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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 7 de junho de 2026 às 16:00
Uma expedição científica no Planalto de Lisima, em Angola, encontrou dezenas de espécies possivelmente novas, incluindo uma aranha que brilha sob luz ultravioleta. Levantamento em região pouco estudada mostra como a natureza ainda guarda segredos.>
Uma aranha que brilha em azul sob luz ultravioleta virou o rosto mais chamativo de uma descoberta maior em Angola. No Planalto de Lisima, cientistas registraram dezenas de espécies possivelmente desconhecidas pela ciência, consolidando a localidade como um dos principais hotspots biológicos do planeta.>
Espécies encontradas durante o levantamento
O levantamento foi realizado em fevereiro de 2026 pelo The Wilderness Project, dentro da iniciativa Cassai Life Atlas. A equipe reuniu 16 especialistas africanos e internacionais para mapear a fauna e a flora do Planalto de Lisima.>
Entre os principais achados estão oito espécies de libélulas ainda não descritas, três gafanhotos possivelmente novos e cerca de 60 mariposas e borboletas desconhecidas para a ciência.>
O Planalto de Lisima fica em uma área remota de Angola e funciona como uma caixa d’água natural. Suas águas ajudam a alimentar sistemas fluviais que sustentam ecossistemas e comunidades a milhares de quilômetros dali.>
Essa posição torna a região importante não apenas para animais raros. A conservação de Lisima também envolve rios, solos, florestas, agricultura, pesca, clima local e abastecimento de populações que vivem rio abaixo.>
A bióloga angolana Laurinda Mandela de Fraga, em comunicado do projeto, resumiu a importância do trabalho ao dizer que ele reforça “o orgulho e a responsabilidade de proteger esta área única”.>
Insetos, aranhas, anfíbios e pequenos répteis nem sempre recebem a mesma atenção de mamíferos grandes. No entanto, eles ajudam a revelar a saúde de um ambiente com mais rapidez.>
Libélulas e donzelinhas, por exemplo, costumam indicar a qualidade da água. Quando espécies muito especializadas aparecem em uma região, isso sugere um ecossistema com condições ecológicas particulares.>
No caso de Lisima, os pesquisadores registraram 103 espécies de libélulas e donzelinhas. Desse total, 34 ainda não haviam sido registradas na área, e seis entraram pela primeira vez na lista nacional de Angola.>
O levantamento também encontrou 47 grupos de anfíbios e répteis. Entre eles estavam sapos de áreas úmidas, cobras raras para o país e espécies associadas a pântanos, florestas encharcadas e campos alagáveis.>
A descoberta em Angola se encaixa em uma discussão maior sobre o quanto a humanidade ainda desconhece da própria biodiversidade. Um estudo publicado na PLOS Biology estimou que a Terra pode abrigar cerca de 8,7 milhões de espécies eucarióticas.>
O mesmo estudo aponta que aproximadamente 86% das espécies terrestres ainda aguardam descrição formal. Ou seja: muitas formas de vida podem desaparecer antes mesmo de receber um nome científico ou serem conhecidas pela humanidade.>
O Planalto de Lisima não está isolado das pressões econômicas. Pesquisadores apontam riscos ligados à mineração, ao desmatamento, à extração de madeira, à agricultura de corte e queima e à expansão de assentamentos.>
Essas atividades podem alterar rios, destruir habitats e fragmentar áreas naturais. O problema cresce quando acontece antes de um mapeamento completo da vida local.>