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Descoberta da 'bússola dos pombos' pode explicar como aves encontram o caminho de volta usando o campo magnético da Terra

Pesquisadores alemães identificaram células no fígado que podem funcionar como uma espécie de bússola biológica para orientar os animais

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 3 de junho de 2026 às 10:21

Descubra a surpreendente forma como os pombos protegem e nutrem seus filhotes - Freepik
Pombos Crédito: Freepik

Como os pombos conseguem retornar para casa mesmo após percorrer quilômetros de distância é uma pergunta que intriga cientistas há décadas. Um estudo publicado em 2026 na revista Science traz uma nova hipótese para esse fenômeno ao apontar que a capacidade de perceber o campo magnético da Terra pode estar relacionada a células presentes no fígado dessas aves.

A pesquisa foi conduzida por cientistas alemães que investigaram estruturas capazes de atuar como sensores naturais do magnetismo terrestre. Durante a análise, eles encontraram uma concentração significativa de partículas de ferro em macrófagos localizados no fígado. Essas células, conhecidas por sua atuação no sistema imunológico, removem glóbulos vermelhos envelhecidos e acumulam ferro ao longo desse processo.

Curió por Polícia Federal / Divulgação

Segundo os autores, essas partículas microscópicas podem funcionar como uma espécie de bússola biológica. A hipótese é que elas respondam ao campo magnético do planeta e forneçam informações úteis para a orientação das aves durante os deslocamentos.

Para avaliar essa possibilidade, os pesquisadores realizaram testes com pombos-correios treinados. As aves foram soltas a mais de 20 quilômetros de seus viveiros e divididas em grupos. Em parte delas, os macrófagos ricos em ferro foram eliminados. As demais permaneceram sem alterações.

Resultados

Os resultados indicaram diferenças importantes no desempenho dos animais. Os pombos que perderam essas células apresentaram mais dificuldade para retornar ao ponto de origem, sobretudo em dias nublados. Já quando havia céu aberto, muitas aves conseguiram compensar a perda utilizando outras referências naturais, como a posição do Sol. A observação reforça a ideia de que a navegação depende da combinação de diferentes mecanismos de orientação.

Outro detalhe chamou a atenção dos cientistas. Os macrófagos ricos em ferro foram encontrados próximos a fibras nervosas, o que sugere a existência de uma rota para transmitir ao cérebro os sinais captados pelas partículas magnéticas. Caso essa conexão seja confirmada, ela ajudaria a explicar como as aves transformam informações do ambiente em orientação durante o voo.

Além de oferecer uma nova explicação para a impressionante capacidade de navegação dos pombos, a descoberta amplia o entendimento sobre funções pouco exploradas das células imunológicas. Os pesquisadores destacam que estruturas associadas à defesa do organismo podem desempenhar também um papel sensorial.

As conclusões do trabalho podem contribuir para estudos sobre outras espécies que realizam deslocamentos de longa distância, incluindo aves migratórias e morcegos. Para os autores, o campo magnético terrestre faz parte de um sistema de navegação complexo, usado em conjunto com outros sinais ambientais para guiar animais por trajetos que, à primeira vista, parecem impossíveis de serem percorridos sem mapas ou referências visuais.

Tags:

Pombo