levantamento de 2024, a indústria cimentícia foi responsável por cerca de 6 a 7% das emissões de CO₂ mundial.

De acordo com as estimativas, o setor emite, em média, 2,6 a 2,9 bilhões de toneladas de CO₂ por ano
De acordo com as estimativas, o setor emite, em média, 2,6 a 2,9 bilhões de toneladas de CO₂ por ano Crédito: Oprienko / Wikimedia Commons

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Pesquisa Construção Construção Civil Ciência Tecnologia