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Gigante japonesa tem primeiro prejuízo em quase 70 anos após perdas bilionárias com carros elétricos

Empresa abandonou metas de eletrificação, suspendeu projeto de US$ 11 bilhões e aposta no crescimento das motos para retomar o lucro

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 15 de maio de 2026 às 08:50

Honda
Honda Crédito: Divulgação

A Honda fechou o último ano fiscal com o primeiro prejuízo anual em quase sete décadas, pressionada pelos elevados custos da reestruturação de sua operação de veículos elétricos. O resultado negativo marca uma mudança de rumo da montadora japonesa diante da demanda abaixo do esperado por carros eletrificados.

No balanço encerrado em março, a empresa registrou prejuízo operacional de 414,3 bilhões de ienes, equivalente a cerca de US$ 2,63 bilhões. O desempenho ficou pior do que o projetado pelo mercado e representa uma forte reversão em relação ao lucro obtido no período anterior.

Grande parte do impacto veio das perdas de 1,45 trilhão de ienes relacionadas à divisão de carros elétricos. Para o atual ano fiscal, a Honda ainda prevê um custo adicional de 500 bilhões de ienes ligado ao mesmo segmento.

BMW iX por Divulgação

Motos ajudam a empresa

Mesmo com o cenário negativo, a fabricante evitou um resultado ainda mais severo graças ao desempenho das motocicletas, especialmente em mercados como Brasil e Índia. A área alcançou recordes de vendas e lucratividade, compensando parcialmente a retração do setor automotivo.

A companhia já anunciou planos para ampliar sua produção de motos em território indiano. “O negócio de motocicletas expandirá a capacidade de produção na Índia e terá como meta um recorde de vendas”, afirmou a Honda.

A expectativa da montadora é retomar o lucro neste ano fiscal, com projeção de ganho de 500 bilhões de ienes. Segundo a empresa, a recuperação deve ocorrer por meio de cortes de despesas e da continuidade do bom desempenho das motocicletas.

O revés também levou a Honda a rever seus planos de eletrificação. O presidente da empresa, Toshihiro Mibe, confirmou o cancelamento das metas que previam que 20% das vendas fossem compostas por veículos elétricos até 2030, além da transição completa da frota até 2040.

Outro reflexo dessa mudança foi a suspensão, por tempo indeterminado, de um megaprojeto no Canadá. A iniciativa previa investimentos de US$ 11 bilhões para produção de carros elétricos e baterias e seria o maior aporte já realizado pela montadora no país.

Apesar do prejuízo histórico, o mercado reagiu de forma positiva. As ações da Honda atingiram o maior patamar em dois meses nesta quinta-feira (14), impulsionadas pela promessa de retorno de 800 bilhões de ienes aos acionistas e pela manutenção do pagamento de dividendos.