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Cidade com pior qualidade de vida do Brasil faz fronteira com dois países e fica perto da maior montanha plana do mundo

Uiramutã ficou na última posição do IPS Brasil 2026, ranking que avaliou todos os municípios brasileiros a partir de indicadores sociais e ambientais

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 26 de maio de 2026 às 04:04

Imagem ilustrativa retrata os desafios de infraestrutura associados a Uiramutã
Imagem ilustrativa retrata os desafios de infraestrutura associados a Uiramutã Crédito: Ilustração gerada por IA

Uiramutã ocupa a pior posição do Brasil em qualidade de vida, segundo a edição 2026 do Índice de Progresso Social. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (20), avaliou os 5.570 municípios do país com base em 57 indicadores sociais e ambientais, revelando um mapa de contrastes profundos entre as regiões brasileiras.

Localizada no extremo norte do país, em área de fronteira com Venezuela e Guiana, a cidade aparece na última colocação do ranking, seguida por Jacareacanga (PA), Alto Alegre (RR), Portel (PA) e Amajari (RR). O resultado coloca o município como o caso mais crítico entre todos os avaliados pelo IPS Brasil 2026.

Mirante La Ventana mostra a dimensão das formações rochosas que marcam a paisagem do Monte Roraima por Mauricio Campello/Wikimedia Commons

Segundo o IBGE, Uiramutã tinha 13.751 moradores no Censo de 2022. A cidade também tem baixa densidade demográfica e forte presença indígena: 96,6% da população se autodeclarou indígena, a maior proporção registrada no país.

O que o ranking mede

O IPS Brasil não analisa apenas dinheiro, renda ou tamanho da economia local. A proposta do índice é medir se a população tem acesso a condições concretas de vida, como saúde, educação, infraestrutura, segurança, bem-estar, oportunidades e qualidade ambiental.

Para chegar ao resultado, o estudo usa dados públicos de bases como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas. Esses indicadores são reunidos em uma pontuação de 0 a 100, o que permite comparar realidades muito diferentes dentro do mesmo país.

No caso de Uiramutã, a nota foi de 42,44 pontos, a menor do ranking nacional. Jacareacanga aparece logo depois, com 44,32, enquanto Alto Alegre recebeu 44,72 pontos.

Por que o resultado chama atenção

Mais do que a posição no ranking, Uiramutã chama atenção pelo conjunto de desafios que aparecem por trás dos números. O município tem população pequena, território extenso, baixa densidade e localização distante dos principais centros urbanos.

Esse tipo de realidade costuma dificultar a chegada de serviços públicos, a circulação de profissionais e a manutenção de estruturas básicas. Na prática, saúde, educação, saneamento, conectividade e acesso a oportunidades acabam pesando diretamente na qualidade de vida dos moradores.

O próprio IPS Brasil aponta que os municípios com piores desempenhos tendem a ter baixa densidade demográfica e maior distância dos grandes centros urbanos. O levantamento também destaca que as piores notas estão concentradas principalmente na região Norte.

Norte domina a parte de baixo

Entre os 20 municípios com pior desempenho, a maioria está na região Norte. O Pará concentra boa parte da lista, com cidades como Portel, Pacajá, Anapu, Uruará, Trairão, BannacH. Além de exemplos como São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Oeiras do Pará e Anajás.

Roraima também aparece com força entre os piores colocados. Três dos cinco últimos municípios do ranking ficam no estado: Uiramutã, Alto Alegre e Amajari. A lista ainda inclui cidades do Acre, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Esse recorte reforça uma das principais conclusões do estudo: a desigualdade territorial ainda separa de forma profunda as condições de vida no Brasil. Enquanto algumas cidades avançam em indicadores sociais, outras seguem presas a gargalos estruturais antigos.

Tags:

Turismo