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O refúgio no litoral para quem está cansado de praias lotadas, só dá para chegar de barco e onde é possível nadar com os raros botos-cinza

Com 95% de mata preservada e acesso apenas por barco, a Ilha do Cardoso é o refúgio onde a energia elétrica dá lugar ao ritmo das marés e ao contato direto com botos-cinza

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  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 27 de abril de 2026 às 21:00

Localizada no extremo sul do estado, a Ilha do Cardoso desafia quem busca luxo convencional, mas recompensa com cachoeiras cristalinas e um dos cenários mais intocados do país
Localizada no extremo sul do estado, a Ilha do Cardoso desafia quem busca luxo convencional, mas recompensa com cachoeiras cristalinas e um dos cenários mais intocados do país Crédito: Wikimedia Commons

Localizada no extremo sul do litoral paulista, na divisa com o Paraná, a Ilha do Cardoso é um dos segredos mais bem guardados de São Paulo.

Acessível apenas por barco a partir de Cananéia, a ilha é um distrito que abriga um Parque Estadual fundado em 1962, onde a natureza se mantém praticamente intocada.

Com cerca de 95% de sua área coberta por vegetação original de Mata Atlântica, o destino é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera.

Descubra como visitar a Ilha do Cardoso, um paraíso isolado em Cananéia que une preservação ambiental, gastronomia típica e sossego absoluto por Divulgação/Prefeitura de Cananéia

Um destino para desconectar

Para quem busca luxo convencional, a Ilha do Cardoso pode ser um desafio, mas para os amantes do ecoturismo, é um paraíso.

Não existe luz elétrica distribuída por rede; o abastecimento nas vilas depende de geradores, que costumam ser desligados por volta da meia-noite, ou de painéis de energia solar.

Esse isolamento permitiu a preservação de praias desertas, costões rochosos, manguezais e cachoeiras exuberantes.

A vila do Marujá é o principal núcleo de hospedagem, contando com pousadas rústicas e áreas de camping em quintais de moradores locais. Já o núcleo Perequê abriga a sede administrativa e um Centro de Visitantes com Museu de História Natural.

O que ver e fazer

Um dos maiores atrativos da ilha é a observação de botos-cinza. Na Praia do Pereirinha, é comum ver esses animais nadando próximos aos banhistas.

Para quem gosta de caminhadas, a trilha até as Piscinas Naturais da Laje é imperdível, embora exija preparo físico para percorrer cerca de 10 quilômetros em meio à mata nativa e areia.

Outra parada obrigatória é a Cachoeira Grande, acessível por barco pelo canal, que oferece uma queda d'água cristalina no coração da floresta.

Para quem busca história, a ilha guarda sambaquis (sítios arqueológicos de conchas) milenares e uma réplica do marco de pedra fincado por Martim Afonso de Sousa em 1531, símbolo da posse portuguesa na região.

Cultura viva e gastronomia caiçara

A experiência na ilha vai além da natureza. As sete comunidades caiçaras residentes mantêm tradições seculares, como o fandango, uma dança acompanhada por violas e rabecas.

A culinária é baseada na pesca artesanal do dia: pratos como a caldeirada caiçara, ostras do mangue e o peixe assado na folha de bananeira são servidos em restaurantes comunitários, preservando o sabor local.

Como chegar e melhor época

A melhor época para estar em Ilha do Cardoso é o verão, onde é ideal para banhos de mar, embora seja a estação mais chuvosa. Já no outono, as temperaturas são mais amenas e possui menos movimento, sendo excelente para observar golfinhos.

O acesso é feito apenas por via marítima saindo do porto de Cananéia. Voadeiras levam cerca de 50 minutos, enquanto escunas maiores podem levar até 3 horas.

Dicas e regras

Não esquece do repelente. Devido à abundância de mata e áreas de mangue, o produto se torna um item de primeira necessidade.

Além de ser uma unidade de conservação, o local possui uma regra: o número de visitantes é limitado a 1.200 pessoas por dia e o acampamento selvagem é estritamente proibido.

Mesmo assim, a Ilha do Cardoso prova que ainda é possível encontrar refúgios selvagens a poucas horas da capital paulista, desde que o visitante esteja disposto a trocar o asfalto pelo pé na areia e a pressa pelo ritmo das marés.