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Nordeste de Amaralina registra uma morte a tiros a cada quatro dias, diz Fogo Cruzado

Dados foram divulgados nesta quinta-feira (28) e apontam violência recorde na localidade

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 28 de maio de 2026 às 15:29

Após morte de PM: tensão no Nordeste de Amaralina
Tensão no Nordeste de Amaralina após morte de PM Crédito: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO

O Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, registrou a maior alta de violência armada desde 2023, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado divulgados nesta quinta-feira (28). Entre 1º de janeiro e 25 de abril deste ano, a região contabilizou 26 tiroteios e 40 pessoas baleadas, sendo 30 mortas. É como se uma pessoa fosse morta a tiros a cada quatro dias na localidade. 

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado, o número de mortos mais que dobrou em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 19 tiroteios, com 12 mortos e quatro feridos. 

Na comparação entre os dois anos, houve aumento de 37% nos tiroteios, além de alta de 150% no número de mortos, feridos e no total de pessoas baleadas. Entre as vítimas estão moradores, policiais e suspeitos. O território é formado pelos bairros Nordeste de Amaralina, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho e Santa Cruz.

Polícia Civil deflagra operação contra organização criminosa no Complexo do Nordeste de Amaralina por Divulgação/ Ascom-PCBA

O levantamento também aponta o avanço da letalidade em ações policiais na região. Dos 26 tiroteios registrados em 2026, 25 ocorreram durante operações ou intervenções policiais. Essas ações deixaram 29 mortos e dez feridos, o que representa um total de 39 pessoas baleadas. Isso significa que praticamente todas as pessoas atingidas por disparos no complexo neste ano foram baleadas durante ações policiais.

Em fevereiro, o cabo da Polícia Militar Glauber Rosa dos Santos, de 42 anos, morreu após ser baleado na cabeça durante um confronto com suspeitos no bairro Vale das Pedrinhas. O policiamento foi reforçado no Complexo após o episódio e ao menos 11 mortes foram registradas nos dias seguintes

Os dados históricos mostram crescimento contínuo da violência na região. Entre janeiro e abril de 2023, o complexo registrou 16 tiroteios, com nove mortos e seis feridos. Já no mesmo período de 2024, foram oito tiroteios e sete mortos. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e aguarda retorno sobre o levantamento. 

Os dados do Fogo Cruzado são coletados por meio de um aplicativo colaborativo e monitoramento em tempo real de ocorrências de violência armada nas regiões metropolitanas de Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Belém.