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Interpretação correta de tirinhas e charges ajuda a garantir boa nota no Enem

É preciso ter atenção para não cair em pegadinha e acabar marcando a alternativa errada

  • Foto do(a) author(a) Hilza Cordeiro
  • Hilza Cordeiro

Publicado em 12 de outubro de 2016 às 08:15

 - Atualizado há 3 anos

Mafalda e outros quatro amigos formaram uma fila no posto de saúde para se vacinar. Defensora da democracia, a personagem do cartunista Quino vai até a unidade se imunizar contra o despotismo. Esta é a narrativa de uma tirinha de humor político utilizada pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no caderno de Ciências Humanas e suas Tecnologias do vestibular de 2010. Frequentes no exame, as histórias em quadrinhos (HQs) são usadas para contextualizar os conteúdos e testar a capacidade de interpretação dos estudantes.De acordo com a professora de Língua Portuguesa do Colégio Integral, Rosane Sampaio, as charges e tirinhas permitem múltiplas interpretações. Portanto, é preciso ter atenção para não cair em pegadinha e acabar marcando a alternativa errada. “Elas são polissêmicas, então isso deixa bastante amplo o processo de interpretação. O aluno precisa ficar atento ao que a questão solicita. É preciso ler o enunciado, ver o que se pede e direcionar o olhar para isso”, alerta a educadora.Estudante do 3º ano do ensino médio do Integral, Dominique Andrade, 17 anos, segue à risca as dicas da professora Rosane. “Eu sempre analiso todo o contexto da questão. Primeiro leio o enunciado para só depois ir ao texto, já sabendo o que procurar”, conta. Dominique afirma que, na infância, lia HQs da Turma da Mônica e foi assim que aprendeu a identificar os elementos característicos dos quadrinhos com mais facilidade, otimizando seu tempo na prova.(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)Mudança Segundo Gutemberg Cruz, pesquisador e autor do livro Humor Gráfico na Bahia, a inclusão do quadrinho na educação já é uma realidade, mas demorou a ser assim. “Era tido como coisa de criança. A cultura brasileira tinha um preconceito grande, mas isso passou a mudar nos anos 80, quando eles começaram a sair em álbuns de luxo e com temáticas mais sérias”, lembra.O cartunista baiano Gilmar Barbosa acredita que o sistema educacional passou a reconhecer a importância desse tipo de linguagem e criou maior atenção sobre ele, “coisa que antes se olhava com desconfiança”, comprova. “Temos, a partir daí, muito material em livro didático, provas, testes com base no universo do humor gráfico”, conta ele, que, constantemente, tem suas tiras e charges usadas em provas de vestibular.O pesquisador ressalta, no entanto, que ainda há desafios no processo de interpretação do gênero. “Na escola, aprendemos a ler o alfabeto, não a imagem. A imagem é mais ambígua e necessita atenção. Às vezes, o balão diz uma coisa e o desenho outra, é ironia”.AlívioRosane relata que a dificuldade de interpretação é comum entre os alunos, mas que eles têm mais facilidade de compreendê-los em comparação com os textos puramente verbais. “A linguagem da tirinha é muito reproduzida, então eles têm muito acesso, já criam familiaridade”, analisa ela.Por isso, a reação dos estudantes diante de uma questão contendo quadrinho é, na maioria das vezes, sentirem-se aliviados. O estudante do cursinho Análise Vestibulares, Murilo Sussumu, 21, comemora quando se depara com uma. “Sinto alívio. Nessas questões, eu ganho tempo e descanso um pouco”, conta. Dominique tem uma sensação semelhante. “Eu me animo. Até porque uma prova toda só de textos longos e maçantes não dá, né”, pontua.ApoioEmbora sejam mais frequentes nas provas de Humanas e Linguagens, os quadrinhos também aparecem como textos de apoio nas propostas de Redação. “O Enem tem o perfil de trabalhar habilidades e esse tipo de recurso dá oportunidade de o estudante ser cobrado além das regras semânticas e gramaticais. Eles cobram a capacidade de notar a utilização da linguagem e de entender as funções dela dentro de uma percepção de mundo”, explica o professor de Redação Lucas Rocha, do cursinho Gregor Mendel.O professor acredita que a presença dos quadrinhos agrada aos estudantes por se exigir menos leitura, tornando a prova menos cansativa. Por sua afinidade com o universo das HQs, Murilo diz que responder estas questões “é algo natural”. “Acho que qualquer pessoa que desenvolve um bom senso crítico na leitura de livros, revistas e jornais também consegue fazer as questões tranquilamente”, complementa.Composto por linguagem verbal e não verbal, o gênero exige a interação de ideias para a compreensão textual. “Apesar de utilizarem linguagem mais próxima do cotidiano, as tirinhas usam metáforas e eu preciso fazer uma ligação entre os elementos para chegar à interpretação final da mensagem”, afirma a estudante Yasmin Cade, 17, do terceiro ano do ensino médio do Colégio Integral. Ainda conforme Rosane, os quadrinhos costumam exigir que o aluno saiba detectar, não apenas a ideia central, mas, sim, as intenções do texto.Saber a diferença entre os tipos de ilustração também pode adiantar a interpretação. De acordo com o cartunista baiano Flávio Luiz Nogueira, autor do personagem capoeirista Aú, o cartum é um piada gráfica sobre uma situação cotidiana.  “Pode-se rir dela a qualquer tempo”, explica. Já a charge, costuma fazer sátira de acontecimentos atuais, situando-se historicamente, geograficamente e politicamente. Enquanto a caricatura é uma retratação cômica e exagerada de características de uma pessoa.Para interpretar melhor, a dica dos professores e também do especialista é treino. “É preciso consumir quadrinhos e apreciá-los, cotidianamente, em jornais e revistas. Nas salas de aula, aplicá-los nos contextos das matérias e testar os alunos nas provas”, defende Rosane. Para o pesquisador, as HQs são uma excelente ferramenta para chamar a atenção dos adolescentes para o hábito de leitura. “A garotada tem que ler com a cabeça aberta para refletir. É ler nas entrelinhas e nos ‘entrequadros’ o que o autor quis dizer”, ressalta.