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Turquia está construindo atalho bilionário para escoar bilhões de dólares pelo mar em meio à crise no Estreito de Ormuz

Projeto turco prevê a criação de uma nova rota marítima que cruze uma porção de terra continental

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 26 de maio de 2026 às 08:08

Proposta prevê desafogar rotas congestionadas, como o Estreito de Bósforo
Proposta prevê desafogar rotas congestionadas, como o Estreito de Bósforo Crédito: Slyronit / Wikimedia Commons

Em meio às tensões internacionais e pressões econômicas, as nações estão sempre atrás de novas rotas marítimas para escoar suas embarcações, sejam de guerra ou negócios. Uma dessas novas passagens começa a chamar a atenção: o Canal de Istambul.

Projeto conduzido pela Turquia é visto como uma obra estratégica pelo governo turco e prevê diminuir a pressão sobre o estreito de Bósforo. Atualmente, apenas este segundo caminho permite a transição entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo, rota necessária para diversas nações do Leste Europeu, como a Ucrânia e a Rússia.

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O que é o Canal de Istambul?

O canal foi planejado para ter cerca de 45 quilômetros de extensão, com largura mínima de 275 metros e profundidade de 20,75 metros. O novo caminho seria uma rota paralela ao Bósforo, uma das passagens marítimas mais movimentadas do mundo.

Hoje, o Bósforo liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e corta Istambul, uma cidade histórica que fica entre dois continentes: a Europa e a Ásia
Hoje, o Bósforo liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e corta Istambul, uma cidade histórica que fica entre dois continentes: a Europa e a Ásia Crédito: Astronaut photograph ISS008-E-21752 / Wikimedia Commons

O governo turco afirma que a nova rota pode reduzir riscos de acidentes, especialmente com navios que transportam combustíveis e substâncias perigosas. Também defende que a obra pode tornar o tráfego marítimo mais seguro.

Projeção dos trechos que ainda precisariam ser construidos do Canal de Istambul
Projeção dos trechos que ainda precisariam ser construidos do Canal de Istambul Crédito: Randam / Wikimedia Commons / Traduzido

Importância das rotas

Rotas marítimas funcionam como artérias da economia global. Quando um estreito está congestionado ou obstruído, cria-se uma reação em cascata: os custos logísticos aumentam, entregas demoram para serem efetivadas, cadeias de suprimento por todo o mundo ficam defasadas e os custos sobem para o consumidor.

Um dos principais exemplos está nas tensões no Estreito de Hormuz. Assolado pelo conflito entre Irã e EUA, sua obstrução está afetando todo o setor petroleiro mundial
Um dos principais exemplos está nas tensões no Estreito de Hormuz. Assolado pelo conflito entre Irã e EUA, sua obstrução está afetando todo o setor petroleiro mundial Crédito: Mass Communicatin Specialist 3rd/U.S. Navy Photo

Outro lado da obra

O Canal de Istambul enfrenta críticas ambientais. Pesquisadores apontam que grandes obras pré-existentes no norte de Istambul já pressionam florestas, corredores ecológicos e áreas de conexão entre habitats.

Um estudo publicado no Journal for Nature Conservation avaliou megaprojetos na região e indicou perda de conectividade na paisagem das Florestas do Norte de Istambul. O trabalho inclui o canal entre os empreendimentos que podem ampliar essa fragmentação.

Os corredores naturais são responsáveis pelo fluxo de espécies entre as regiões silvestres, essenciais para a troca genética e manutenção dos ecossistemas
Os corredores naturais são responsáveis pelo fluxo de espécies entre as regiões silvestres, essenciais para a troca genética e manutenção dos ecossistemas Crédito: L. Shyamal / Wikimedia Commons

Mudança nas águas

O Mar Negro tem água menos salgada por receber rios da Europa Oriental. Já o mar de Mármara é mais salgado por influência do Mediterrâneo. Hoje, o Bósforo mantém uma troca natural entre esses dois sistemas.

A abertura do Canal de Istambul pode alterar esse equilíbrio. Especialistas apontam risco de mudanças nas correntes, na oxigenação e na composição da água, o que afetaria peixes, plânctons e outras espécies marinhas.

Outro temor envolve o abastecimento de Istambul. Ambientalistas dizem que a obra pode aumentar o risco de salinização em reservatórios de água doce próximos ao trajeto, elevando custos ambientais e urbanos no futuro.

Tags:

Comércio Europa