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Murilo Gitel
Publicado em 9 de junho de 2023 às 06:00
Apaixonada desde cedo pela sustentabilidade, a jornalista Giuliana Morrone gosta de se definir como uma “tradutora de ideias”. Com mais de três décadas de carreira (só na Rede Globo foram 34 anos), ela ministrou uma das palestras mais concorridas do II ESG Fórum Salvador. O tema não poderia ser mais atual: “O Que é fato e o que é Fake em Sustentabilidade Empresarial”.>
Morrone disse ter ficado encantada pelo fato de estar discutindo ESG no Nordeste, uma vez que os debates sobre essas temáticas costumam ficar muito concentrados na região Sudeste. “Tenho vivido um encantamento por este Fórum, que convidou pessoas muito especiais para compartilhar suas experiências. Elas falaram de respeito, um tema cada vez mais discutido nas organizações. Como tornar as lideranças mais humanizadas?”, provocou.>
A jornalista também destacou que há muita distorção sobre ESG atualmente e que, ao contrário do que muitas pessoas supõem, não se trata de algo distante. “É um conceito que surgiu no mercado de capitais para observar riscos e aproveitar oportunidades em relação a questões climáticas, ambientais, sociais e de governança. Queria mostrar que se a empresa aproveita isso, triunfa.” >
Na avaliação de Morrone, uma das maiores fake news em ESG são as organizações que juram promover a diversidade, mas, no fundo, deixam de implementar a inclusão. “Não adianta só contratar, tem que dar ferramentas para que essas pessoas possam pegar o elevador da diretoria e crescer nessas companhias”, defendeu a jornalista, sob aplausos do público presente no Porto de Salvador.>
“Para investidor ver”>
Quando uma empresa tem a intenção de se posicionar em ESG, agregando uma vantagem competitiva, um dos primeiros passos é desenvolver a matriz de materialidade, onde se deve elencar o que é prioritário de acordo com o seu nicho de atuação. Contudo, na visão da jornalista, “muitas companhias têm compliance para investidor ver”, enquanto submergem, por exemplo, em casos de assédio e racismo.>
“Sou viciada na leitura de relatórios de sustentabilidade, mas, às vezes, há empresas que se valem de dados fraudulentos. Uma boa governança é feita de transparência, inclusive assumindo que errou. É tão nobre quando uma empresa admite. O ESG agrega valor. Quem faz direito, consegue vantagem competitiva, se diferenciando dos concorrentes”, reforçou Morrone.>
Capitalismo consciente>
Para a comunicadora, que chegou a realizar trabalho voluntário em uma cooperativa no Brooklyn, quando precisou se mudar para Nova Iorque, em 2008, onde atuava em uma série de funções na área da sustentabilidade, o conceito de capitalismo consciente oferece uma alternativa importante para o mundo, uma vez que tem o cuidado com os stakeholders (partes interessadas) como diferencial. >
“Lá, eu cobri a quebra do mercado imobiliário, que atingiu todo o mundo. Essa grande crise, que sumiu com o dinheiro do mercado, foi criada, justamente, pela ausência de ESG das empresas. Lamentavelmente, os governos precisaram injetar dinheiro público à época para amenizar o prejuízo”, lembrou. >
Utopias para realistas>
Apesar de tanta desinformação e práticas de corrupção em todo o mundo, a jornalista acredita que a sustentabilidade no mundo dos negócios pode ser real. Uma de suas inspirações nesse sentido é o livro Utopias para Realistas: como construir um mundo melhor, do escritor holandês Rutger Breman, dica de leitura compartilhada com a plateia.>
“Também temos visto ótimos exemplos aqui neste Fórum. Há uma caminhada muito linda que está acontecendo. Quando que vocês viriam um empresário falar de levar amor para dentro da empresa [em alusão a palestra de Estevan Sartoreli, CEO da Dengo Chocolates]? Quanto mais reportarmos e divulgarmos essas ações, mais contribuiremos para a melhoria da sociedade, concluiu a utópica-realista Giuliana Morrone. >
O II ESG Fórum Salvador foi um projeto realizado pelo Jornal Correio e o Site Alô Alô Bahia com o patrocínio da Acelen, Aliança da Bahia, Ambev, Atlantic Nickel, BAMIN, Bracell, CCR Metrô, Contermas, Deloitte, Grupo Luiz Mendonça - Bravo Caminhões e AuraBrasil, Jacobina Mineração, Leroy Merlin, Moura Dubeux, Sotero Ambiental, Socializa, Suzano e Unipar; apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, SEBRAE, SENAI CIMATEC e Instituto ACM; apoio do Banco Master, Larco Petróleo, Sabin, Senac e Wilson Sons e parceria do Fera Palace Hotel, Happy Tour, Hiperideal, Luzbel, Multimídia, Ticket Maker, Uranus2, Vini Figueira Gastronomia e Zum Brazil Eventos. >
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