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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 26 de maio de 2026 às 08:08
Em meio às tensões internacionais e pressões econômicas, as nações estão sempre atrás de novas rotas marítimas para escoar suas embarcações, sejam de guerra ou negócios. Uma dessas novas passagens começa a chamar a atenção: o Canal de Istambul. >
Projeto conduzido pela Turquia é visto como uma obra estratégica pelo governo turco e prevê diminuir a pressão sobre o estreito de Bósforo. Atualmente, apenas este segundo caminho permite a transição entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo, rota necessária para diversas nações do Leste Europeu, como a Ucrânia e a Rússia.>
Principais canais e estreitos do mundo
O canal foi planejado para ter cerca de 45 quilômetros de extensão, com largura mínima de 275 metros e profundidade de 20,75 metros. O novo caminho seria uma rota paralela ao Bósforo, uma das passagens marítimas mais movimentadas do mundo.>
O governo turco afirma que a nova rota pode reduzir riscos de acidentes, especialmente com navios que transportam combustíveis e substâncias perigosas. Também defende que a obra pode tornar o tráfego marítimo mais seguro.>
Rotas marítimas funcionam como artérias da economia global. Quando um estreito está congestionado ou obstruído, cria-se uma reação em cascata: os custos logísticos aumentam, entregas demoram para serem efetivadas, cadeias de suprimento por todo o mundo ficam defasadas e os custos sobem para o consumidor.>
O Canal de Istambul enfrenta críticas ambientais. Pesquisadores apontam que grandes obras pré-existentes no norte de Istambul já pressionam florestas, corredores ecológicos e áreas de conexão entre habitats.>
Um estudo publicado no Journal for Nature Conservation avaliou megaprojetos na região e indicou perda de conectividade na paisagem das Florestas do Norte de Istambul. O trabalho inclui o canal entre os empreendimentos que podem ampliar essa fragmentação.>
O Mar Negro tem água menos salgada por receber rios da Europa Oriental. Já o mar de Mármara é mais salgado por influência do Mediterrâneo. Hoje, o Bósforo mantém uma troca natural entre esses dois sistemas.>
A abertura do Canal de Istambul pode alterar esse equilíbrio. Especialistas apontam risco de mudanças nas correntes, na oxigenação e na composição da água, o que afetaria peixes, plânctons e outras espécies marinhas.>
Outro temor envolve o abastecimento de Istambul. Ambientalistas dizem que a obra pode aumentar o risco de salinização em reservatórios de água doce próximos ao trajeto, elevando custos ambientais e urbanos no futuro.>