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Mariana Rios
Publicado em 30 de maio de 2026 às 06:15
Um relacionamento amoroso entre dois integrantes da Suprema Corte da Suíça se transformou em uma crise institucional que tem mobilizado o país e provocado comparações com debates recorrentes sobre exposição pública, transparência e credibilidade do Judiciário — temas que também cercam o Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. >
O caso envolve os juízes federais Beatrice van de Graaf e Yves Donzallaz, membros do Tribunal Federal suíço, equivalente ao STF brasileiro. A relação veio à tona após uma reportagem da revista Weltwoche afirmar que os dois mantinham um relacionamento duradouro e conviviam frequentemente na mesma residência, situação que pode entrar em conflito com regras da própria corte.>
Na Suíça, a legislação impede que pessoas casadas, em união registrada ou em convivência permanente exerçam simultaneamente funções na mais alta instância do Judiciário. A justificativa é preservar a independência dos magistrados e evitar questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.>
A repercussão foi tão grande que todos os juízes da corte participaram de uma sessão extraordinária e concluíram que relacionamentos amorosos entre membros do tribunal são, em princípio, incompatíveis com os costumes e padrões de independência exigidos pela instituição. Uma investigação externa foi aberta para analisar o caso e apresentar conclusões até o fim de junho.>
O episódio ganhou novos contornos nesta semana após a revelação de que uma câmera escondida foi encontrada na cerca viva da casa de Yves Donzallaz semanas antes da publicação da reportagem. O equipamento estava apontado para a entrada da residência e, segundo veículos suíços, pode ter sido usado para obter as imagens citadas pela reportagem que revelou o relacionamento. O magistrado registrou ocorrência policial, e uma investigação criminal foi aberta.>
A descoberta da câmera ampliou as dúvidas sobre a origem do material utilizado para expor a vida privada dos magistrados e transformou o caso em algo que vai além de uma controvérsia ética. Ex-presidentes da corte passaram a pedir renúncias, parlamentares cobraram explicações e setores políticos classificaram o episódio como uma crise institucional.>