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Da Redação
Publicado em 19 de setembro de 2012 às 12:38
Salvatore Carrozzosalvatore.carrozzo@redebahia.com.brEntrevista com celebridades de Hollywood é uma das coisas mais incertas na rotina jornalística – bem, a lista de incertezas, na verdade, é bem longa, mas isso é outro assunto. Foram dias de espera, atrasos e remarcações. Mas, já era tarde da noite quando finalmente aconteceu. “Oi, aqui é Milla”, dizia a voz – sim, sexy, como esperado – do outro lado da ligação ruim, de Los Angeles. O repórter, sentado no chão da sala de sua casa, dá adeus à panela de quiabos na cozinha. Pouco importa. Era Milla Jovovich, 36 anos, ucraniana, linda, loira – será? Nas fotos recentes, aparece ruiva – e fatalmente trabalhada na simpatia. Por uns instantes, parecia uma sessão privê de algum filme da série Resident Evil. “Meu nome é Alice”, dita pela personagem da estrela, é uma marca da série inspirada nos games. Mas, ali, o nome da vez era Milla.Boa estreia A entrevista, exclusiva ao CORREIO na Bahia, dura exatos 20 minutos. Afinal, ela está numa maratona de entrevistas para o lançamento de Resident Evil 5: Retribuição, série que arrasta multidões de fãs pelo mundo – no Brasil, o fã-clube é forte. O filme estreou mundialmente na semana passada – inclusive em Salvador. Nos EUA, teve a maior bilheteria do weekend: US$ 21,1 milhões, o equivalente a R$ 42,83 milhões. A franquia já faturou mais de US$ 700 milhões, ou R$ 1,42 bilhão. Poucas são as perguntas, pois grande é a vontade de Milla de tagarelar. “Adoro a sonoridade do português. Amo fado, tão triste e lindo ao mesmo tempo. Eu acho realmente inspirador”, diz. >
Milla afirma não saber explicar o sucesso dos filmes. Apesar de roteiros distintos, todos giram em torno de uma bela mulher, a sobrevivente Alice, que sai por aí distribuindo tiros, socos e chutes para garantir a própria vida e destruir uma grande corporação, a Umbrella. Internacional Em Resident Evil 5: Retribuição, o letal T-Vírus, desenvolvido pela Umbrella, continua fazendo estragos por todo o planeta, transformando a população afetada em legiões de mortos-vivos cada vez mais vorazes – para delírio dos fãs, claro. A única esperança da raça humana é Alice, presa dentro de um complexo de alta-segurança da Umbrella. Em sua arriscada tentativa de fuga, conta com a ajuda de um grupo de soldados de elite.“Acho que o que mantém o público atento é a mesma coisa que me mantém ligada (ao projeto). Cada filme é diferente do outro, é filmado em locais diferentes e de formas bem diferentes”, ressalta. No quinto filme da série, Alice, em sua saga destrutiva, passa por Tóquio, Nova York, Washington e Moscou. >
Sexto filme O primeiro filme da série, Resident Evil - O Hóspede Maldito, foi lançado em 2002. “Bem, agora, dez anos depois, é mais difícil para mim fazer as cenas de lutas. Mas, quando vejo o resultado final, percebo como são lindas as cenas, como Paul cria belas coreografias”, diz. O Paul em questão é Paul W. S. Anderson, que escreveu os roteiros dos cinco filmes e dirigiu o longa de estreia, além de Resident Evil 4: Recomeço e Resident Evil 5: Retribuição. Desde 2009, o diretor inglês também ocupa o cargo de marido da atriz. Milla despista boatos sobre um possível sexto filme. “Sempre que termino de filmar um, pergunto para Paul. ‘E agora, o que vem pela frente’. Sei que ele tem ótimas ideias, mas prefere focar um filme de cada vez”. Na opinião da atriz, o fascínio por criaturas como zumbis sempre existiu e sempre existirá. “É algo primordial. Essas histórias do além sempre foram contadas, há milênios. O ser humano sempre quis trazer a pessoa amada que morreu de volta, por exemplo. Bem, não dá, né?”, diz, entre muitas gargalhadas. A pancadaria em um monte de gente mais pra lá do que pra cá, no fundo, ilustra um objetivo maior da personagem de Milla na franquia: derrotar os planos obscuros da Umbrella. Ela foi a base de todos os problemas que recheiam os roteiros de Resident Evil. Uma sabotagem faz com que os laboratórios da empresa, escondidos nos subterrâneos da fictícia cidade de Raccoon, sejam contaminados pelo vírus. Alice, que não se lembra do passado, é convocada à força para lidar com o problema. Cinco filmes depois e o poderoso vírus ainda rende muito pano pra manga.Fãs do Brasil A personagem Alice, na verdade, não existe no videogame original. Foi uma criação dos produtores. Essa e algumas outras mudanças fazem com que os amantes do game original torçam, um pouco, o nariz para a série. Mesmo assim, o fã-clube parece amar a série. É aquele negócio: mexam em algo idolatrado por muitos para ver se o bicho não vai pegar. Mas eles continuam lotando as salas de cinema.Milla, claro, defende sua personagem. Ela destaca a luta de Alice contra a poderosa Umbrella. “Tenho um pouco de medo das grandes corporações que existem no mundo. É apavorante pensar que algumas empresas se aproveitam das pessoas de uma forma tão cruel. Mas creio que a revolução está em nossas mãos”, afirma a artista.A atriz diz amar o Brasil, apesar de não conhecer o país – passar por aqui está em seus planos, garante (“uma pena que o tour de divulgação do filme não passou por aí”, afirma). Ela até já deu uma entrevista exclusiva para os fãs brasileiros no Twitter, com transmissão de vídeo. Matadora de zumbis nos estúdios, vida tranquila em casa. Parte do tempo de Milla agora é reservado para Ever Gabo, sua filhinha de 4 anos. Ela afirma ser uma mulher espiritualizada, característica aflorada com o nascimento de Ever. “Sabe, às vezes me pego observando-a. Fico vendo quais são seus medos, por exemplo. Quais são os medos de uma criança pequena? Existe algo de existencial nisso”, afirma. E, sim, Ever morre de medo dos filmes que a mãe faz. Apelo no TwitterEm sua carreira polivalente de modelo e atriz, Milla também canta. Já gravou dois discos de folk rock: Divine Comedy, de 1994; e Peopletree Sessions, de 1998. Em outubro, deve lançar o álbum Sweeter Than Madness com o ex-namorado, Stuart Zender, que fazia parte da banda Jamiroquai.O papo estava bom, mas a assessora de imprensa entra no meio da ligação e diz que o tempo está encerrado. Faço uma última pergunta. “E aí, Milla, depois de cinco filmes da série, já está preparada em caso de um real apocalipse zumbi na Terra?”. Ela ri, pensa e responde: “Não sei. Eu tenho muitos pesadelos com zumbis, sabe? Pudera, depois de dez anos dando porrada neles... Acho que, se rolasse um apocalipse zumbi, postaria logo no Twitter. Diria a minha localização e pediria que meus fãs fossem lá me ajudar”, diz, rindo da hipotética e absurda situação. >
Finalizada a entrevista, volto para a cozinha. Os quiabos ficaram ruins. Mas, tudo bem. Fazer Milla Jovovich rir já vale o preço.>