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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 16 de abril de 2026 às 21:00
De longe, o visual impecável: cabelos escovados, maquiagem e roupas cor-de-rosa. Apelidada por internautas de "Sabrina Carpenter da NASA", a Clary do Ó chamou a atenção nas redes sociais por quebrar diversas barreiras. >
Conhecida também como "Dr. Clary", a brasileira de 28 anos é hoje uma das mentes por trás dos novos telescópios da NASA e uma voz potente na democratização da ciência para meninas.>
Dra. Clary, a "Sabrina Carpenter" da NASA
Natural de São Paulo, a trajetória de Clary até os corredores do Jet Propulsion Laboratory (JPL) começou com uma mistura de curiosidade e determinação. >
Embora tenha nascido nos Estados Unidos e retornado ao Brasil ainda bebê, foi na capital paulista que a paixão pelo espaço nasceu, alimentada por visitas a planetários.>
A virada de chave aconteceu em 2016, quando Clary descobriu que a astrofísica era uma carreira viável durante um intercâmbio. >
Mesmo aprovada em Física na USP, ela optou pelo rigor acadêmico da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB). >
A mudança teve o apoio incondicional dos pais — uma dermatologista e um engenheiro que abriu mão do próprio sonho de ser astrofísico para investir no futuro da filha.>
O sucesso de Clary na NASA não veio por acaso. Ainda na graduação, ela entendeu que precisava de experiência prática e conseguiu uma bolsa para pesquisar a imagem direta de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar). >
O desempenho garantiu um estágio no JPL, onde ela viu de perto a construção do rover Perseverance, atualmente em Marte.>
Após concluir um doutorado exaustivo durante a pandemia na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) — onde chegava a estudar 12 horas por dia —, Clary iniciou seu pós-doutorado na prestigiada Caltech em 2025. >
Atualmente, seu trabalho foca em instrumentos como o Nancy Grace Roman Space Telescope e o design do Habitable Worlds Observatory, previsto para a década de 2040. >
Ela utiliza tecnologias como o coronógrafo, que bloqueia a luz de estrelas para permitir a visualização de objetos próximos.>
Com o seu novo apelido dado pelos internautas, Clary usa sua visibilidade para provar que a competência científica não depende de um guarda-roupa austero. >
No início da carreira, ela tentou se encaixar no estereótipo "nerd", usando roupas discretas e cabelos curtos, por medo de não ser levada a sério em um ambiente majoritariamente masculino.>
"Quando eu decidi que queria fazer astrofísica, achei que nunca poderia me vestir assim", revela. >
A mudança veio com a maturidade acadêmica. Ao assumir seu estilo ultra-feminino, Clary percebeu que o que importa na NASA é a capacidade de resolver problemas e a consistência na entrega, não a aparência externa.>
Hoje, ela encara sua presença digital como uma responsabilidade. Ao compartilhar sua rotina entre telescópios e looks cor-de-rosa, a cientista brasileira serve de espelho para uma nova geração de mulheres que desejam ocupar espaços na ciência sem abrir mão de sua identidade. >
Para a Dra. Clary, ser um "pontinho rosa" no meio do espaço é, acima de tudo, um ato de representatividade.>