Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Fernanda Santana
Publicado em 16 de fevereiro de 2023 às 14:36
- Atualizado há 3 anos
Era final da década de 70, o axé music nem existia e Merina Aragão, 70 anos, já trabalhava no Carnaval de Salvador. Primeiro, atuou na operação de limpeza, depois no cadastramento de ambulantes, até que, em 1986, coordenou a maior festa do calendário baiano pela primeira vez. O tema era "O Halley [cometa] no céu, o fricote na terra". "O Halley deu o maior xabu, mas o fricote aconteceu". E Merina também: desde então, tudo da folia passa pelas mãos dela.>
Quando começou a trabalhar no Carnaval, precisava de disposição para cinco dias de festa. "Agora são 10", compara Merina, que ocupa o cargo de Gerente do Carnaval da Empresa Salvador Turismo (Saltur) e supervisiona desde a instalação dos banheiros químicos à organização dos blocos e trios elétricos. As estruturas dos circuitos, há mais de três décadas, tremiam ao som dos trios. "Hoje, há muita tecnologia". >
A trajetória de Merina abre o especial em vídeo sobre pessoas fundamentais para o Carnaval de Salvador que o CORREIO publica, a partir desta quinta-feira (16) até o última dia da folia, na próxima terça (21). Você poderá acessar os episódios no nosso Instagram, Tiktok e Facebook. >
Paranaense, Merina chegou a Salvador criança, devido à transferência do pai, médico da Aeronáutica. Já nessa época ia para a Avenida Sete ver a passagem de fanfarras. Na adolescência, a carreira do pai levou Marina e a família ao Rio de Janeiro. Lá, formou-se em Arquitetura. >
Só retornou a Salvador na década de 70 - e nunca mais saiu - para trabalhar na extinta Secretaria de Serviços Públicos. O planejamento do Carnaval era feito pela Bahiatursa, órgão ligado ao Governo da Bahia. Em 1986, o então prefeito Mário Kertész decidiu delegar ao Executivo municipal a festa.>
Entre os quatro indicados para a função, estava Merina, uma sobrevivente da alternância de prefeitos, extinção de órgãos e transformações do Carnaval. Na coordenação da festa, ela lidera sem recorrer a excessos. "Prefiro ter o bom e ter, do que ter o ótimo e perder. Sou muito prática e isso me ajuda no Carnaval">
Mãe de três e avó de quatro, a arquiteta transmitiu à prole o amor pelo carnaval. "Acabei de comprar fantasias dos filhos de Gandhy para os meninos. As meninas já estão cheias de fantasia", ri. Um dos filhos dela é adepto da pseudo religião chamada Bloco Camaleão. Durante o trabalho, Merina consegue brechas para ver seus artistas preferidos. "Amo Edcity. Engraçado, né? E Liniker, esse ano Liniker vai tocar aqui no Carnaval. Eu adoro [e demora na primeiro vogal 'o'] ela".>
Acesse www.correio24horas.com.br e leia essas e outras notícias sobre o Carnaval. E, até a quarta-feira de Cinzas, se ligue nas redes sociais do #correio24horas, que teremos uma série de conteúdos especiais sobre a volta da folia às ruas.>
O Correio Folia tem patrocínio da Clínica Delfin, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio da Jotagê e AJL.>