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Gabriel Rodrigues
Publicado em 1 de setembro de 2023 às 05:00
Apesar de ter nascido em Maracanaú, no interior do Ceará, a vida de Gabriel Teixeira sempre esteve ligada ao Bahia. Depois do início na base tricolor e da profissionalização no Fluminense, Biel, como é popularmente conhecido, voltou ao Esquadrão como uma das contratações mais caras da história do clube e vive a sua melhor fase na carreira. >
Em entrevista exclusiva ao CORREIO, o agora camisa 10 falou sobre a primeira passagem pelo clube, a fase artilheira, o momento do time no Brasileirão, Renato Paiva e muito mais. Confira: >
Você nasceu no Ceará, passou pela base do Bahia e se profissionalizou no Fluminense. Como foi o seu início no futebol?>
O meu início foi na quadra, em Brasília. Tinha uma escolinha, que era o Grêmio, e em um jogo pelo 99 [ele nasceu em 2001, mas jogou no time de meninos dois anos mais velhos], eu era bem pequeno, tinha um olheiro do Bahia, o Passarinho. Ele gostou de mim e me trouxe para o Bahia. Fiquei dos 10 aos 12 anos, e foi uma passagem muito boa, onde eu aprendi a jogar no campo. Eu sabia mais jogar em quadra e, nesses dois anos no Bahia, me firmei no campo. >
Nesse seu período na base seu pai foi funcionário do Bahia. Como é a relação dele e da sua família com o clube?>
Ele era motorista, braço direito do [Newton] Mota. Quando tinha algum jogador no aeroporto ele ia buscar. O diretor do Bahia falou que, se eu viesse para o clube, ele daria um emprego ao meu pai, mas não disse qual emprego era. E como o pai é ativo, ele trabalhou com muitas coisas, então foi fácil ser motorista do Bahia. >
Como é voltar nessa nova fase, e agora com todo o prestígio que você tem?>
Quando eu soube que o Bahia estava interessado, fiquei muito feliz. Veio na cabeça tudo que eu tinha passado aqui na base. Toda dificuldade, a questão financeira. O meu pai trabalhava muito na época do Bahia, e eu pude voltar com status maior e mais experiência. Eu fiquei muito feliz com esse retorno.>
No Fluminense você foi da geração do volante André, que foi seu companheiro na base do Bahia. As fotos do time que tem vocês e o volante Danilo, hoje na Inglaterra, sempre aparecem nas redes sociais. Vocês já conversaram sobre isso?>
Eu tenho todas essas fotos no celular. Quando fui para o Fluminense era eu e outro garoto que estavam certos para ficar, mas André foi também. Quando ficamos perto de subir para o profissional eu conversava com ele: ‘Lembra, André, a gente na base do Bahia? Você era centroavante e eu era ponta. Acabou que você virou volante. Fico feliz que estamos conseguindo virar profissionais, é o nosso maior sonho’.>
Com Danilo também eu tive esse contato. Até em um jogo contra o Palmeiras a gente bateu um papo. Tivemos rumos diferentes no futebol, mas é gratificante ter se tornado profissional. >
Você foi uma das primeiras contratações do Bahia na Era City. Como é ser escolhido para esse projeto?>
O que mexeu comigo mesmo foi a proposta do Bahia. Por já ter jogado na base, acho que isso me balançou. O Bahia abriu as portas para mim lá atrás, pude voltar mais maduro. Claro que tem o lado do investimento do Grupo City, mas independente de chegar proposta ou não, quero ficar focado no Bahia. >
Você vive o seu ano mais artilheiro e é o segundo jogador com mais participações em gols no time. Esperava se destacar desse jeito logo no primeiro ano?>
Pelo ano que eu tive no Grêmio em 2022, esperava sim. Eu venho trabalhando bastante, focado. Os meus irmãos têm um papel importante para mim, me ajudam, falam para eu pisar na área, para ser mais decisivo. Eu pude começar assim, fico muito feliz. É dar continuidade para ajudar o Bahia. >
Você voltou agora após quase três meses parado por lesão e continua como um dos destaques da equipe. Como foi acompanhar o time sem poder entrar em campo?>
Foi muito sofrimento. Eu ia para o estádio em todos os jogos e ficava sofrendo lá de cima, querendo ajudar e não podia. Eu ainda tinha dor da lesão, chegava em casa frustrado quando o Bahia empatava ou perdia. Eu coloquei na cabeça que tinha que voltar o mais rápido possível, fiz tratamento de manhã e de tarde. Trazia os equipamentos de tratamento pra casa, fazia à noite. Tinha que voltar de qualquer jeito. Eu voltei 15 dias antes, não era para ter voltado contra o Botafogo, agora é dar continuidade. >
Quando o Bahia fechou com o City, a torcida criou uma expectativa muito grande, mas em campo o time ainda não deu o passo esperado. O grupo internalizou que nesta temporada só dá mesmo para brigar para não cair?>
É muito estranho, pois tem times que estão lá embaixo que jogam mal e perdem. A gente joga bem e perde. A gente vem trabalhando bastante para aprimorar no terço final [no ataque]. A gente vem pecando nos últimos jogos, mas creio que nesse segundo turno vamos fazer diferente. O grupo está fechado, está focado. É dar continuidade no trabalho que o mister [Renato Paiva] dá. Ele ajuda bastante a gente. >
O time tem apresentado muita dificuldade na cara do gol. Por que isso está acontecendo?>
Acho que o jogo em si é muito difícil. Quando a bola vem pra gente e ficamos cara a cara com o goleiro estamos tremendo, isso está meio óbvio. Tentamos fazer e não estamos conseguindo. Nos treinos o mister tem batido nessa tecla para aprimorar a nossa finalização e o 1x1 contra o goleiro. Tenho certeza que no segundo turno vamos melhorar isso. >
O Bahia acertou a contratação de Luciano Juba, que no Sport jogava na ponta esquerda. Como você costuma atuar por essa faixa do campo, acha que podem jogar juntos?>
Eu conheço Juba, é um excelente jogador. Tenho certeza que ele vai nos ajudar bastante. Independente de jogar na esquerda, por dentro, junto, não tem importância. Eu só quero que o Bahia cresça. Quanto mais jogadores de qualidade, melhor. Aí a dor de cabeça é para o treinador. Coloco na conta dele, e o que ele escalar, vamos para cima. >
Por conta da campanha no Brasileirão, Renato Paiva é alvo de muitas críticas. Como é o trabalho dele no dia a dia? O que você acha que falta para o time engrenar?>
A nossa relação com o treinador é muito boa. Quem vê de fora não consegue enxergar o profissional que ele é. Infelizmente os resultados não estão acontecendo, mas também tem culpa dos jogadores, não é só dele. Ele escala os melhores. Confio no mister, na capacidade dele, e com certeza no segundo turno vamos aprimorar, estar mais juntos do que nunca e melhorar a situação do Bahia.>
Com a saída de Daniel, você herdou a camisa 10. Foi um desejo seu? O que isso representa?>
Isso foi bem engraçado. Cadu [Santoro, diretor de futebol] estava passando e eu brinquei com ele que a camisa 10 estava livre e eu tinha essa característica. Foi brincando, ele deu uma risada e saiu. Pouco depois os fotógrafos chegaram para fazer fotos e o anúncio da 10. Fiquei muito feliz. Era algo que eu queria muito e vou continuar trabalhando para honrar esse número. >
Mas você sabe que no Bahia a 10 é a 8, né?>
Sei, sim. Ainda bem que a 10 é a 8, porque é o craque do time, que é o Cauly (risos). >
Quem é mais próximo de você no elenco e quem é o mais resenha?>
Acho que os mais resenhas somos eu e Ryan. Não tem tempo ruim com a gente, é difícil até ficar sério nos momentos difíceis. Acho que a gente consegue descontrair o grupo todo. >
Soube que você tem uma relação bem próxima com Marcos Felipe. É verdade?>
Marcos Felipe é um jogador que tenho uma relação fora do clube, está virando um irmão para mim. Vamos juntos para o treino, até decidimos na hora se vamos no meu carro ou no dele. O Marcão é amigo que tenho desde o Fluminense, chegamos aqui juntos, e a nossa amizade foi crescendo. Fico feliz pela amizade dele, me incentiva bastante, um grande parceiro. >
Seu companheiro no Bahia e no Fluminense, André está iniciando a trajetória na Seleção. Você também pensa em ser convocado futuramente? Acha que consegue uma vaga jogando pelo Bahia?>
Com certeza. O pensamento de todo jogador que está se destacando é a Seleção, mas acho que a Seleção é consequência do bom trabalho. O que eu penso mesmo é fazer um bom trabalho no Bahia, que o Bahia seja recompensado pelo meu talento, minha dedicação, e se a Seleção vier, que seja consequência do meu trabalho. >
Fora de campo você também vive um momento especial, já que em fevereiro nasceu a sua filha. Qual é o sentimento?>
É uma nova fase e difícil. Quando a Helena nasceu eu acho que fiquei um mês sem entender nada, minha mulher dando de mamar, e eu na disposição por fora, indo comprar as coisas. Mas fiquei meio que no ar, sem entender direito. Depois eu consegui me adaptar, ajudo em tudo que é possível. Ela é tudo para mim, veio como uma motivação maior esse ano. Eu estou sempre jogando pelo Bahia e por ela. >
No jogo contra o Red Bull Bragantino, você ainda não estava relacionado, por causa da lesão, e postou um vídeo interagindo com torcedores no caminho para a Fonte Nova. Como foi aquilo? Como é sua relação com a torcida?>
Aquele vídeo foi do nada. Eu estava indo para a Fonte Nova com um amigo que é muito resenha, e ele duvidou que eu abriria a janela e perguntaria a um torcedor o placar do jogo. Aí eu, brincalhão também, abri a janela e o vídeo viralizou. Aquilo foi na hora, nada pensado.>
O pessoal não cobra muito não, pedem mais para tirar foto. Quando eu vou no shopping coloco um boné, óculos, mas eles reconhecem (risos). A criançada e muita gente pedem pra tirar foto. Eu fico feliz pelo carinho e tento retribuir dentro de campo. >
Qual recado você deixa para a torcida nesse segundo turno do Brasileirão? >
Na verdade não tem nem recado, pois eles apoiam até demais. O que eu peço é que eles continuem apoiando, é fundamental. A torcida do Bahia ganha jogo. Em todos os jogos em casa tem sempre 30 mil, 35 mil, isso motiva muito. É continuar trabalhando que eu tenho certeza que nesse segundo turno vamos melhorar e dar alegria para a torcida. >