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Mariana Rios
Publicado em 29 de maio de 2026 às 22:12
Um novo projeto liderado por Yann LeCun, cientista-chefe de inteligência artificial da Meta, pretende dar um passo além dos atuais modelos de IA ao ensinar máquinas a desenvolver uma espécie de “física intuitiva” — habilidade considerada fundamental na forma como seres humanos compreendem o mundo desde a infância. >
Batizado de LeWorldModel, o sistema foi apresentado por pesquisadores ligados ao laboratório de LeCun e tenta fazer com que a inteligência artificial aprenda relações físicas básicas, como movimento, gravidade, permanência de objetos e causalidade, sem depender exclusivamente de grandes quantidades de texto. As informações foram divulgadas pelo jornal suíço Tages-Anzeiger.>
A proposta parte de uma crítica recorrente feita por LeCun aos modelos generativos atuais, como chatbots e sistemas baseados em grandes modelos de linguagem. Segundo o pesquisador, essas ferramentas conseguem reproduzir padrões estatísticos impressionantes, mas ainda possuem dificuldades para compreender de forma profunda como o mundo físico funciona.>
O LeWorldModel busca justamente preencher essa lacuna. Em vez de aprender apenas lendo textos, a IA é treinada para observar ambientes simulados e desenvolver previsões sobre o comportamento de objetos e eventos, criando uma representação mais próxima da experiência humana.>
De acordo com a reportagem do Tages-Anzeiger, o sistema demonstrou capacidade de antecipar trajetórias, reconhecer relações espaciais e interpretar situações físicas simples mesmo quando parte das informações não está visível. A ideia é que esse tipo de aprendizado ajude futuras inteligências artificiais a tomar decisões mais robustas e menos dependentes de padrões decorados.>
LeCun é um dos principais defensores da chamada “IA de próxima geração”, baseada em modelos capazes de construir representações internas do mundo. Para ele, sistemas verdadeiramente inteligentes precisarão compreender causalidade, contexto e funcionamento físico do ambiente — algo que, em sua avaliação, os modelos atuais ainda não conseguem fazer plenamente.>