Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 26 de maio de 2026 às 04:04
Todos sabemos que a chamada junk food, termo usado para comida ultraprocessada, causa malefícios quando consumida em excesso. Porém, essas consequências podem ser mais duradouras do que alguns quilos na balança, principalmente para o público infantil. >
Um estudo publicado na revista Nature Communications mostrou que dietas ricas em gordura e açúcar, quando consumidas em tenra idade, alteraram de forma duradoura regiões cerebrais ligadas ao apetite.>
Ultraprocessados
Na infância, o corpo ainda está em formação. Isso inclui o cérebro, o intestino e os sistemas que ajudam a regular a fome e a saciedade. A alimentação durante esse período serve como parâmetro de calibração desses sistemas, e o objetivo do estudo era avaliar o dano causado pela junk food.>
No estudo, camundongos jovens receberam uma dieta parecida com o padrão ocidental, rica em gordura e açúcar. Depois, voltaram a uma alimentação considerada normal após envelhecerem um pouco.>
Mesmo com a alteração da dieta, os indivíduos que se alimentavam de forma precária apresentaram marcadores alterados quando comparados aos que não haviam sido alimentados dessa maneira.>
As principais alterações apareceram no hipotálamo, área do cérebro que participa do controle do apetite e do equilíbrio de energia. É uma região que ajuda o corpo a entender quando precisa comer e quando já está satisfeito.>
Cristina Cuesta-Martí
primeira autora do estudo, no material divulgado pela University College Cork.No entanto, o estudo não trouxe apenas notícias ruins; ele apontou algumas possibilidades de solução. Dentre as principais, estavam o uso de uma bactéria benéfica, a Bifidobacterium longum APC1472, e uma combinação de fibras prebióticas.>
Os pesquisadores observaram que os animais tratados apresentaram melhora em sinais ligados à regulação da fome e ao metabolismo. A hipótese é que a bactéria ajudou a restaurar parte do equilíbrio da microbiota intestinal, afetada pela dieta ultraprocessada.>
Já as fibras prebióticas funcionam de outra forma: elas servem como “alimento” para os microrganismos benéficos do intestino. Quando fermentadas, produzem compostos chamados ácidos graxos, associados à redução da inflamação e à melhora da comunicação entre intestino e cérebro.>
Harriet Schellekens
Pesquisadora principal do estudoOu seja, consumo de alimentos ricos em pré e probióticos auxilia na manutenção de uma microbiota saudável. Com uma flora intestinal funcional, os micro-organismos que dela fazem parte auxiliam a regular os marcadores alterados derivados dos "danos" no hipotálamo.>
Uma pesquisa publicada no The BMJ também associou o consumo materno de ultraprocessados durante a criação dos filhos a maior risco de sobrepeso ou obesidade nas crianças.>
O estudo acompanhou dados de quase 20 mil crianças e apontou uma relação entre maior consumo desses produtos pelas mães e risco mais alto de excesso de peso nos filhos. A pesquisa é observacional e, portanto, não prova causa direta.>