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Carol Neves
Publicado em 8 de maio de 2026 às 07:56
Após mais de três décadas de funcionamento, a fabricante argentina Gomas Gaspar fechou definitivamente as portas em Córdoba e deixou 40 funcionários sem receber salários atrasados, 13º e verbas rescisórias. Ex-trabalhadores afirmam que a empresa interrompeu as atividades em meio ao agravamento da crise no setor calçadista do país.>
Localizada no bairro San Vicente, a companhia era conhecida pela produção de componentes de borracha para calçados utilizados por diferentes marcas argentinas. Ao longo dos anos, abasteceu fabricantes de linhas esportivas, sociais e casuais.>
Funcionários e representantes sindicais atribuem o colapso da empresa à queda do consumo interno, às dificuldades financeiras enfrentadas pela fábrica e ao aumento da concorrência de produtos importados.>
Fábricas de calçados afetadas pela crise na Argentina
Sindicato acusa dono de abandonar funcionários>
Segundo Arturo Pitkard, delegado regional do Sindicato dos Trabalhadores da Borracha, os problemas começaram quando a empresa deixou de cumprir obrigações salariais.>
“A Gomas Gaspar começou com problemas para pagar o aguinaldo. Deu aos funcionários 30 dias de férias e, quando voltaram, também não quitou o que devia. Aos poucos começou a demitir os 40 trabalhadores”, afirmou em entrevista ao Canal 10 de Córdoba.>
De acordo com ele, depois das demissões a direção ainda tentou manter a produção de maneira informal. “Uma vez que cada um recebeu seu telegrama de demissão, pediu que voltassem a trabalhar na informalidade para tentar levantar a fábrica. Os trabalhadores aceitaram. Alguns mais velhos, com muitos anos de empresa, quiseram ajudar porque conheciam o dono havia quase três décadas. O proprietário, o engenheiro químico Rodolfo Polero, prometeu que pagaria, mas não pagou nada”, declarou.>
Pitkard também acusou o empresário de abandonar os funcionários e desmontar a estrutura da empresa. “O dono desapareceu, deixou os empregados sozinhos, pessoas com família, e não se importou com nada. A empresa está em recuperação judicial e ele começou a desmontar a fábrica”, disse. “Na empresa ninguém atende, não há a quem recorrer.”>
Segundo o sindicato, a Gomas Gaspar deve o 13º salário, cerca de um mês e meio de trabalho e as indenizações dos ex-funcionários.>
Trabalhadores relatam dificuldades após fechamento>
Entre os trabalhadores afetados está Fabián Córdoba, que passou 18 anos na empresa. Ele relatou dificuldades financeiras agravadas pelo tratamento da esposa, que perdeu a mobilidade há seis anos e necessita de medicamentos que custam cerca de 250 mil pesos por mês.>
“Trabalhei no setor de prensa, mas ajudava onde precisavam. Não recebemos nada. Preciso juntar dinheiro para os remédios. Meus filhos não podem me ajudar, minha mãe e meus irmãos me dão uma mão, mas não posso continuar pedindo”, contou.>
Carlos, funcionário da fábrica havia 13 anos, também criticou a forma como ocorreram as demissões. “Tenho um filho de 13 anos, uma menina de 7, um menino de um ano e meio e outro filho a caminho. Acho muito injusto o que o dono fez conosco, nos demitir daquela maneira. Ele se sente impune, fechou as portas e disse para nos virarmos como pudéssemos”, afirmou.>
O trabalhador disse ainda que, mesmo após receberem o aviso de desligamento, os empregados continuaram atuando sem remuneração. “Mandou o telegrama, pediu que continuássemos trabalhando e nunca pagou nada. A gente vinha trabalhar e depois precisava fazer bicos porque ele não dava um peso sequer. É impressionante a impunidade com que agiu conosco”, declarou.>
Setor calçadista enfrenta sequência de crises>
O fechamento da Gomas Gaspar amplia a lista de empresas afetadas pela crise da indústria calçadista argentina. A John Foos decidiu encerrar a produção de tênis em sua fábrica de Beccar, em San Isidro, para passar a importar produtos prontos da Ásia.>
Já a Viamo entrou em recuperação judicial após enfrentar problemas financeiros, conflitos trabalhistas e um processo de reestruturação.>
O Grupo Dass, responsável pela fabricação de calçados para marcas como Nike, Adidas, Umbro, Fila e Asics, também demitiu 43 funcionários. A companhia já havia encerrado, em janeiro de 2025, a planta de Coronel Suárez para concentrar a produção em Misiones, unidade que atualmente enfrenta dificuldades.>
Outra empresa afetada é a Vulcalar, instalada na província de La Rioja, que interrompeu a produção de calçados e deixou cerca de 80 trabalhadores sem renda.>