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Da Redação
Publicado em 25 de maio de 2018 às 17:44
- Atualizado há 3 anos
Uma verdadeira revolução está em curso. Nascida aplicada à manufatura, a Indústria 4.0, também conhecida como “Quarta Revolução Industrial”, pressupõe fatores como conectividade, automação e controle, sem deixar de lado o suporte da tecnologia da informação. Ainda relativamente novo, esse conceito ganha cada vez mais corpo em meio as empresas de todo o mundo, no sentido de aliar produtividade nos negócios, competitividade e eficiência.>
Imagine a seguinte situação: um cliente acessa a loja e é identificado pelo sistema com a sua conexão de celular. Em seguida, escolhe o produto de seu interesse e deixa a loja sem que seja necessário passar ou digitar o número do cartão de crédito para saldar a fatura, que é paga através do próprio aparelho móvel. Do outro lado, a empresa identifica imediatamente o produto retirado da prateleira e entra em operação um sistema de comunicação entre máquinas que vai ordenar a reposição do estoque sem que nenhuma ação humana seja necessária. Imaginou? Pois saiba que este exemplo já é uma realidade na loja da Amazon, multinacional americana de varejo. E deve virar uma tendência.>
Por essa razão, a diretoria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), que reconduziu Ricardo Alban à presidência para o quatriênio 2018-2022, elegeu a Indústria 4.0 como o maior desafio da nova gestão. “A indústria 4.0 não é uma opção. Ela já é uma realidade e todo o setor produtivo deve estar mobilizado para que o país esteja apto a acompanhar esta nova revolução. Entendemos que inovar e fazer acontecer a indústria do futuro é um compromisso que deve mobilizar a todos e o Sistema FIEB estará preparado para apoiar a indústria”, destaca o presidente.>
A pressão que mobiliza as instituições a buscarem entender e promover a transformação necessária no ambiente produtivo é proveniente do exterior. “Alemanha, Estados Unidos, China e Coreia do Sul têm avançado a passos largos neste processo, acendendo o alerta nos demais mercados da economia globalizada”, lembra o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Bahia), Luiz Breda. O entendimento é que perder este bonde – ou seria bit? – significa ficar para trás e ser riscado do mapa das oportunidades.>
Impacto Na avaliação do superintendente Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), Rafael Lucchesi, atualmente já vivemos a revolução industrial 4.0, e ela terá um enorme impacto. “Há estimativas que determinam que 70% dos empregos serão impactados, bem como as principais cadeias de valor. E é claro que isso vai determinar novos padrões de produção e de competição nos mercados. Temos um conjunto de novas tecnologias baseadas na inteligência artificial, na digitalização, na automação, na manufatura avançada, na indústria aditiva, no Big Data”, observa.>
Alguns paradigmas estão postos para este novo ambiente produtivo, ressalta Herman Augusto Lepikson, professor da pós-graduação em Manufatura Avançada e Sistemas Integrados de Manufatura do SENAI Cimatec e pesquisador líder do Instituto SENAI de Inovação em Logística e Manufatura Avançada. “Na indústria tradicional temos chefes, líderes, poucos pensantes e muitos que executam. Neste novo conceito, tudo que depende de mão, o robô vai fazer. Nossas empresas ainda executam e não investem no pensar. Compartilhar dados, significa pensar e agir rapidamente. Esta é a maior transformação que vem por aí”, projeta.>
“A indústria 4.0 não é uma opção. Ela já é uma realidade e todo o setor produtivo deve estar mobilizado para que o país esteja apto a acompanhar esta nova revolução. Entendemos que inovar e fazer acontecer a indústria do futuro é um compromisso que deve mobilizar a todos e o Sistema FIEB estará preparado para apoiar a indústria” – Ricardo Alban, presidente da Fieb.>
Escala O superintendente do Serviço Social da Indústria (SESI Bahia), Armando Neto, pontua que dois grandes desafios estão postos para as empresas: além do avanço tecnológico e inovação, no sentido de maior automatização, maior relacionamento com os clientes e fornecedores, outro fator importante é o ganho de escala. “As empresas têm que encontrar formas de produzir com custos muito baixos, de maneira que possam vender em larga escala”.>
Na Bahia, a chamada Quarta Revolução Industrial ainda engatinha. Todavia, Lepikson acredita que a iniciativa e liderança da FIEB é um importante ponto de partida para uma transformação efetiva e para ajudar a trazer esta consciência para a indústria baiana. Para isso, todas as entidades do Sistema FIEB foram mobilizadas a apresentar propostas para compor a Agenda Indústria 4.0, documento que irá balizar a segunda gestão de Ricardo Alban à frente da entidade.>
Processos históricos:>
1760 a 1830: Período marcou o ritmo da produção manual à mecanizada;>
1850: Chegada da eletricidade, que permitiu a manufatura em massa;>
Meados do século 20: Ingresso da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.>
Século 21: Era da Indústria 4.0 – tecnologias da informação, automação e conectividade.>
Sugestão de leitura:>
Em “A Quarta Revolução Industrial”, o fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, descreve as principais características da nova revolução tecnológica e destaca as oportunidades e os dilemas que ela representa. O autor também explica por que a Quarta Revolução Industrial é algo fabricado por nós mesmos e está sob nosso controle, e como as novas formas de colaboração e governança, acompanhadas por uma narrativa positiva e compartilhada, podem dar forma à nova Revolução Industrial para o benefício de todos.>
A Quarta Revolução Industrial Autor: Klaus Schwav Editora: Edipro Ano: 2016 Valor médio: R$ 49>