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Carmen Vasconcelos
Publicado em 6 de abril de 2026 às 20:03
Ciência, religiosidade e arte são elementos que muito raramente convivem de maneira harmônica e integrada no mesmo ambiente. A combinação é ainda mais incomum se considerarmos cores fortes que traduzem a convergência de conhecimentos que vieram das mais prestigiadas universidades do país com a tradição da espiritualidade de matriz africana. >
Esta sinergia preciosa é o que compõem a exposição “Folhas que Curam – o mito de Ossanhe”, da artista visual brasileira radicada em Nova York e doutora em genética e biologia molecular pela Unicamp Luz Castañeda, que ficará em cartaz entre 9 de abril a 9 de maio no Museu de Arte da Bahia (MAB), em Salvador. A mostra reúne mais de 30 obras, incluindo trabalhos nunca antes exibidos e outros premiados internacionalmente.>
História única – Filha de pais brasileiros e espanhóis, Luz Castañeda vive e trabalha em Nova York desde 2014. Em 2019, obteve residência permanente nos Estados Unidos com base em mérito artístico extraordinário, consolidando uma trajetória singular construída entre a ciência e a arte. >
A artista visual é uma contadora de histórias que foi mudando apenas o formato em que as materializa. Como cientista, doutora pioneira no estudo de Filosofia e História das Ciências, formou o método de observar além do que o microscópio revelava. Passou pela composição colorida com tecidos de chita e voltou às plantas. Depois de deixar a carreira acadêmica, passou a traduzir a força e a estruturas dos organismos vegetais com tintas, bordado e mesmo com folhas que vêm das plantas que observa como educadora e pesquisadora da linguagem sagrada da natureza.>
Praticante da umbanda, sua sensibilidade e vivência das narrativas ancestrais, mitos dos orixás e práticas espirituais ligadas à natureza é hoje fonte de inspiração artística, sempre em diálogo com os ensinamentos da religião. “A ciência veio primeiro, mas a arte sempre esteve em mim. Hoje, eu me reconheço como uma artista com mente científica e espírito livre para colocar essas duas dimensões juntas”, afirma Luz Castañeda.>
As folhas que curam – A exposição em Salvador toma como eixo o mito de Ossanhe, orixá das folhas, das ervas e da cura. A partir dessa referência, a artista desenvolve uma série que investiga o poder simbólico e sensível das plantas, transformando folhas, formas orgânicas, composições cromáticas e memórias botânicas em pinturas e bordados de forte impacto visual. Parte do processo criativo de Luz nasce de sua vivência como pesquisadora da anatomia vegetal e do fascínio antigo pelas estruturas microscópicas das plantas, experiência que remonta à sua formação acadêmica.>
Em “Folhas que Curam”, esse repertório se expande para um território de invenção estética e espiritual. As obras evocam a relação entre cura, encantamento e natureza, propondo ao público uma experiência sensorial e simbólica. A mostra também reafirma o diálogo da artista com Salvador, cidade que ela identifica como território de força ancestral e destino natural dessa série.>
“Eu queria trazer essas folhas como oferenda para Salvador, para a Bahia, para a terra do axé. É uma série que fala de cura, mas também de encantamento, de memória e de reconhecimento da natureza como sabedoria viva”, diz a artista.>
As folhas pelo mundo – Antes de chegar ao MAB, Luz Castañeda já havia ganhado destaque em importantes circuitos culturais de Nova York. Sua série Urban Orishas foi exibida pela ArtOnLink levando a presença simbólica dos orixás a céu aberto em uma das cidades culturalmente mais pulsantes do mundo. Já as séries Rebirth e Healing Leaves receberam premiações do Queens Council on the Arts. A artista também recebeu o Certificado de Reconhecimento do Governo do Condado de Dutchess.>
Mais do que uma exposição, “Folhas que Curam – o mito de Ossanhe” propõe uma reflexão sobre cura e reconexão possíveis no mundo contemporâneo. Ao reunir arte têxtil, pintura e referências botânicas em uma narrativa autoral, Luz Castañeda convida a revisitar a natureza não apenas como paisagem, mas como fonte de conhecimento, mistério e transformação.>
Sobre a artista>
Luz Castañeda é artista autodidata, bióloga, doutora em Genética, educadora e pesquisadora da linguagem sagrada da natureza. Nascida no Brasil, filha de pais brasileiros e espanhóis, vive e trabalha em Nova York desde 2014. Sua obra articula arte, ciência e espiritualidade em pesquisas visuais que têm a natureza como matriz poética e conceitual. Entre os reconhecimentos recebidos estão os prêmios do Queens Council on the Arts em 2019 e 2023 e o Certificado de Reconhecimento do Governo do Condado de Dutchess, em 2025.>
Sobre a Osupa Productions>
Com sede em Nova York, a Osupa Productions desenvolve projetos de arte, cultura e impacto social que conectam entre Brasil, Estados Unidos e África. Seu portfólio reúne iniciativas como “Carolina, a Escritora do Brasil”, que levou a literatura brasileira ao centro de debates em Nova York e Washington, e promoveu o Women's Soccer Legacy Summit, preparatório nos Estados Unidos para a Copa de 2027. Na Bahia, a produtora realizou a circulação de Ingrid Silva, incluindo mostra no Museu de Arte Moderna. Com atuação marcada pela valorização de narrativas brasileiras, da diversidade e da ancestralidade, a Osupa constrói projetos de diálogo cultural e alcance internacional. A empresa é fundada pela baiana Suzane Sena.>
Serviço>
Exposição: Folhas que Curam – o mito de Ossanhe>
Artista: Luz Castañeda>
Local: Museu de Arte da Bahia (MAB) – Corredor da Vitória, Salvador (BA)>
Período: de 9 de abril a 9 de maio>
Com assessoria>