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Empresário vive há 25 anos em cruzeiros, gasta até R$ 500 mil por ano e revela efeito inesperado ao voltar para terra

Investidor transformou navios em lar definitivo

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 2 de maio de 2026 às 14:46

Mario Salcedo
Mario Salcedo Crédito: Reprodução

Para a maioria das pessoas, um cruzeiro é uma experiência pontual, associada a descanso e luxo. Para Mario Salcedo, no entanto, virou rotina - e até residência. Investidor de origem cubana, ele abandonou a vida tradicional após anos no mercado financeiro e, aos 45 anos, decidiu embarcar em um estilo de vida incomum: viver permanentemente em navios. Mais de duas décadas depois, ele segue praticamente sem retornar à terra firme, acumulando cerca de 25 anos consecutivos em alto-mar e mais de 6 mil noites a bordo.

Conhecido como “Super Mario” entre tripulações da Royal Caribbean, ele construiu toda sua rotina dentro dos cruzeiros. Seu “escritório” é uma simples mesa, de onde administra seus investimentos enquanto navega por regiões como Caribe, Mediterrâneo e Ásia. “A maioria das pessoas vem aqui para descansar. Eu vivo aqui”, resume. Para manter esse padrão, ele gasta entre 60 mil e 100 mil dólares por ano (até R$ 500 mil) e costuma reservar, com mais de um ano de antecedência, o mesmo camarote interno em embarcações como o Navigator of the Seas.

O dia a dia não é de descanso absoluto. Pelo contrário, ele se mantém ativo com caminhadas, dança, esportes e socialização, além de evitar excessos na alimentação. Mesmo quando os navios atracam, ele raramente desce para conhecer os destinos, preferindo permanecer a bordo ou mergulhar.

Mario Salcedo por Reprodução

Mas o que poderia parecer apenas um estilo de vida luxuoso acabou trazendo uma consequência inesperada. Após tantos anos no mar, Salcedo desenvolveu o chamado “mal do desembarque”, um distúrbio que afeta o sistema vestibular e provoca a sensação constante de movimento quando está em terra firme. “Eu me balanço tanto que não consigo caminhar direito quando desço. Me sinto mais estável em um navio do que em terra”, afirma.

Segundo o The New York Times, ele só deixa os cruzeiros em situações específicas, como compromissos médicos ou questões burocráticas. Ainda assim, prefere rapidamente retornar ao ambiente onde se sente mais confortável. Entre suas viagens mais marcantes está uma travessia de 72 dias entre os Estados Unidos e a China, passando pelo estreito de Gibraltar e pelo canal de Suez.

O que começou como uma fuga da rotina acabou se tornando um modo de vida permanente - com o mar como endereço fixo e a terra firme, curiosamente, como um lugar de instabilidade.