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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 31 de maio de 2026 às 04:04
Um trem azul corta a paisagem seca dos Andes argentinos e chega a 4.220 metros de altitude, onde o ar fica rarefeito e o horizonte parece encostar no céu. Este é o Tren a las Nubes, mais conhecido no Brasil como Trem para as Nuvens. >
O passeio fica na província de Salta, no noroeste da Argentina, e tem como ponto mais famoso o Viaduto La Polvorilla. A estrutura de aço mede 224 metros de comprimento e 63 metros de altura sobre um cânion da Puna.>
Lugares mais altos do mundo
A ferrovia faz parte do ramal C-14, uma obra pensada para cruzar os Andes e aproximar a Argentina do Chile. A construção começou no início do século 20 e foi concluída em 1948, depois de décadas de interrupções.>
O engenheiro Richard Fontaine Maury é um dos nomes ligados ao projeto. A solução do traçado evitou o uso de cremalheira, sistema dentado comum em algumas ferrovias de montanha, e apostou em curvas, rampas suaves e manobras de ganho de altitude.>
A experiência completa utiliza ônibus pela Ruta Nacional 51 e trem a partir de San Antonio de los Cobres, uma cidade localizada a mais de 3.700 metros de altitude. O trajeto ferroviário dura cerca de uma hora até o viaduto, onde os passageiros descem para fotos antes do retorno.>
Apesar de a marca de 4.220 metros fazer parte do encanto do passeio, ela também traz as suas próprias complicações. Em altitudes elevadas, há menos pressão de oxigênio, o que pode causar os chamados “males da montanha” em algumas pessoas.>
Uma revisão científica publicada na European Respiratory Review aponta que doenças agudas de altitude podem ocorrer após subidas a partir de 2.500 metros. O Trem para as Nuvens passa bem acima desse patamar.>
Segundo a organização do passeio turístico, o trem conta com assistência médica em estrada e a bordo, além de acompanhamento por veículos 4x4 e plano de contingência.>