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Jürgen Habermas, filósofo alemão e teórico da 'esfera pública', morre aos 96 anos

Herdeiro da Escola de Frankfurt, Habermas foi assistente do filósofo Theodor Adorno no início da carreira

  • Foto do(a) author(a) Wladmir Pinheiro
  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Wladmir Pinheiro

  • Estadão

Publicado em 14 de março de 2026 às 13:33

Jürgen Habermas, filósofo alemão e teórico da 'esfera pública', morre aos 96 anos Crédito: Reprodução

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos principais pensadores contemporâneos sobre democracia e teoria social, morreu neste sábado (14), aos 96 anos. A informação foi confirmada pela editora Suhrkamp.

Habermas morreu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf, Habermas estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia entre 1949 e 1954 nas universidades de Göttingen, Zurique e Bonn.

Ao longo da carreira acadêmica, foi professor em instituições como a Universidade de Heidelberg, a Universidade de Frankfurt am Main e a Universidade da Califórnia, Berkeley. Também foi diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida do Mundo Científico-Técnico, em Starnberg.

Habermas recebeu diversos prêmios doutor honoris causa e prêmios internacionais, entre eles o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã, em 2001, e o Prêmio Kyoto, em 2004.

Teorias sobre democracia e diálogo

Considerado um dos principais herdeiros da Escola de Frankfurt, Habermas foi assistente do filósofo Theodor Adorno no início da carreira. Diferentemente de alguns pensadores da mesma tradição, ele buscou desenvolver uma visão menos pessimista sobre a modernidade, defendendo que a razão poderia ser recuperada por meio do diálogo público.

Essa proposta ganhou forma em sua obra Teoria do Agir Comunicativo (1981). No livro, o filósofo distingue a ação estratégica, voltada para interesses individuais, da ação comunicativa, baseada no diálogo e na busca de entendimento coletivo.

A partir dessa ideia, Habermas formulou sua concepção de democracia deliberativa, segundo a qual a legitimidade das decisões políticas surge do entendimento alcançado entre cidadãos livres e iguais, e não da imposição do poder ou de interesses econômicos.

Essa reflexão foi aprofundada em Direito e Democracia: Entre Facticidade e Validade (1992), obra em que o autor analisou a relação entre direitos individuais, soberania popular e participação política.

Outro conceito central em sua obra é o de “esfera pública”, entendido como o espaço de debate formado por discussões cotidianas, meios de comunicação e manifestações políticas.

Para Habermas, esse ambiente funciona como uma mediação entre o Estado e a sociedade civil, sendo essencial para o funcionamento da democracia.