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Roberto Midlej
Publicado em 30 de março de 2024 às 10:43
O escritor baiano Marcus Vinícius Rodrigues cresceu num ambiente viril, numa casa majoritariamente habitada por homens. Para ele, ao contrário do que ocorria com os amigos, era natural circular entre revistas eróticas adquiridas pelo próprio pai, que as deixava ao acesso dos filhos. >
Mas quem lê o conto Deriva, assinado por Marcus na coletânea de contos eróticos Eros - Sobre os Abismos (P55/ R$ 40/ 83 págs.), talvez se surpreenda com a linguagem que usa, que pode ser considerada "comportada", quando comparada aos textos dos outros autores do livro. "Não falo palavrão", sentencia o escritor, que, num outro livro, não se sentiu à vontade sequer para usar a palavra "clitóris" quando se referia ao órgão sexual feminino.>
Além de Marcus - que é também o organizador de Eros -, estão no livro outros seis autores: Clarissa Macedo, Dênisson Padilha Filho, Kátia Borges, Rita Santana, Suênio Campos de Lucena e Victor Mascarenhas. Os sete contos têm o sexo como tema central e se passam em Salvador.>
Dos sete, apenas o de Kátia Borges não se passa em espaço urbano. "Pedi aos autores que as histórias se passassem em cidades porque a gente está vivendo um momento em que a literatura urbana ficou de lado. Ela era hegemônica nos anos 1990, mas hoje é o contrário e vivemos uma hegemonia não urbana", diz o organizador.>
O conto de Marcus Vinícius fala de um jovem, Juliano, que está na descoberta de sua sexualidade e, numa visita ao Mosteiro de São Bento, se sente excitado ao ver uma escultura chamada "São Pedro Arrependido". "Cada músculo rigorosamente desenhado e definido", detalha o narrador.>
Marcus diz que buscou a diversidade e, por isso, reuniu "escritores diferentes em suas literaturas" para falar sobre o mesmo tema. "As paixões humanas são retratadas com os olhares diversos de mulheres, homens, héteros e homos, com um erotismo franco, sem pudores, em que o desejo é vivido com urgência, mesmo que seja nas ruas", revela o texto na contracapa do livro.>
Rita Santana, autora de A Mulher e o Tigre, diz que vê sedução em Salvador e numa região especial da Cidade Baixa: "O conto passeia pela Ribeira. Eu sempre achei a Ribeira sedutora. Eu amo a Ribeira e sinto que é Salvador. É como se fosse o nascimento da cidade e o erotismo é o sorvete; o sorvete é erótico. Aquelas lambidas no sorvete estando ao lado de alguém...", disse a autora numa live sobre o livro, no canal da Academia de Letras da Bahia, no YouTube.>
À venda no site da editora P55. R$ 40>
Por que a música pop é cada vez mais genérica: uma explicação>
Dia desses, me deparei com um vídeo no Youtube cuja capinha mostrava uma escala musical com a mensagem "É Tudo a Mesma M...". À primeira vista, me desinteressei, especialmente por causa do título apelativo. Mas, ao lado daquela imagem, estava a pergunta "Por que a Música Pop Moderna só usa a nota ré?".>
Como ando farto da música pop atual e tenho a sensação de que tudo está realmente muito parecido, resolvi arriscar e assistir ao vídeo do canal Marco Antero Music, que conheci naquela hora. E que boa surpresa é o canal! Mesmo que às vezes a explicação dele soe muito técnica, dá para entender a tese defendida pelo autor do vídeo, que resume tudo em 12 minutos.>
Pegando apenas refrãos de sucessos da música pop atual - como Never Really Over, de Katy Perry, e Cake by The Ocean, do grupo DNCE -, Marco Antero mostra, na teoria e na prática, por que tanta coisa soa tão parecida e repetitiva atualmente.>
"Essa nota 'ré' tem sido usada sistematicamente e abusivamente em praticamente todas as músicas modernas pop", afirma Antero. Em seguida, em um teclado, ele demonstra por que sua afirmação sobre o uso excessivo da nota "ré" faz todo o sentido. Toca canções de estrelas pop como Dua Lipa, Taylor Swift, Rihanna... Em seguida, conclui: "O resultado que isso gera são músicas genéricas, chatas e cansativas".>
Depois de gerar polêmica por causa deste vídeo, os fãs da música pop reagiram e saíram em defesa de seus ídolos. Eles chegaram ao absurdo de perguntar: "Por que Tom Jobim é gênio ao compor Samba de Uma Nota Só, mas, ao contrário, a música pop é tão criticada por usar uma mesma nota?". A pergunta, claro, gerou um outro vídeo, tão interessante quanto o primeiro, chamado Uma Nota Só: Por que o Samba é bom e o Pop é Ruim?. Não deixe de ver esse também.>
E aí, Antero explica a genialidade de Tom Jobim. Aliás, nesse caso, nem precisa entender de música: era óbvio que Jobim lançava uma provocação e queria mostrar que era possível compor um samba com apenas uma nota. Era como se ele estivesse lançando um desafio a si mesmo. E, seguramente, não é essa a intenção dos compositores pop, que usam a mesma nota por mera acomodação. Sentem-se bem na tal "zona de conforto" e ainda engordam suas contas bancárias.>
Vão aí mais três ótimos vídeos para ver no canal de Marco Antero: 13 Hinos do Metal que Vieram de Bach; 14 Hinos do Rock que Vieram da Música Clássica e 8 Músicas que os Beatles Roubaram.>